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SAÚDE

Além de antibióticos, insulina está em falta na rede pública

Problema preocupa diabéticos que adquirem o medicamento por meio de pedido judicial; se não controlada, a doença pode resultar em prejuízos permanentes

Natália Olliver

04/07/2022 08:30

 

Após mais de 30 dias da reportagem do Correio do Estado a respeito da falta de antibióticos na rede pública de Campo Grande, outro medicamento, desta vez indispensável aos diabéticos, a insulina está ausente nas prateleiras das centrais de distribuição na Capital.

Pacientes que necessitam de insulinas específicas, ou “especiais”, oferecidas apenas com pedido judicial, válido por até seis meses, relataram falta dos medicamentos para controlar a doença há mais de dois meses.

O fornecimento das insulinas é feito de maneira compartilhada, a cada seis meses, entre Estado e município. Em Campo Grande, pacientes com diabetes podem adquirir os medicamentos por meio do Centro de Especialidades Médicas (CEM), administrado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), e pela Casa da Saúde, que é gerida pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).  

Danielly de Azevedo Silva, 32 anos, convive com a doença do tipo 1 (DM1) há 22 anos e recebe o medicamento pela Casa da Saúde (Assistência Farmacêutica Especializada). Silva conseguiu o medicamento por meio de ação judicial e, ao todo, utiliza uma ampola a cada seis dias. 

Na rede particular, o controlador da diabetes usado por Silva pode ser encontrado por até R$ 100,00. Considerando o mesmo valor em um mês com 31 dias, Silva gastaria, em média, R$ 500,00 mensais.  

“O caso da minha insulina é um problema com o Estado. Faço uso de insulina com processo judicializado, então, em momentos como este fico me perguntando como não há estoque de um medicamento de uso contínuo que sua falta pode causar problemas de saúde para os diabéticos? Como o Estado não tem previsão da compra de um remédio?”, questionou.

Com os preços nas alturas e a falta da insulina necessária na rede pública, Silva alega que nem todos os diabéticos têm condições financeiras para comprar o remédio.  

“Agradeço a Deus por estar conseguindo adquirir, mas pesa muito no orçamento. Além disso, fico pensando em quem não tem condições de comprar toda semana. É preocupante”, declarou.

Para os pacientes, Silva acrescentou que a SES alegou não haver expectativas de recebimento dos remédios. “Algumas pessoas esperam pela insulina desde abril”, evidenciou Silva.

Em resposta ao Correio do Estado, a Pasta informou que abriu licitação para compra de insulinas e que o prazo estipulado para análise dos documentos, que comprovam aptidão da empresa ganhadora, é de 60 dias.  

“O medicamento é de dispensação judicial. A licitação está em tramitação na fase de análise de documentos de habilitação e consultas das certidões da empresa apta a ser vencedora”, pontuou em nota. A secretaria ressaltou que cada caso é único e precisa ser analisado individualmente.

Um dos motivos da análise minuciosa é a apresentação completa dos documentos, ou seja, a comprovação de que o paciente está apto a receber o medicamento.  

De acordo com a Sesau, a insulina regular não está em falta no estoque da rede municipal de Campo Grande. Entretanto, há faltas pontuais por razões diversas, como indisponibilidade do produto, estagnação no processo de compra e não cumprimento do prazo de entrega.  

“Hoje, o estoque de medicamentos como um todo está 90% abastecido, e a secretaria tem ajuizado frequentes ações judiciais contra estas empresas, no intuito de garantir o abastecimento do medicamento e, consequentemente, evitar que haja uma descontinuidade no tratamento e na assistência da população”, frisou em nota.