Cidades

OPERAÇÃO

Homem comandava tráfico no Paraná de dentro da cadeia em MS

Condenado por feminicídio e com passagens por roubo e tráfico de drogas, preso coordenava grupo criminoso de presídio da Capital por meio do uso de celulares

A Operação Matrioska, realizada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) com apoio das forças sul-mato-grossenses, desmantelou um grupo criminoso que atuava no tráfico interestadual de drogas no estado sulista e era liderado por um detento de Mato Grosso do Sul, que conseguia coordenar a quadrilha por meio do uso de diversos celulares dentro da cadeia.

Ontem, o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (Dracco-MS) apoiou a ação de origem paranaense, que cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, 34 de busca e apreensão domiciliar nos municípios de Pato Branco (PR), Clevelândia (PR), Mariópolis (PR), Cascavel (PR), Quedas do Iguaçu (PR), Concórdia (SC) e Campo Grande, além de bloqueio e sequestro de ativos financeiros.

Durante as investigações, que começaram em agosto do ano passado, foi confirmado que o líder do grupo criminoso é um preso custodiado no sistema prisional de Campo Grande, sendo responsável por determinar rotas de transporte, coordenar a distribuição de drogas e gerenciar o fluxo financeiro por meio da utilização de contas bancárias de “laranjas”.

Em conversa com a delegada responsável pelo caso Franciela Alberton, do Paraná, foi apurado que o homem apontado como chefe da quadrilha está preso desde maio de 2018, pelo crime de feminicídio, após matar a esposa a facadas e fugir para o Paraná. Além deste, o indivíduo tem passagens por roubo e tráfico.

Ainda segundo Franciela, ele conseguia coordenar o grupo da cadeia por meio do uso de celulares, com os comandos sendo repassados por ligações ou troca de mensagens.

No mandado de busca e apreensão realizado na cela dele durante a deflagração da operação, foram encontrados sete aparelhos celulares, o que confirma a atuação do preso.

A delegada não informou com precisão há quanto tempo o grupo atua no ramo do tráfico de drogas, limitando-se a dizer que a quadrilha “age há bastante tempo, com vinculações estabelecidas em Pato Branco”, cidade da região sudoeste do Paraná.

Somente em Mato Grosso do Sul, foram cumpridos dois mandados de prisões preventivas e dois de busca e apreensão no decorrer da operação.

DETALHES

As investigações começaram a partir da prisão em flagrante de uma mulher, no município de Realeza (PR), que estava transportando mais de dois quilos de crack em um ônibus de linha.

Após iniciada as investigações, foi constatado que o “buraco era mais embaixo”, e que a “simples” apreensão correspondia a uma estrutura hierarquizada voltada à aquisição, transporte, armazenamento, distribuição e comercialização de entorpecentes, especialmente crack e cocaína, bem como à movimentação e ocultação de ativos financeiros provenientes da atividade ilícita.

Também foi constatado que a droga era oriunda de Mato Grosso do Sul e era levada até o município de Pato Branco por mulheres que viajavam em ônibus de linha, muitas vezes com os filhos, para despistar eventual fiscalização, as chamadas “mulas”.

Mais da metade dos presos nesta operação são mulheres, que exerciam funções estratégicas na logística, transporte, distribuição e gestão financeira da organização. Agora, todos os presos devem responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

Por fim, a Polícia Civil do Paraná disse que as investigações continuam com a análise dos materiais apreendidos, visando à completa responsabilização criminal dos envolvidos, o que pode acarretar na identificação de eventuais outros integrantes da organização criminosa.

MS E PR

Segundo indicadores publicados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), com base em números enviados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp), o Brasil confiscou 1,6 mil toneladas de droga no ano passado, sendo Paraná e Mato Grosso do Sul responsáveis por cerca de 990 toneladas, mais precisamente 61,87% do total.

Para se ter ideia do tamanho da influência dos dois estados nesse quesito, o País apresentou uma média diária de 4,4 toneladas de drogas apreendidas no ano passado, e Mato Grosso do Sul é responsável por 1,16 tonelada, enquanto o estado sulista, por 1,5 tonelada.

*Saiba

O nome da operação faz alusão à tradicional boneca russa matrioska, caracterizada por esconder múltiplas bonecas em seu interior, simbolizando a complexidade e a estrutura em camadas da organização criminosa investigada. 

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