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Adriane veta suspensão de descontos ligados ao Banco Master em Campo Grande

Projeto aprovado pela Câmara pretendia interromper cobranças de empréstimos consignados de servidores municipais; Prefeitura alega inconstitucionalidade e risco de prejuízos aos trabalhadores

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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), vetou integralmente o projeto de lei que pretendia suspender os descontos em folha de pagamento dos servidores públicos municipais referentes a empréstimos e cartões consignados vinculados ao Banco Master, ao CredCesta e a instituições financeiras relacionadas.

A decisão foi publicada na edição extra do Diário Oficial do Município (Diogrande), na tarde desta terça-feira (13), e impede, por enquanto, que a medida aprovada pela Câmara Municipal entre em vigor.

O veto atinge o Projeto de Lei nº 12.497/2026, que estabelecia a interrupção dos descontos realizados diretamente nos salários de funcionários da administração direta, autarquias e fundações municipais.

A proposta também previa mecanismos de fiscalização para verificar a regularidade das operações financeiras antes da retomada das cobranças.

Na justificativa encaminhada ao Legislativo, a administração municipal argumentou que a suspensão generalizada dos descontos ultrapassaria os limites da competência do município, uma vez que interfere em contratos privados de crédito, cuja regulamentação é atribuição da União.

A decisão foi fundamentada em pareceres da Procuradoria-Geral do Município (PGM) e da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), que recomendaram o veto total por entenderem que a proposta apresentava problemas de constitucionalidade, proporcionalidade e segurança jurídica.

O episódio amplia a discussão sobre os empréstimos consignados relacionados ao Banco Master, instituição submetida à liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, conforme mencionado no parecer jurídico municipal.

Embora reconheça a necessidade de proteção dos servidores diante de possíveis irregularidades, a Prefeitura sustenta que não seria juridicamente possível interromper todas as operações vinculadas às instituições mencionadas sem comprovar problemas específicos em cada contrato.

O que previa o projeto vetado

A proposta aprovada pelos vereadores estabelecia a suspensão do processamento de diferentes modalidades de operações financeiras descontadas diretamente da remuneração dos servidores.

Entre elas estavam empréstimos consignados, cartões de crédito consignado, cartões-benefício, operações vinculadas à Reserva de Margem Consignável (RMC) e à Reserva de Cartão Consignado (RCC).

A medida alcançaria contratos relacionados ao Banco Master, ao CredCesta e também a empresas coligadas, sucessoras ou responsáveis pela aquisição de carteiras de crédito dessas instituições.

Pelo texto, os descontos somente poderiam ser restabelecidos após o atendimento de exigências documentais destinadas a demonstrar a regularidade das operações.

O projeto também proibia a inclusão de novos descontos de empréstimos na folha de pagamento dos servidores e determinava a realização de procedimentos administrativos para verificar a legalidade das cobranças.

O objetivo era ampliar o controle sobre as consignações processadas pela administração municipal e evitar que os servidores continuassem sujeitos a eventuais cobranças irregulares.

Entretanto, a proposta não previa o cancelamento dos empréstimos nem a extinção das dívidas. Os contratos permaneceriam existentes, assim como a possibilidade de cobrança por outros meios legalmente admitidos.

Essa distinção se tornou um dos principais argumentos utilizados pela Prefeitura para justificar o veto.

Segundo a Procuradoria-Geral do Município, a retirada automática dos descontos em folha poderia criar uma situação de insegurança jurídica, pois impedir o desconto salarial não significa que a parcela tenha sido quitada ou que os encargos contratuais deixem de existir.

Prefeitura aponta risco de cobranças e negativação

Um dos pontos destacados na justificativa é o risco de a medida produzir consequências financeiras para os próprios servidores que pretendia proteger.

Conforme manifestação da Secretaria Municipal da Fazenda, a suspensão automática poderia atingir contratos regulares e irregulares sem qualquer distinção, inclusive operações cujos créditos já tivessem sido transferidos legalmente para outras instituições.

