Cidades

transtorno

Após 38 dias, reforma das pontes na MS-040 finalmente vai começar

As pontes tem apenas 12 anos de uso e correm risco de queda, segundo a AGEMS. A previsão é de que tráfego de caminhões seja retomado no começo de dezembro

Continue lendo...

Exatos 38 dias depois do veto ao tráfego de caminhões em duas pontes na MS-040, rodovia que liga Campo Grande a Santa Rita do Pardo, a concessionária Caminhos da Celulose finalmente promete dar início, na próxima segunda-feira (12) às obras definitivas de reforço estrutural nas duas pontes. A previsão é de que o tráfego volte à normalidade a partir de 30 de novembro.

A interdição parcial das pontes, anunciada no dia 4 de setembro, e a demora para dar início aos trabalhos de reparo já foram alvo de protesto de caminhoneiros e produtores rurais e o anúncio dos prazos para iniciar e concluir os trabalhos ocorreu nesta sexta-feira (9), após encontro entre o comando da concessionária e a presidência da Agência de Regulação (Agereg)

De acordo dom a Caminhos da Celulose, que assumiu a rodovia no dia 6 de fevereiro deste ano e pretende dar início à cobrança de pedágio na mesma data de 2027, a situação das pontes exigiu atenção extrema após a identificação de comprometimentos que vão além de uma necessidade rotineira de manutenção.

Após a análise inicial feita pela concessionária, foi necessário realizar uma inspeção especial nas duas estruturas, que apontou um cenário mais grave do que o inicialmente observado, com risco de colapso nas duas pontes, informou nota da empresa. 

Para preservar as pontes e garantir a segurança dos usuários, alega a concessionária, foram adotadas as restrições à circulação de veículos pesados foi feito reforçou a sinalização e os carros de passeio estão obedecendo ao sistema de pare-siga até a conclusão das obras.

As duas pontes têm um pouco mais de uma década de uso. A MS-040 foi oficialmente inaugurada no final de dezembro de 2014, no final da administração do então governador André Puccinelli. Seu secretário de obras era Edson Giroto. O primeiro foi eleito deputado estadual no último domingo (4), com 40.602 votos. Giroto, por sua vez, foi reprovado nas urnas, com 7.790 votos.

Além da fragilidade das pontes, boa parte do asfalto da rodovia também deixou muito a desejar. Menos de um ano depois um trecho de quase 100 quilômetros começou a desmanchar e até hoje exige serviços constantes de tapa-buracos. Normalmente, obras de pavimentação feitas dentro dos padrões técnicos exigidos começam a apresentar defeitos após dez anos de uso. Pontes, porém, são normalmente construídas para resistir durante décadas.

SÉRIO RISCO

"Identificamos o risco antecipadamente e agimos de imediato, adotando as medidas de segurança necessárias para evitar a interrupção completa da rodovia. Já iniciamos o processo de recuperação, com foco na segurança das pessoas e na agilidade dos serviços, para restabelecer as condições de tráfego no local o quanto antes", afirmo Luiz Fernando De Donno, presidente da Caminhos da Celulose nesta sexta-feira após a reunião na Agereg. 

A solução foi definida após levantamentos topográficos, sondagens, ensaios e análises técnicas realizadas por equipes especializadas. Até agora, apesar da interrupção do tráfego ter ocorrido no começo de setembro, foram feitos apenas os serviços preparatórios para a reforma, como a abertura dos acessos necessários à execução das obras. 

A equipe de engenharia da AGEMS (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul) também analisou as informações apresentadas pela concessionária, incluindo dados técnicos, registros fotográficos e avaliações das estruturas. A análise regulatória confirmou a necessidade de rever as condições estruturais das pontes e adotar medidas de reforço com urgência. 

“Quando uma inspeção aponta risco de uma ponte cair, a segurança precisa estar acima de qualquer outra consideração, até porque, quanto vale uma vida? Ela não tem preço. A AGEMS está acompanhando os dados técnicos e as medidas adotadas junto à concessionária para que o problema seja enfrentado com a urgência necessária. Nosso compromisso é com uma solução responsável, que preserve vidas e garanta condições seguras para o tráfego no futuro”,  afirmou o diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis.

