Cidades

Reforço

MPMS dobra efetivo para combater corrupção e crime organizado

Depois de comprar duas licenças de software israelense para decifrar celulares, MPMS também vai integrar equipes em sede única

Eduardo Miranda

03/09/2026 - 05h00

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) vai dar mais um passo no reforço das estruturas de combate ao crime organizado e à corrupção. Depois de quase dobrar o número de servidores dedicados exclusivamente à investigação e ao combate às organizações criminosas, de colarinho branco ou não, a instituição agora pretende construir um anexo para abrigar todos esses servidores de forma integrada.

A licitação para ampliar um dos anexos da Procuradoria-Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul já está em andamento. A expectativa do MPMS é de investir R$ 22,6 milhões no anexo, onde trabalharão não apenas promotores de Justiça especializados, mas também especialistas de várias áreas, além de policiais militares e civis cedidos pelo Poder Executivo por meio de convênio.

Mas o reforço do combate ao crime pelo MPMS não depende de nova sede, ele já está em andamento. Nos últimos dois anos, quase duas dezenas de prefeituras já foram alvo de operações coordenadas pelo Grupo Especializado de Combate à Corrupção (Gecoc), um dos grupos que atuarão no anexo.

Procurador-Geral de Justiça, Romão Ávila

A unidade integrada também abrigará o Grupo Especializado de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Central de Inteligência (CI), que dá apoio a outras unidades do MPMS, como a especializada no combate a crimes cibernéticos.

O reforço milionário no combate ao crime pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul também se dá por meio do reforço de pessoal. Desde 2023, Gecoc, Gaeco e CI, combinados, dobraram o efetivo: passaram de 65 servidores trabalhando para mais de 130 atualmente.

O procurador-geral de Justiça, Romão Avila Milhan Júnior, explica ao Correio do Estado que reforçar e modernizar unidades de combate ao crime é uma atividade permanente na instituição.

“As organizações criminosas crescem e estão entremeadas em muitas atividades ilícitas e, mais recentemente, nas lícitas também. Agora, as instituições públicas têm de fazer frente a este crescimento da criminalidade que assola a sociedade sul-mato-grossense e brasileira”, afirma.

“O Ministério Público, órgão investigativo e também o que inicia a persecução penal contra criminosos, deve fazer o máximo dentro de suas possibilidades para investir em estrutura física, de pessoal e de equipamentos”, complementa.

Inteligência

Um dos exemplos do investimento no combate ao crime organizado, de colarinho branco ou não, pelo MPMS é o investimento no software israelense Cellebrite, utilizado por forças de segurança em mais de 140 países e, no Brasil, pela Polícia Federal.

Em Mato Grosso do Sul, o MPMS é a única instituição a utilizá-lo e detém duas licenças para o uso: uma com o Gaeco e outra com as unidades CI e Gecoc.

A principal ferramenta do Cellebrite é a Ufed (Dispositivo de Extração Universal de Provas, na tradução da sigla em português), que permite desbloquear e extrair dados de celulares e tablets, incluindo informações de aplicativos de mensagens, redes sociais, e-mails e até conteúdos armazenados em nuvem. Foi essa ferramenta que permitiu ao Gecoc desbaratar um esquema de corrupção que começou na prefeitura de Terenos e se espalhou por outras prefeituras do Estado.

As conversas por telefone celular para tratativa de crimes ligados ao desvio de verbas públicas resultaram na prisão do prefeito de Terenos, Henrique Budke, o primeiro titular do Poder Executivo a ser preso no exercício do cargo na história de Mato Grosso do Sul.

O alcance da tecnologia do Cellebrite é amplo: consegue acessar dispositivos Android e iOS, mesmo em versões recentes e com sistemas de criptografia avançados. Isso torna o Cellebrite essencial em investigações criminais, já que praticamente todo delito hoje tem algum componente digital.

Em Mato Grosso do Sul, o MPMS já empresta sua tecnologia até para instituições federais, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

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