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Supermercado com carne irregular descartada armazenava produto de "forma precária"

O estabelecimento, que possui mais de uma unidade, teve cerca de duas toneladas de carne descartadas. Mesmo sem possuir licença para levar o produto de um supermercado para outro, funcionários confirmaram a prática

Laura Brasil

20/01/2026 - 17h14

O Supermercado Gauchão, na unidade do bairro Rita Vieira, que passou por fiscalização no dia 14 de janeiro, conforme consta no boletim de ocorrência, armazenava produtos de "forma precária", em embalagens que não estavam lacradas.

Consta no processo que, entre as irregularidades encontradas nas câmaras frias, foram localizadas grandes quantidades de carne bovina e suína em embalagens abertas ou mal lacradas.

Além disso, os produtos estavam sem rótulos com informações sobre data de produção, validade e registro de inspeção. Também foi encontrada carne congelada fora de embalagens.

Durante a fiscalização, foi verificado que o estabelecimento não possui o Selo de Inspeção Municipal (SIM) e, portanto, não poderia realizar o transporte de carne entre uma unidade e outra.

A situação foi confirmada por um funcionário, que informou que o produto comercializado no supermercado era desossado na unidade do bairro Itamaracá.

Outras irregularidades apontadas pela Vigilância Sanitária foram:

  • carnes bovina e suína fracionadas sem registro no SIM;
  • comércio de embutidos fabricados em outra unidade, sem registro e autorização;
  • venda de produtos (salgados e cortes de frango) fora da temperatura recomendada pelo fabricante;
  • venda de sushi e similares sem informações obrigatórias no rótulo;
  • armazenamento inadequado de congelados e cortes de carne na câmara fria, sem rótulos.

A Secretaria-Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS) também relatou a venda de linguiça a granel, sem embalagem e sem data de validade.

Produtos que deveriam estar congelados, como língua de boi e coração, foram dispostos no açougue para comercialização.

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Rotina

Em conversa com a polícia, o gerente comercial do supermercado, de 52 anos, relatou ter sido contratado para a função no dia 15 de setembro de 2025. Sobre o funcionamento do açougue, informou que o responsável técnico, um médico-veterinário, deveria comparecer ao estabelecimento, em média, uma vez por mês.

Entretanto, nos quatro meses em que trabalhou no supermercado, afirmou tê-lo visto apenas duas vezes no local. Com relação ao abastecimento da carne, confirmou a versão dada por um funcionário de que os produtos comercializados eram trazidos da matriz, localizada na Rua Padre Mussa, no bairro Itamaracá.

Autorização

Embora tenha passado por fiscalização, o açougue não chegou a ser interditado. A reportagem entrou em contato com o Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável de Mato Grosso do Sul, no dia 16 de janeiro, para verificar a situação do Selo de Inspeção Municipal do supermercado.

Em resposta, o consórcio informou que a unidade do bairro Rita Vieira chegou a realizar o primeiro acesso à plataforma digital para regularizar a situação, mas não houve novas movimentações até aquela data. Já a unidade do Itamaracá, apontada como local onde são realizados a desossa e o corte da carne que abastece a outra unidade, sequer possui registro no sistema.

"Quanto ao processo de registro dos estabelecimentos Supermercado Gauchão, as documentações comprobatórias ainda estão sendo anexadas ao processo. Fica a critério do empresário ou responsável técnico o tempo para preenchimento na plataforma. Quando não há movimentação do processo no prazo de 60 dias, ele é finalizado, e o responsável deverá iniciar um novo", informou a equipe do SIM.

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