A pasta também alertou que a interrupção dos descontos não eliminaria as obrigações financeiras assumidas pelos trabalhadores.

Dessa forma, na avaliação da administração municipal, a ausência de regras adequadas para a transição poderia gerar cobranças diretas, discussões sobre inadimplência e até risco de negativação dos servidores, dependendo das circunstâncias de cada contrato.

A Procuradoria ressalvou, contudo, que o eventual atraso no pagamento não poderia ser automaticamente atribuído ao trabalhador, uma vez que a responsabilidade pelo inadimplemento depende da análise das condições concretas.

Outro argumento apresentado foi que o município já possui instrumentos administrativos para fiscalizar as instituições responsáveis pelos descontos, exigir documentos, verificar autorizações e adotar providências diante de irregularidades comprovadas.

Para o Executivo, essas medidas devem ser aplicadas de maneira individualizada, sem prejudicar contratos que estejam sendo cumpridos regularmente.

A Prefeitura também utilizou como fundamento decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo o parecer, reconheceram a inconstitucionalidade de medidas semelhantes adotadas em Mato Grosso.

Nos julgamentos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7.900 e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 1.306, concluídos em abril de 2026, o Supremo considerou que a suspensão generalizada de operações de crédito por legislação estadual interferia em matérias reservadas à competência federal.

Embora a proposta de Campo Grande apresentasse diferenças em relação às normas analisadas pelo tribunal, especialmente por preservar a existência das dívidas, a Procuradoria entendeu que a interferência nos mecanismos contratuais de pagamento justificava a aplicação do mesmo fundamento constitucional.

Disputa judicial envolve R$ 1,43 milhão

A justificativa do veto também trouxe à tona uma disputa judicial envolvendo o Município de Campo Grande, o Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) e questões relacionadas a créditos e repasses financeiros associados ao Banco Master.

Conforme o parecer jurídico, uma decisão judicial autorizou a retenção e o depósito em juízo de um repasse de aproximadamente R$ 1,43 milhão, referente a 20 de dezembro de 2025.

O caso foi mencionado no âmbito de uma ação de compensação de créditos, posteriormente discutida no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

A decisão, entretanto, tinha alcance limitado: permitia a retenção e o depósito judicial daquele repasse específico, sem autorizar que a mesma providência fosse repetida automaticamente em pagamentos posteriores.

Segundo a documentação apresentada pela Procuradoria-Geral do Município, o Tribunal também não reconheceu a nulidade generalizada dos empréstimos contratados pelos servidores, tampouco autorizou a interrupção de descontos futuros por meio de legislação municipal.

A controvérsia envolve, entre outros aspectos, a possibilidade de compensação entre créditos relacionados a investimentos e valores de repasses financeiros.

Para a Prefeitura, a existência dessa discussão judicial não permite presumir que todas as operações de crédito vinculadas à instituição financeira sejam irregulares.

O parecer também menciona questionamentos sobre a transferência de carteiras de crédito do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB).

Nesse ponto, a Procuradoria destacou a necessidade de verificar a titularidade dos créditos, a identificação individual de cada operação e a legitimidade das instituições responsáveis pelo recebimento dos valores.

O documento registra ainda que procedimentos administrativos municipais apontaram dificuldades na realização de determinados repasses financeiros.

Entretanto, despacho de junho de 2026 informou que algumas entidades conseguiram efetuar transferências após sucessivas tentativas, sem que isso demonstrasse a solução integral das pendências.

Veto ainda poderá ser analisado pela Câmara

Com o veto integral, o projeto aprovado pelos vereadores não produzirá os efeitos previstos enquanto a decisão do Executivo permanecer válida.

Na prática, não haverá a suspensão geral dos descontos vinculados às instituições financeiras mencionadas com fundamento nessa proposta. Isso não impede, porém, a adoção de providências administrativas ou judiciais específicas diante de cobranças irregulares comprovadas.

