Cidades

GÁS BOLIVIANO

Apesar dos incentivos, venda de gás veicular cai 19% em MS

Produto poderia ser uma alternativa em meio à disparada de preços provocada pela guerra no Irã, mas os preços seguem afastando os consumidores

Apesar de uma série de incentivos oficiais para aumento do consumo de de gás veicular em Mato Grosso do Sul, tais como isenção de IPVA, redução de ICMS, estabilização tarifária e outros incentivos comerciais, o preço do combustível segue inviável e ao contrário do esperado, o consumo literalmente despencou no ano passado 

Em 2025, se comparado com o ano anterior, consumo de gás veicular caiu 18,9% nos postos de combustíveis, conforme revelam os dados oficiais da empresa MSGás.

 Ao longo dos doze meses foram consumidos 1,78 milhão de metros cúbicos pelos proprietários de veículos movidos a gás. A explicação para a retração, conforme a própria estatal, foram os preços mais atrativos do etanol e a disseminação de carros elétricos. Ou seja, a própria empresa admite que não consegue competir com a concorrência.

E esta queda no consumo do combustível ajudou para que a venda de gás natural ficasse praticamente estagnada no estado em 2015, apresentando uma alta de apenas 0,58% na comparação com 2024, conforme mostram os dados oficiais da empresa. 

Mesmo assim, o lucro líquido da MSGás teve aumento de 13,9% no período, conforme o balanço anual da estatal. No período, o lucro da estatal atingiu R$ 49,532 milhões, ante R$ 43,490 milhões no ano anterior. Os números são resultado da venda de 212,9 milhões de metros cúbicos de gás natural para seus 27,3 mil clientes.

E, a principal explicação para a melhora do lucro líquido é o aumento da ordem de 8% no preço das tarifas, que foi autorizado pela Agência de Regulação de Mato Grosso do Sul (AGEMS), embora a inflação do período tenha sido a metade disso. 

No quantitativo de clientes a estatal teve um salto significativa ao longo do ano passado, alcançando 4.755 novos consumidores. Isso representa aumento da ordem de 20,8% na comparação com o ano anterior.

Mas, apesar da quantidade do número de consumidores, alguns poucos é que fazem a diferença. As indústrias e duas termoelétricas consumiram, juntas, 217 milhões de metros cúbicos (mais que os 212,9 milhões apontados como o total vendido no ano.)

Dados do balanço anual informam que o setor industrial, principalmente duas fábricas de celulose, consumiran no ano passado quase 87% de todo o gás natural comercializado pela MSGás (183,9 milhões de metros cúbicos). E, duas termoelétricas (de Campo Grande e de Três Lagoas) foram responsáveis pelo concumo de 33,6 milhões de metros cúbicos. 
 

INVESTIMENTOS

Conforme estudo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado – Abegás, a MSGás dobrou de tamanho entre 2015 e 2024, posicionando-se entre as distribuidoras com maior crescimento proporcional do país. 

No mesmo período, sua base de clientes expandiu mais de 450%, evidenciando a capacidade da MSGás de interiorizar o serviço e ampliar o acesso ao gás canalizado no Estado. 

De acordo com a assessoria da empresa, a comphia vive atualmente um dos ciclos mais relevantes de investimento de sua história, com projetos estruturantes que ampliam sua presença e fortalecem o papel do gás natural como vetor de desenvolvimento econômico. 

Entre os principais destaques está o Projeto Sucuriú, que prevê a implantação de aproximadamente 125 km de rede em aço carbono, viabilizando o atendimento a novos polos industriais estratégicos no Mato Grosso do Sul. 

Outro avanço importante é a expansão para o município de Dourados, segundo maior do Estado, que passa a integrar o sistema de distribuição de gás canalizado, ampliando significativamente o potencial de crescimento nos segmentos residencial, comercial e industrial. O gás deve chegar a Dourados por meio de caminhões, que vão injetar o gás na tubulação que será instalada na cidade.

Conforme a previsão o Plano de Negócios 2026–2030 prevê investimentos superiores a R$ 370 milhões, expansão da infraestrutura de distribuição e crescimento da base para aproximadamente 47 mil clientes até o final do período. 
 

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