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Pivô da "queda" de 5 desembargadores de MS tem 200 ações no STJ

O nome Félix Jayme Nunes da Cunha aparece centenas de vez no relatório da PF que fundamentou afastamento dos desembargadores, mas não existe comprovação de crime no STJ

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Pivô do escândalo que “derrubou” cinco desembargadores, um juiz e um conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, o advogado Félix Jayme Nunes da Cunha é advogado em cerca de 200 processos que chegaram ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) nos últimos anos, conforme reportagem da Folha de S. Paulo. 

Até o momento, não há indícios de irregularidades nos julgamentos desses processos no STJ, mas o tribunal afirma que tem levantado as informações e feito apurações internas. A Polícia Federal chegou a pedir a prisão do advogado, mas o ministro Francisco Falcão indeferiu o pedido. 

O nome do advogado aparece 438 vezes no relatório da Polícia Federal que fundamentou  a decisão do ministro Francisco Falcão determinando o  afastamento dos desembargadores Sideni Soncini Pimentel, Sérgio Martins, Alexandre Bastos, Marcos de Brito Rodrigues e Vladimir Abreu da Silva. Além deles, foi afastado o conselheiro Osmar Jeronymo, do TCE, e o juiz Paulo Afonso de Oliveira.

As investigações da Polícia Federal também apontaram suspeitas sobre venda de decisões em gabinetes do próprio STJ e por isso foram enviadas para o STF (Supremo Tribunal Federal), onde tramitam sob sigilo. O relator é o ministro Cristiano Zanu.

Em mensagens obtidas pela Polícia Federal, Félix Jayme falava em leilão para obter votação favorável no Tribunal de Justiça de MS, citava valores que deviam ser repassados a magistrados e tentava convencer clientes a entrar no esquema, dizendo que estava barato.

Ao menos uma das cerca de 200 ações de Félix Jayme no STJ, que chegou ao tribunal superior por meio de três recursos, é investigada por suspeita de pagamentos a desembargadores do TJ-MS.

Esse processo envolve a disputa por um imóvel rural chamado Fazenda Paulicéia, em Maracaju (MS). O imóvel tem quase 600 hectares, mas a disputa é sobre 382 hectares. 

A PF encontrou indícios de que houve compra de decisões por parte de uma empresa de agropecuária em um processo relacionado a dois sobrinhos de Osmar Jeronymo, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado que foi afastado no dia 24 de outubro. 
O caso envolve expulsão de um arrendatário do terreno, falsificação de documentos, agressão física e também extorsão. A suspeita da PF é de que os sobrinhos sejam "laranjas" do conselheiro e que o real proprietário da fazenda seja Osmar Jeronymo. O advogado Félix Jayme chegou a ser nomeado no TCE logo após a posse de Osmar, no começo de 2015. 

"Há fartos e veementes indícios da atuação dos investigados, juntamente com o advogado Felix Jayme Nunes da Cunha, na negociação para obtenção de decisão judicial favorável aos seus interesses", diz a decisão do ministro do STJ Francisco Falcão que autorizou a operação.

No STJ, a parte contrária aos clientes de Jayme tentou suspender decisões tomadas no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul em três ações, que foram relatadas pela ministra Nancy Andrighi. Ela negou os recursos em 2022, e os processos foram arquivados.

PIMENTEL

Além desses processos, também existem ao menos quatro representados pelo advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, o filho do desembargador afastado Sideni Pimentel.

Rodrigo Pimentel é suspeito de envolvimento em decisões que envolvem diferentes magistrados do tribunal sul-mato-grossense.

Procurada, a ministra Nancy Andrighi afirmou em nota à Folha que os recursos citados na reportagem "foram decididos conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decisões contra as quais não houve interposição de recurso pelas partes".

"Friso que já coloquei meu gabinete à disposição para contribuir na elucidação dos fatos noticiados pela imprensa e confio na apuração realizada pelo Superior Tribunal de Justiça e pelas demais instituições, a fim de que os eventuais envolvidos sejam punidos de forma exemplar."
O STJ foi questionado se tem dados sobre os processos nos quais houve a atuação de investigados e informou que "os levantamentos estão sendo feitos e as investigações estão em curso".

A reportagem não conseguiu localizar Felix Jayme e Rodrigo Gonçalves Pimentel ou as suas defesas.