A mensagem encaminhada à Câmara sustenta que a suspensão indiscriminada poderia comprometer contratos legítimos, atingir instituições que adquiriram regularmente direitos de crédito e gerar insegurança para os próprios servidores.

A administração municipal também descartou a possibilidade de um veto apenas parcial, argumentando que os dispositivos do projeto estavam diretamente vinculados à suspensão geral dos descontos. A retirada dessa previsão, segundo a Procuradoria, comprometeria a estrutura da proposta.

A decisão agora poderá ser examinada pelos vereadores, que têm a prerrogativa de manter ou derrubar o veto, conforme as regras do processo legislativo municipal.

O Diário Oficial não informa quantos servidores de Campo Grande possuem empréstimos ou cartões consignados vinculados ao Banco Master e ao CredCesta, tampouco o valor total descontado mensalmente de suas remunerações.

Esses dados são fundamentais para dimensionar o alcance financeiro da controvérsia, que envolve tanto a proteção dos trabalhadores quanto os limites legais da atuação do poder público sobre contratos de crédito.

Enquanto a discussão legislativa permanece aberta, a posição formalizada pela Prefeitura é de que eventuais irregularidades devem ser investigadas e corrigidas individualmente, sem a paralisação automática das consignações.

Ação Policial

Polícia barra festa infantil atribuída ao Comando Vermelho em MS

Duas mulheres foram presas em Pedro Gomes durante operação que impediu evento de Dia das Crianças supostamente financiado pela facção; investigação aponta ações semelhantes em outras cidades do Estado.

13/10/2026 18h01

Polícia Militar acompanha abordagem durante operação que impediu festa de Dia das Crianças supostamente financiada pelo Comando Vermelho, em Pedro Gomes, no norte de Mato Grosso do Sul.

Polícia Militar acompanha abordagem durante operação que impediu festa de Dia das Crianças supostamente financiada pelo Comando Vermelho, em Pedro Gomes, no norte de Mato Grosso do Sul.

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Uma festa de Dia das Crianças que, segundo a Polícia Civil, seria utilizada pelo Comando Vermelho para conquistar a simpatia de moradores e ampliar sua influência em comunidades de Mato Grosso do Sul foi impedida pelas forças de segurança na segunda-feira (12), em Pedro Gomes, município da região norte do Estado.

A operação terminou com duas mulheres presas e revelou uma suposta estratégia da organização criminosa para utilizar a distribuição de alimentos, doces e brinquedos como forma de aproximação com a população.

As investigações apontam que a iniciativa não seria isolada. Informações obtidas pelos setores de inteligência das polícias Civil e Militar indicaram que a facção planejava promover eventos semelhantes em pelo menos três municípios sul-mato-grossenses: Pedro Gomes, Sonora e Coxim.

A suspeita é de que as comemorações, apresentadas como iniciativas comunitárias, fossem financiadas por integrantes do Comando Vermelho com o objetivo de fortalecer a presença do grupo nas localidades, estabelecer vínculos com moradores e construir uma imagem de proteção e assistência social, especialmente entre famílias em situação de vulnerabilidade.

Em Pedro Gomes, os policiais identificaram antecipadamente o local e o horário da festa, além de pessoas que estariam envolvidas na organização do evento. O encontro estava previsto para as 15h, no campo de futebol do Bairro São Luís.

Segundo o levantamento policial, também foi identificada uma pessoa apontada como liderança externa da organização criminosa, que mantinha contato direto com as responsáveis locais e com fornecedores contratados para a realização da festa.

Polícia identificou pagamentos e organização da festa

As investigações começaram dias antes da data prevista para as comemorações. A partir do compartilhamento de informações entre os setores de inteligência, as forças de segurança passaram a acompanhar os preparativos dos eventos e os possíveis vínculos dos organizadores com a facção criminosa.

Um dos elementos que chamaram a atenção dos investigadores foi a forma de pagamento dos serviços contratados.