Durante o período de restrição, caminhões e outros tipos de veículos pesados devem utilizar a BR-267 como rota alternativa. O tráfego de veículos leves permanece liberado nos quilômetros 205 e 223 da MS-040. 
Fase final e recuperação da estrutura 

No quilômetro 205, os trabalhos antecipam serviços estruturais previstos para uma etapa posterior. Já no quilômetro 223, a intervenção também precisou ser incorporada à solução, embora essa ponte não estivesse originalmente prevista no escopo contratual de obras da Caminhos da Celulose, em razão do planejamento de um contorno rodoviário em Santa Rita do Pardo.

O contorno está previsto para uma etapa posterior da concessão. A ponte, por sua vez, deverá passar à responsabilidade da prefeitura após a conclusão da estrutura viária prevista. Como essa solução não será implantada de imediato, tornou-se necessário atuar também na ponte existente, evitando que a situação permaneça sem resposta até a execução do contorno.

As obras serão realizadas simultaneamente nas duas pontes, com serviços de fundação e implantação de estruturas metálicas de reforço. A etapa inicial busca recuperar as condições necessárias para uma futura liberação do tráfego de cargas pesadas, enquanto os estudos de engenharia continuam para definir e executar as próximas fases de recuperação.

De acordo com a concessionária, existe a possibilidade de que uma das pontes tenha de ser completamente refeita. “A proposta é avançar para uma solução estrutural duradoura, que pode envolver reforço ou reconstrução, conforme os resultados dos estudos técnicos”.

Nesse primeiro momento, o projeto contempla o alargamento das pontes, com a implantação de espaço adicional para acostamento, ampliando a estrutura disponível e contribuindo para a circulação de veículos, explica a Caminhos da Celulose.
 

TEMPO

Em 9 dias, já choveu quase 70% do esperado para o mês na Capital

Cenário de muita precipitação também foi observado em setembro, quando Campo Grande teve acumulado três vezes superior ao esperado para o período

10/10/2026 08h30

Marcelo Victor / Correio do Estado

Continue Lendo...

Com três semanas ainda pela frente, as chuvas em Campo Grande já alcançaram quase 70% do esperado para o mês e, segundo especialistas, devem seguir a tendência observada em setembro, quando choveu mais que o triplo da média histórica mensal.

De acordo com dados do Laboratório de Ciências Atmosféricas do Instituto de Física (LCA/Infi) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Capital registrou cerca de 21,5 milímetros até o fim da tarde desta sexta-feira, acumulando 154 mm somente nos nove primeiros dias deste mês.

O volume de chuvas esperado para outubro é de 203 milímetros, ou seja, em menos de 10 dias, 68% da média histórica já foi alcançada na Capital.

O Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) já havia alertado no prognóstico da primavera, que começou no dia 22 de setembro, para uma estação marcada por episódios frequentes de chuva, especialmente neste mês e na região centro-sul do Estado.

“A primavera está entre os períodos do ano com maior frequência de tempestades severas em Mato Grosso do Sul, especialmente durante episódios de maior disponibilidade de calor e umidade e na presença de sistemas atmosféricos favoráveis à convecção. As precipitações tendem a se tornar mais regulares e frequentes, favorecendo o aumento da nebulosidade e contribuindo para a redução das temperaturas nos períodos de ocorrência de chuvas”, apontou o órgão.

No mês passado, que teve 20 dias de inverno e os restantes de primavera, Campo Grande registrou 220 mm de chuva, 184% a mais do que o esperado para setembro, que é de 77,6 mm.

Isso também ocorreu em outros municípios de Mato Grosso do Sul, como foi o caso de Corumbá, onde o acumulado de chuvas ficou 162% acima do esperado.

Ainda com 20 dias pela frente, este mês pode voltar a repetir tendência, segundo o meteorologista do LCA/Infi Diego Silva.

“Para Campo Grande, outubro ainda apresenta potencial para novos episódios de chuva significativa e pode terminar acima da média, mas ainda é cedo para afirmar a magnitude final desse excesso. Ainda faltam cerca de três semanas, e a chuva pode ser bastante irregular no espaço e no tempo”, disse.