(Com informações da Folha de S. Paulo)

Maus-Tratos

Ex-vereadora de Água Clara é denunciada após simular matar pintinho; veja o vídeo

Simone Chucra aparece segurando o animal e levando-o à boca durante "brincadeira"

11/09/2026 17h45

Suspeita é ex-vereadora do Município de Água Clara

Suspeita é ex-vereadora do Município de Água Clara Divulgação: Governo Federal

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A ex-vereadora da cidade de Água Clara, Simone Chucra, foi denunciada após a publicação de um vídeo nas redes sociais em que aparece segurando um pintinho e simulando que arrancaria a cabeça do animal. A gravação repercutiu nas redes e levou um delegado da Polícia Civil de São Paulo, que atua em defesa da causa animal, a comunicar o caso às autoridades.

Nas imagens, Simone segura o pintinho nas mãos, aproxima o animal da boca e faz o movimento como se fosse arrancar sua cabeça. A situação é apresentada em tom de brincadeira, mas provocou críticas nas redes sociais diante da possibilidade de o comportamento configurar maus-tratos.

Ao comentar a gravação, o delegado classificou a atitude como grave e afirmou ter procurado autoridades de Água Clara para que o caso seja analisado.

A denúncia deverá ser avaliada pelos órgãos competentes, que poderão verificar as circunstâncias da gravação e se houve efetivamente maus-tratos contra o animal. Até o momento, não há informação de que o pintinho tenha sido ferido ou morto durante a gravação.

Simone Chucra foi vereadora de Água Clara e chegou a ser lançada como pré-candidata a deputada estadual pelo MDB em 2022. No período, ela era apresentada como uma das representantes políticas da região do Bolsão.

O vídeo que motivou a denúncia foi publicado nas redes sociais e passou a circular após a manifestação do delegado.

Mudança no Comando

Vice-presidente assume Santa Casa de Campo Grande após prisão de presidente

Heitor Scheibeler passa a comandar o maior hospital de Mato Grosso do Sul após operação prender Alir Terra Lima e outros integrantes da cúpula administrativa.

11/09/2026 17h25

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa.

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa. Foto: Divulgação/Santa Casa.

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A prisão da presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e de dois integrantes da cúpula administrativa do hospital provoca uma mudança no comando da maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul. Vice-presidente da instituição, Heitor Heitor Miguel Scheibeler passa a ocupar a linha de frente de administração em meio à Operação Antidotum, deflagrada nesta sexta-feira (11) para investigar supostas fraudes milionárias em contratos da entidade.

Além de Alir, segundo apuração do Correio do Estado, foram presos Alessandro Dias Junqueira e Rinaldo Halme Romano, diretores administrativo e financeiro, respectivamenete.

Também estão entre os presos Paulo Duarte Cruz, Beatriz Lemes da Silva, diretora do plano de saúde da Santa Casa, e Monique Gregório, responsável pelos serviços de digitalização de prontuários. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva.

Com parte da alta administração atingida simultaneamente pela operação, Heitor ganha protagonismo na condução da Santa Casa justamente no momento em que a instituição enfrenta uma das maiores crises administrativas recentes.

A investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apura irregularidades em pelo menos dois núcleos de contratos.

O prejuízo identificado até o momento chega a R$ 4,9 milhões, mas o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ressalta que o valor total ainda está sendo apurado.

Um dos contratos investigados previa o pagamento de R$ 5,4 milhões ao longo de três anos para digitalização de prontuários. Segundo o MPMS, somente no primeiro ano teriam sido desviados R$ 1,4 milhão, por meio de pagamentos sem a correspondente prestação dos serviços.

Outra frente envolve contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

Somente em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões teriam sido pagos a essas empresas, provocando, segundo a investigação, prejuízo mínimo de R$ 3,5 milhões à instituição.

O MPMS afirma ainda que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente ocultados de órgãos de controle, entre eles o Conselho Fiscal da própria Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

As suspeitas seguem sob investigação, e as prisões preventivas não representam condenação.

Comando em meio à crise

A entrada de Heitor na linha de frente ocorre, portanto, em circunstâncias diferentes de uma troca administrativa convencional. De uma só vez, a operação alcançou a presidente e os diretores administrativo e financeiro do hospital.

O cenário aumenta a responsabilidade sobre o vice-presidente para garantir a continuidade administrativa de uma instituição que mantém serviços de alta complexidade e ocupa posição estratégica na rede pública de saúde de Mato Grosso do Sul.

Apesar da operação desta sexta-feira, os atendimentos aos pacientes agendados e às pessoas já internadas foram mantidos normalmente, segundo informações divulgadas pela instituição.