Conforme as informações levantadas, os brinquedos infláveis que seriam disponibilizados às crianças deveriam ser pagos em dinheiro, diretamente no local da festa. Para a polícia, a utilização de valores em espécie poderia dificultar o rastreamento dos recursos empregados na organização do evento.

Além disso, foram identificadas pessoas responsáveis pelos preparativos e contatos que, segundo os investigadores, indicariam a participação de integrantes da organização criminosa no planejamento das atividades.

A partir desses indícios, as equipes intensificaram o acompanhamento da movimentação no Bairro São Luís, com o objetivo de impedir a realização do evento caso fosse confirmada a ligação com a facção.

Duas mulheres foram presas em Pedro Gomes

Durante a intervenção policial, duas mulheres foram encontradas no campo de futebol enquanto montavam uma estrutura destinada à distribuição de alimentos para as crianças da comunidade.

Polícia Militar acompanha abordagem durante operação que impediu festa de Dia das Crianças supostamente financiada pelo Comando Vermelho, em Pedro Gomes, no norte de Mato Grosso do Sul.Policiais abordaram organizadoras de festa infantil que, segundo a investigação, seria financiada pelo Comando Vermelho em Pedro Gomes. Foto: Divulgação Policia Civil.

Ao serem questionadas pelos agentes, uma delas afirmou que estava organizando uma comemoração infantil, mas não apresentou autorização para a realização do evento.

Segundo a polícia, a jovem já era conhecida das forças de segurança e havia sido mencionada em um registro anterior por supostamente ameaçar moradores da vizinhança em nome de uma organização criminosa.

A investigação apontou ainda que a estrutura preparada para a festa estaria sendo financiada por integrantes do Comando Vermelho, com movimentações financeiras realizadas principalmente por meio de contas bancárias de uma das investigadas.

As duas mulheres foram presas em flagrante, sob suspeita de envolvimento com a organização criminosa e de participação em atividades destinadas a favorecer sua atuação na comunidade.

A polícia também apreendeu aparelhos eletrônicos que, conforme o relatório investigativo, continham informações consideradas relevantes para a identificação dos responsáveis pelo planejamento e financiamento da festa.

Mensagens e transferências via Pix são investigadas

A análise preliminar dos aparelhos apreendidos revelou, segundo a Polícia Civil, conversas que mencionavam diretamente o Comando Vermelho e indicavam a existência de grupos de mensagens utilizados para organizar as atividades.

Entre os registros identificados estaria um grupo destinado especificamente às finanças do chamado "projeto Dia das Crianças", expressão utilizada nas comunicações analisadas pelos investigadores.

Também foram encontradas referências a transferências bancárias realizadas por meio do Pix entre as mulheres investigadas, o que reforçou as suspeitas sobre a existência de uma estrutura financeira por trás da organização dos eventos.

Para os policiais, os elementos reunidos indicam que a comemoração não seria apenas uma iniciativa espontânea das organizadoras, mas parte de uma atividade articulada e financiada por pessoas ligadas à facção.

A investigação busca identificar a origem dos valores movimentados, a participação de outros envolvidos e a extensão da estrutura responsável pelas comemorações planejadas no norte do Estado.

Operação semelhante ocorreu em Sonora

A atuação em Pedro Gomes aconteceu após uma intervenção policial realizada em Sonora, onde as forças de segurança já haviam interrompido um evento semelhante, também relacionado às comemorações do Dia das Crianças.

Na ocasião, duas mulheres foram presas e aproximadamente 200 brinquedos, além de doces, foram apreendidos.

Segundo os investigadores, as características do evento em Sonora apresentavam semelhanças com a iniciativa planejada em Pedro Gomes, o que fortaleceu a suspeita de uma atuação coordenada entre pessoas vinculadas ao Comando Vermelho.

A identificação desse padrão levou os policiais a concentrar esforços na segunda cidade, onde já haviam sido identificados o horário, o local e parte dos responsáveis pelos preparativos.

Coxim também apareceu nas informações de inteligência como um dos municípios onde a facção pretendia promover atividades voltadas ao público infantil. Entretanto, o material divulgado não detalha se houve intervenção policial ou realização de evento semelhante na cidade.