Vale destacar que a atuação do El Niño está contribuindo para essas alternâncias entre altas temperaturas e fortes chuvas.

De acordo com o Cemtec-MS, o último trimestre deste ano vai ser o período em que o fenômeno mais vai influenciar no tempo, com temperaturas acima da média histórica, ondas de calor mais frequentes, tempestades mais intensas e ventos fortes.

PRÓXIMOS DIAS

A população de Campo Grande deve ficar atenta às condições do tempo nos próximos dias. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil emitiu alerta amarelo para tempestades, com possibilidade de chuvas intensas, rajadas de vento e queda de granizo. 

A classificação indica perigo potencial, o nível mais baixo na escala de alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O aviso começou às 9h desta sexta-feira e permanece válido até as 22h59min de terça-feira, abrangendo todo o fim de semana e o Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado na segunda-feira.

Para este sábado, o Inmet prevê a continuidade do tempo instável em Mato Grosso do Sul, com pancadas de chuva e trovoadas em diferentes regiões. Em Campo Grande, a máxima prevista pelo instituto é de 29°C, enquanto no domingo os termômetros devem alcançar 28°C.

Já na segunda-feira o Inmet aponta maior concentração de precipitações no sul do Estado, com possibilidade de chuvas isoladas nas demais regiões. 

ENTREVISTA

"A ASL contribui para o pensamento crítico local e para o intercâmbio educativo"

Ao encerrar nove anos à frente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, o escritor Henrique Alberto de Medeiros Filho detalha em entrevista o legado de modernização, a expansão nacional e o diálogo cultural que projetou a instituição para o futuro

10/10/2026 08h25

Henrique Alberto de Medeiros Filho - Escritor, publicitário e jornalista

Henrique Alberto de Medeiros Filho - Escritor, publicitário e jornalista Divulgação / ASL

Continue Lendo...

A trajetória recente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) é marcada por um dinamismo que aproximou a tradição acadêmica da sociedade e ampliou sua atuação cultural.

No centro desse processo está o escritor, publicitário e jornalista Henrique Alberto de Medeiros Filho, que encerra, no dia 30 deste mês, nove anos à frente da presidência da instituição, com uma gestão marcada pela modernização e projeção institucional.

Entre os marcos desse período, destaca-se a criação de pontes com grandes centros de pensamento do País, especialmente por meio do projeto ABL na ASL: Palestras Imortais, que viabilizou a presença de 17 dos 40 membros da Academia Brasileira de Letras (ABL) em Mato Grosso do Sul.

Sua gestão também realizou, em Campo Grande, o Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras, que reuniu representantes de 23 Academias Oficiais Federativas em Mato Grosso do Sul e consolidou o Fórum Brasileiro das Academias Estaduais de Letras, entidade nacional que Henrique também preside.

Para além das conferências, a gestão ampliou a multidisciplinaridade das tradicionais sessões dos Chás e Rodas Acadêmicas, com parcerias como Música Erudita e suas Fronteiras, com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e Arte na Academia, em aliança com a Confraria SociArtista, levando diferentes manifestações artísticas para dentro da ASL, promovendo a aproximação entre literatura, música e artes visuais.

No plano editorial e pedagógico, a consolidação dos Concursos Literários estaduais, a curadoria do Suplemento Cultural e o incentivo à formação leitora nas redes de ensino reforçaram a atuação cultural e educacional da ASL.

Nesta entrevista, Henrique de Medeiros faz um balanço dos resultados alcançados e reflete sobre os desafios da governança cultural contemporânea, o patrimônio imaterial do Estado e o legado de nove anos à frente da ASL, que honrou o seu passado e a projetou para o futuro.

Como avalia a evolução da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras desde a sua fundação até os dias atuais?

A Academia tem importância fundamental na história, sobretudo literária, da cultura sul-mato-grossense, por meio dos grandes nomes que a integraram e que representam exemplos de presença e reconhecimento no Estado, no Brasil e até internacionalmente.

