Cidades

OTIMISMO

Governo de MS ignora vida real e projeta alta na receita em 2027

Arrecadação nos primeiros meses do ano encolheu 6,5% e termos reais em MS, mas o Governo projeta crescimento de 6% na LDO do próximo ano

Apesar da queda de 1,3% na arrecadação de impostos nos primeiros meses do ano, o que indica desaceleração da economia em Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado abandonou a cautela e para o próximo ano está prevendo aumento de 6% nas receitas, o dobro do crescimento estimado para 2026. 

Dados do Ministério da Fazenda revelam que nos dois primeiros meses deste ano a arrecadação de impostos em Mato Grosso do Sul foi menor que em igual período do ano passado e somou R$ 3,732 bilhões. No mesmo período do ano passado, o montante foi R$ 50 milhões maior e somou R$ 3,782 bilhões.  Se for contabilizada a inflação do período, a queda real é de quase 6,5%. 

Mesmo com estas números preocupantes, o Governo do Estado enviou na semana passada para a Assembleia Legislativa o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) com orçamento global de aproximadamente R$ 28,84 bilhões para o próximo ano. O montante representa crescimento de 6,06% em relação aos R$ 27,19 bilhões projetados para 2026.

No ano passado este mesmo projeto do Governo do Estado estimou crescimento de apenas 3% na arrecadação e gastos em 2026, índice inferior ao índice da inflação. O montante passou de uma projeção de  R$ 26,402 bilhões (em 2025),  para R$ 27,190 bilhões (em 2026). Mas, com a queda na arrecadação nos primeiros meses do ano, nem mesmo esta projeção tende a ser alcançada. 

RETRAÇÃO

Nos dois primeiros meses do ano, as duas principais fontes de receita encolheram no Estado. O ICMS, que no ano passado rendeu R$ 2,848 bilhões, caiu para R$ 2,835 milhões, o que representa recuo de quase 0,5%. Uma das explicações é a queda na importação de gás boliviano, que é da ordem de R$ 25 milhões por mês. 

Quando o assunto é IPVA, a retração é mais significativa, da ordem de 7%. No ano passado entraram R$ 673,8 milhões nos cofres estaduais. Neste ano, o valor recuou paraR$ 626,8 milhões. A explicação é a queda no número de veículos sobre os quais incide o imposto, apesar de anualmente serem emplacados em torno de 60 mil veículos no Estado. 

Porém, a tendência é de que o arrecadação na terceira, quarta e quinta parcela do IPVA tenha sido maior que nos mesmos meses do ano anterior, já que a administração estadual passou a exigir o pagamento à vista no começo de janeiro. Nos anos anteriores, o prazo para pagamento com direito a desconto se estendia até o fim de janeiro.
 

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