Alimentos foram descartados por falta de garantia sanitária

Além das suspeitas relacionadas ao financiamento da comemoração, a operação levantou questionamentos sobre as condições de preparo e armazenamento dos alimentos que seriam distribuídos às crianças.

A pedido da autoridade policial, a Vigilância Sanitária municipal foi acionada para avaliar os produtos encontrados no local.

Segundo as informações repassadas pelo órgão, não foi possível atestar a segurança dos alimentos, uma vez que as condições de higiene empregadas durante o preparo eram desconhecidas.

Diante da impossibilidade de garantir que os produtos estavam próprios para consumo, o material foi considerado inadequado para distribuição e acabou descartado.

A medida também impediu o reaproveitamento dos alimentos apreendidos, já que não havia garantias suficientes sobre a procedência e as condições sanitárias.

O episódio acrescentou uma preocupação à ocorrência: além da suspeita de utilização da festa para favorecer uma organização criminosa, os produtos seriam destinados a crianças sem que sua segurança sanitária pudesse ser comprovada.

Facção tentaria conquistar apoio da população

Para a Polícia Civil, o caso revela uma estratégia que ultrapassa a atuação tradicional das organizações criminosas no tráfico de drogas e em outros delitos.

Segundo a investigação, as chamadas "ações sociais" funcionariam como instrumentos de aproximação entre integrantes das facções e moradores de comunidades onde esses grupos pretendem ampliar sua influência.

A distribuição de alimentos, brinquedos e outros benefícios permitiria que a organização se apresentasse como uma espécie de protetora da população, criando vínculos e buscando reconhecimento social.

Essa atuação, conforme a avaliação policial, pode contribuir para estabelecer relações de dependência e gratidão, especialmente em localidades marcadas por dificuldades econômicas e acesso limitado a determinados serviços.

Ao mesmo tempo, os investigadores apontam que a estratégia pode prejudicar a relação entre moradores e autoridades, uma vez que a presença das forças de segurança passa a ser apresentada pela organização criminosa como um obstáculo à realização de atividades comunitárias.

De acordo com a Polícia Civil, esse comportamento está associado à chamada narcocultura, fenômeno caracterizado pela normalização e valorização de símbolos, práticas e lideranças de organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas.

Nesse contexto, eventos aparentemente beneficentes poderiam funcionar como ferramentas para fortalecer a imagem das facções, ampliar sua influência territorial e reduzir a disposição de moradores para colaborar com investigações policiais.

Para as autoridades, a utilização de comemorações destinadas a crianças é particularmente preocupante, porque pode aproximar o público infantil de ambientes influenciados por organizações criminosas e contribuir para a naturalização de sua presença na comunidade.

Nova legislação prevê até 20 anos de prisão

As prisões realizadas em Pedro Gomes também estão relacionadas à aplicação da Lei Federal nº 15.358/2026, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil.

A legislação passou a tipificar, entre outras condutas, o crime de favorecimento ao domínio social estruturado, que abrange determinadas formas de apoio e colaboração com organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares e milícias privadas.

A pena prevista para esse crime varia de 12 a 20 anos de reclusão, além de multa.

Segundo a Polícia Civil, os elementos identificados durante a investigação fundamentaram a prisão em flagrante das suspeitas e o enquadramento das condutas na nova legislação.

As investigadas também são apontadas como suspeitas de envolvimento com organização criminosa. A responsabilização penal dependerá da análise das provas reunidas e dos desdobramentos do procedimento judicial.

A autoridade policial solicitou ao Poder Judiciário a manutenção das prisões, com a decretação da prisão preventiva, medida que permite manter investigados presos durante o andamento das investigações quando estão presentes os requisitos previstos em lei.

Investigações continuam no norte de MS

Mesmo com a interrupção das comemorações em Pedro Gomes e Sonora, as investigações continuam para identificar outras pessoas que possam ter participado da organização ou do financiamento dos eventos.

