Cidades

Homicídios

Com assassinato de chefe do tráfico, MS tem o semestre mais violento em dois anos

Maurilho Murer Chaves foi morto na madrugada deste domingo (21) com tiros no tronco e na cabeça

Karina Varjão

22/06/2026 - 14h15

Os primeiros seis meses de 2026 se configuram como o mais violento em Mato Grosso do Sul desde 2023. Com a morte de Maurilho Murer Chaves, de 36 anos, na noite do último domingo (21) na Capital, o número de homicídios dolosos no Estado chega a 199 desde janeiro. 

Somente no mês de junho, foram registrados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), 28 crimes de homicídios do tipo assassinato, faltando ainda oito dias para o fim do mês. 

Em 2025, no mesmo período, foram registrados 197 mortes dolosas, sendo 22 em junho. No ano anterior, foram 177 casos, sendo 24 no mês de junho. 

O índice mais alto antes do atual foi em 2023, quando foram registrados 214 homicídios dolosos do Estado, sendo 31 no mês de junho. Como ainda falta pouco mais de uma semana para o fim do mês, esse índice pode ser superado em 2026. 

Chefe do tráfico

Maurilho Murer Chaves, de 36 anos, foi assassinado no estacionamento da pizzaria D'Brothers Pan, na rua Paranaíba, em Campo Grande, na noite de ontem (21). 

Segundo apurado pela reportagem, ele estava em um bar ao lado do local. Ao seguir para o estacionamento da pizzaria, foi abordado por três homens que estariam esperando um acerto de contas em uma Saveiro. No local, foram recolhidas 17 cápsulas que foram encaminhadas para a perícia.

Maurilho foi atingido por disparos na cabeça e no tronco e morreu no local. Ele era apontado como um dos principais chefes do tráfico na região da Vila Nhanhá desde 2014, responsável por abastecer bocas de fumo da região. 

A vítima já teria passagens pela polícia por tráfico e posse de droga, porte de arma de fogo e violência doméstica. 

Outros casos

No início de junho, um jovem de 20 anos identificado como Luiz Guilherme da Costa dos Santos , foi morto a tiros em uma quadra esportiva, na Rua Lúcia dos Santos, Bairro Parque do Lageado, em Campo Grande. 

Dois dias depois, o ator de teatro José Patrik Machado, de 32 anos, foi encontrado morto em um motel na região do Jardim Paulista. 

No dia seguinte ao caso, um jovem de 26 anos foi assassinado com 11 tiros em frente à um conjunto residencial em Maracajú, no interior do Estado.

No dia 15, um homem foi encontrado morto em um terreno baldio no bairro Jardim das Macaúbas, com cerca de dez perfurações nas costas provocadas por arma branca, tipo faca. De acordo com as investigações, o homem foi morto pelo próprio enteado, um adolescente de 15 anos.

No mesmo dia, José Ricardo Flores, de 39 anos, foi morto com mais de 10 tiros, após ser atraído para suposta emboscada. O caso aconteceu no município de Nova Andradina a quase 300 quilômetros de Campo Grande.

Cinco dias depois, Maycon Douglas Gama de Freitas, de 32 anos de idade, foi encontrado morto no rio, na zona rural de Coxim. Ele era considerado foragido desde o dia 3 de junho, por descumprimento de medidas protetivas de urgência no contexto de violência doméstica.

Criminalidade

De acordo com a Sejusp, houve uma queda de 57,54% nos roubos em vias públicas entre os quatro primeiros meses de 2023 a 2026. Isto é, foram 1.230 casos registrados em 2023 contra apenas 554 neste ano do assalto com violência. 

No caso de roubos no comércio, a redução foi de 68,17%, sendo 77 casos registrados em 2023 e 26 no mesmo período de 2026. 

Roubos em residência caíram 31,66% e de veículos reduziram 43,40%. 

Com relação aos furtos, quando não há violência ou ameaça direta, houve uma queda de 23,90%, com 12.873 casos de janeiro a abril de 2023 e 10.392 em 2026. 

Nos crimes de latrocínio, quando o roubo resulta em morte, foram quatro casos em 2023 e nenhum neste ano. 

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