O grande acumulado de chuvas em Campo Grande, devido as precipitações que começaram na noite dessa quarta-feira (14) e continuam ao longo desta quinta-feira (15), deixaram vários bairros e pontos da Capital com alagamentos, com o transbordamento de lagos e córregos.
Conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), apenas nesta quinta, até às 16h30, foram registrados 67,6 milímetros de chuva em Campo Grande.
A Avenida Rachid Neder, que é considerada um ponto crítico sempre que chove na Capital, voltou a registrar transtorno.
Na região, o Córrego Segredo transbordou e a avenida virou um rio, com a água invadindo um grande trecho da via.
Na região da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), próximo ao Moreninho e da Rotatória da Coca-Cola, o Córrego Bandeira transbordou, deixando parte da rua intransitável. O Bandeira é um dos córregos que formam e abastecem o Lago do Amor, que também transbordou nesta quinta.
Na Ernesto Geisel, Córrego atingiu o limite (Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado)Também considerado ponto crítico, o transbordamento do Lago do Amor causou alagamento na Avenida Filinto Muller. Alguns motoristas se arriscaram a passar pelo trecho e tiveram problemas, com o carro afogando no meio da via. (Veja vídeo abaixo).
Outro lago que transbordou foi o do Parque das Nações Indígenas.
Na região, a Avenida Nelly Martins, conhecida como Via Park, ficou intransitável, com água tomando conta de longo trecho.
A Avenida Gunter Hans e a Avenida Guaicurus também registraram pontos de alagamento, com carros ilhados ao tentarem passar pelos locais.
Na Avenida Ernesto Geisel, o Córrego Segredo e o Rio Anhanduí subiram muito o nível, mas não chegaram a transbordar até a publicação desta reportagem.
Relatos feitos nas redes sociais apontam ainda que houve alagamento em trechos da Avenida Calógeras, ruas dos bairros Jardim Centro Oeste, Caiobá, Jardim Canguru, Los Angeles, Aero Rancho, dentre outros diversos pontos em várias regiões de Campo Grande.
O temporal já estava previsto para Campo Grande, conforme divulgado pela Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil Municipal, que emitiu um alerta na quarta-feira pela possibilidade de chuvas fortes, associadas a ventos intensos e granizo.
Mais chuva
De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec), ainda há previsão de chuvas para esta sexta-feira (16), em decorrência da atuação de uma frente fria, associada à formação de um ciclone extratropical sobre o oceano Atlântico.
As chances de chuva são maiores nas regiões norte, nordeste e leste de Mato Grosso do Sul, onde podem ocorrer chuvas mais intensas com acumulados significativos, além de tempestades acompanhadas de raios e rajadas de vento pontuais.
Já nas regiões sul e sudoeste, são esperadas chuvas de fraca intensidade, não se descartando a ocorrência de neblina e nevoeiros em alguns pontos.
Em razão dos elevados acumulados de chuva registrados nos últimos dias, especialmente em algumas regiões, permanece o risco de alagamentos, principalmente em áreas mais vulneráveis.
Em Campo Grande, caso seja atingido por alguma intempérie, a pessoa pode acionar a Defesa Civil através do contato 199, ou solicitar serviços, como a remoção de árvores pelo 156.
Naqueles casos em que a queda total ou parcial da árvore aconteceu sobre a fiação e há riscos de o imóvel ou planta estar eletrificada, o contato deve ser feito ao 193.
O alerta de perigo para tempestade continua vigente para a sexta-feira.
Uma mudança nas condições do tempo deve ocorrer no fim de semana, com redução gradual das instabilidades e temperaturas mais amenas para esta época do ano.
O destaque, segundo o órgão, fica para a trégua nas chuvas a partir de sábado (17) e queda nas temperaturas, com possibilidade de mínimas de10°C na região sul do Estado. Em Campo Grande, a mínima deve ser de 18°C.
Recorde para o mês
Conforme reportagem do Correio do Estado, em apenas 15 dias, Campo Grande já registrou mais chuva do que a média histórica para todo o mês de outubro.
Levantamento realizado a partir de um arquivo de registros meteorológicos extraído do sistema do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta um acumulado de 207,6 milímetros até as 16h desta quinta-feira (15), volume aproximadamente 38% superior à referência histórica mensal de 150,6 milímetros utilizada pelo instituto.
A diferença chega a 57 milímetros, mesmo faltando 16 dias para o encerramento de outubro.
Segundo o Inmet, a média histórica de chuva em Campo Grande durante o mês de outubro é de 150,6 milímetros. O cálculo considera os registros feitos entre 1981 e 2024 e é utilizado pelo instituto como referência para comparar os volumes de chuva registrados na Capital.
Emergência
Campo Grande já decretou situação de emergência em setembro deste ano devido a estragos deixados por chuva e vendaval que atingiu a cidade no mês passado. A emergência foi reconhecida pelos governos estadual e federal e segue vigente, já que vale por 180 dias.
Na prática, a medida permite mobilizar órgãos estaduais para atuar na resposta ao desastre e na reconstrução das áreas atingidas, além de autorizar contratações emergenciais sem licitação, convocação de voluntários e campanhas de arrecadação para assistência às famílias afetadas.
O prejuízo provocado pelo temporal de setembro foi estimado inicialmente em R$ 40 milhões, segundo a prefeita, mas o valor ainda pode aumentar à medida que avançam os levantamentos dos danos.
Entre os estragos contabilizados na ocasião estão escolas destelhadas, além da UPA do Bairro Universitário e da Esplanada Ferroviária. Dezenas de famílias também foram atingidas, enquanto quedas de árvores e danos à rede elétrica deixaram moradores sem energia durante dias.