Segundo a Polícia Civil, outras pessoas também são investigadas por suspeita de envolvimento na organização e no financiamento dos eventos, incluindo indivíduos que teriam contribuído financeiramente ou mantido contato com as organizadoras locais.

Os investigadores também buscam esclarecer a extensão do planejamento das chamadas ações sociais e identificar eventuais vínculos entre os envolvidos nos diferentes municípios.

O caso chama atenção para uma possível mudança na estratégia de atuação das facções em Mato Grosso do Sul, que, além de disputarem influência por meio de atividades criminosas, também estariam tentando conquistar espaço nas comunidades mediante iniciativas apresentadas como beneficentes.

Para as forças de segurança, impedir a utilização dessas atividades por organizações criminosas é uma forma de enfrentar não apenas os delitos atribuídos às facções, mas também as tentativas de ampliar sua influência sobre a população.

vaticano

Diagnóstico após cirurgia confirma câncer pulmonar no papa Leão XIV

O adenocarcinoma pulmonar é o subtipo mais comum de câncer de pulmão maligno

13/10/2026 17h41

Papa Leão XIV

Papa Leão XIV Divulgação

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O procedimento cirúrgico ao qual o papa Leão XIV foi submetido confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme suspeitado pelos exames pré-operatórios, informou o Vaticano por meio de seu portal de comunicações nesta terça-feira, 13.

O adenocarcinoma pulmonar é o subtipo mais comum de câncer de pulmão maligno.

Segundo o boletim médico divulgado nesta noite, "o exame histológico intraoperatório confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, conforme suspeitado pelos exames pré-operatórios".

"O Santo Padre foi submetido, conforme programado, a uma cirurgia torácica", disse o Vaticano. "Para assegurar a radicalidade da intervenção, foi removido o lobo inferior do pulmão direito por meio de técnica videoassistida", informou o Vaticano.

A cirurgia para retirada de um nódulo pulmonar do papa Leão XIV terminou "com sucesso" nesta terça-feira, 13, segundo o Vaticano. O procedimento foi realizado no Hospital Gemelli, em Roma, na Itália. O pontífice chegou ao hospital nesta terça e acenou para dezenas de pessoas que aguardavam sua chegada na entrada principal da unidade.

"A intervenção foi concluída com sucesso, dentro do tempo previsto e conforme o planejado, e o Santo Padre já retornou ao seu quarto", declarou o Vaticano no Telegram.

Leão revelou no domingo que os médicos haviam descoberto um pequeno nódulo localizado em seu pulmão e recomendaram sua remoção. Segundo o Vaticano, ele deve permanecer hospitalizado por pelo menos uma semana. Todas as suas audiências foram canceladas até 20 de outubro.

O pontífice americano, de 71 anos, demonstrou um nível incomum de transparência sobre o primeiro grande problema de saúde divulgado publicamente em seus 17 meses de pontificado. Ele revelou a descoberta do pequeno nódulo localizado durante a oração do meio-dia de domingo e anunciou que passaria pela cirurgia de remoção.

"São casos que podem ser muito bem tratados, se as palavras que ele usou refletirem a situação clínica", disse Lorenzo Spaggiari, diretor de cirurgia torácica do Instituto Europeu de Oncologia (IEO), em Milão - médico que não participa do tratamento do papa, mas conhece a equipe do Gemelli.

Um membro do clero que se encontrou com Leo na segunda-feira, o Cardeal de Tóquio Kikuchi Tsutomu, disse que Leo afirmou sentir-se bem e decidiu realizar a cirurgia imediatamente para não ter de alterar seus planos de viagem à América Latina.

No entanto, a decisão foi claramente uma surpresa: embora o hospital Gemelli disponha de um apartamento papal específico utilizado por papas anteriores - completo com uma capela privativa no 10º andar -, Leo ficará, na verdade, em um quarto próximo, uma vez que o apartamento papal passa atualmente por reformas, segundo a assessoria de imprensa do Vaticano.

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