A mudança ocorre ainda no momento em que uma ação civil pública pede à Justiça uma intervenção temporária na Santa Casa, com a nomeação de administrador provisório ou junta interventiva pelo período inicial de 180 dias.

O pedido também prevê afastamento temporário da presidente e da diretoria financeira dos poderes de gestão. Até o momento, trata-se de um pedido submetido à Justiça.

Quem é Heitor Scheibeler

A chegada de Heitor Miguel Scheibeler à linha de frente da Santa Casa de Campo Grande não ocorre por acaso. O atual vice-presidente percorreu diferentes postos da administração do hospital nos últimos anos e integra a cúpula da instituição desde, pelo menos, 2020.

Naquele ano, registros da própria Santa Casa já apresentavam Heitor como diretor-secretário adjunto. Dois anos depois, em fevereiro de 2022, ele aparecia como secretário da instituição durante a gestão de Heitor Rodrigues Freire, então presidente do hospital.

A permanência na administração continuou com a mudança de comando ocorrida em 2023. Quando Alir Terra Lima assumiu a presidência da Santa Casa pela primeira vez, Heitor foi empossado como diretor-secretário para o triênio 2023-2025.

Ele permaneceu próximo ao núcleo decisório da instituição durante todo o primeiro mandato de Alir. Em novembro de 2025, quando a chapa “Por Amor à Santa Casa” foi reeleita para mais três anos, Heitor esteve entre os nove nomes eleitos para o Conselho de Administração e voltou a ser escolhido diretor-secretário.

A nova diretoria tomou posse em 2 de janeiro deste ano. Naquele momento, a presidência permaneceu com Alir, enquanto Jary de Carvalho e Castro assumiu novamente a vice-presidência e Heitor iniciou mais um mandato como diretor-secretário.

A configuração, porém, durou menos de três semanas. Em 20 de janeiro, Jary renunciou à vice-presidência alegando motivos particulares e a intenção de voltar a se dedicar exclusivamente às atividades profissionais. Já naquele momento, Heitor era apontado como o provável nome para ocupar a vaga.

A substituição se concretizou e, atualmente, a própria Santa Casa apresenta Heitor Miguel Scheibeler oficialmente como vice-presidente da Diretoria Corporativa. Ele também integra o Conselho de Administração da entidade.

A trajetória colocou Heitor na linha sucessória justamente no momento mais delicado da atual gestão.

Nesta sexta-feira (11), a Operação Antidotum atingiu diretamente parte da cúpula administrativa da Santa Casa, com as prisões da presidente Alir Terra Lima e dos diretores administrativo e financeiro, Alessandro Dias Junqueira e Rinaldo Halme Romano.

Com a presidente e outros integrantes da administração presos preventivamente, Heitor passa de um cargo que assumiu há poucos meses para o centro das decisões envolvendo o maior hospital de Mato Grosso do Sul.

De primeira mulher na presidência à prisão em operação

Advogada, Alir Terra Lima chegou ao comando da Santa Casa de Campo Grande cercada de simbolismo. Eleita em novembro de 2022, tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da instituição em mais de um século de história.

Sua chapa, “Por Amor à Santa Casa”, recebeu 49 votos, contra 39 da concorrente, e ela tomou posse em 2 de janeiro de 2023.

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa.
Alir Terra Lima estava à frente da Santa Casa de Campo Grande desde 2023 e foi presa preventivamente durante operação nesta sexta-feira (11). Foto: Divulgação/Santa Casa.

Alir permaneceu à frente do maior hospital de Mato Grosso do Sul durante todo o triênio 2023-2025 e conseguiu renovar o mandato.

Em novembro do ano passado, foi reeleita para comandar a instituição por mais três anos. Desta vez, a chapa foi única e recebeu os votos dos 55 associados que participaram da eleição.

O segundo mandato começou oficialmente em 2 de janeiro deste ano, quando Alir tomou posse para a gestão 2026-2028. Na ocasião, afirmou que a administração pretendia investir no plano de saúde e na Escola de Saúde da instituição, além de buscar o fortalecimento financeiro e da formação profissional.

Pouco mais de oito meses depois da nova posse, a trajetória à frente da Santa Casa sofreu uma ruptura. Nesta sexta-feira (11), Alir foi presa preventivamente durante operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga supostas fraudes em contratos ligados à instituição. 

As suspeitas ainda são investigadas e a prisão preventiva não representa condenação.

 

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