Entre tantos saudosos imortais, temos Maria da Glória Sá Rosa, Abílio Leite de Barros, J. Barbosa Rodrigues, Paulo Coelho Machado, Hildebrando Campestrini, Nelly Martins, Elpídio Reis, Manoel de Barros, Wilson Barbosa Martins, Oliva Enciso, Hélio Serejo, Guimarães Rocha e Flora Egídio Thomé, apenas alguns exemplos da grandiosidade dos nomes que fizeram parte da história da ASL e de Mato Grosso do Sul.

A evolução da Academia se faz justamente pela participação de seus imortais, saudosos e atuais, na construção da identidade cultural do Estado e pelo papel que desempenharam, individual e coletivamente, ao longo dos 54 anos da ASL.

Antes de tudo, são eles que representam a nossa evolução e permanecem como referência para tantos projetos e para o futuro da Academia.

A sua gestão é reconhecida por trazer um olhar contemporâneo para a instituição. Ao assumir a presidência da ASL em 2017, quais foram as prioridades e objetivos que nortearam o seu plano de gestão?

O objetivo principal foi abrir as portas da Academia ao público e aproximá-lo cada vez mais daquilo que a ASL busca: o desenvolvimento do pensamento e a força da palavra como instrumentos de integração, crescimento e autocrítica.

A educação e a consciência, como partes da formação do ser, precisam muito do humanismo. É isso que encontramos na leitura, em suas múltiplas vertentes, entre fantasias, realidades e raciocínios, que permite a discussão de temas capazes de engrandecer as pessoas e influenciar a evolução da sociedade.

Esse sempre foi o objetivo: valorizar a palavra e o pensamento como instrumentos de avanço social, por meio de eventos e da difusão de ideias, com a Academia aberta à população e atividades sempre gratuitas.

Em nove anos, a ASL integrou literatura, artes visuais e música em sua programação. Qual a importância dessa interdisciplinaridade para o ecossistema cultural do Estado?

As iniciativas da ASL, tanto em suas atividades fixas tradicionais quanto nas que foram criadas pelas diretorias das três gestões que presidi, contaram com o envolvimento ativo dos acadêmicos que delas fizeram parte.

Não tenho como deixar de citar, entre os integrantes dessas Diretorias, Américo Calheiros, Elizabeth Fonseca, José Pedro Frazão, Marisa Serrano, Raquel Naveira, Oswaldo Barbosa, Rubenio Marcelo, Samuel Medeiros e Valmir Batista Corrêa.

Muitos outros acadêmicos participaram e buscaram demonstrar a convergência literocultural que representa a Academia, mas não tenho como citar todos.

Eu não teria como realizar esse trabalho sem essa contribuição, e minha proposta sempre foi trazer outras artes para nossas atividades, ampliando o diálogo da literatura com as diversas manifestações culturais.

Daí surgiram projetos com a participação da UFMS, o incentivo à música erudita e suas fronteiras e a inserção das artes visuais na ASL, por meio de projetos conjuntos com a Confraria SociArtista e de trabalhos independentes. A ASL é aberta à cultura como um todo e ao infinito significado das Belas Artes.

A ASL expandiu sua atuação para além da sede, participando de festivais, bienais e municípios, além de dialogar com outras instituições. Essa expansão fez parte de uma estratégia deliberada?

A ASL não pode ficar restrita à Capital. Precisa fazer parte do todo que é Mato Grosso do Sul, e isso também se busca por meio dos nomes representativos de seus acadêmicos, que estão presentes em diversas regiões do Estado.

E precisa sair do casulo: teve presença em eventos tanto no interior de Mato Grosso do Sul quanto em outros Estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Paraíba, Pará e Alagoas.

Essa presença também se projetou institucionalmente com a realização, em Campo Grande, do Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras, que reuniu representantes das academias oficiais de 23 unidades federativas, além da presença da Academia Brasileira de Letras.

O Congresso consolidou o Fórum Brasileiro das Academias Estaduais de Letras, que atualmente presido nacionalmente, representando a ASL, em posse realizada na Academia Brasileira de Letras.

A aproximação com a Academia Brasileira de Letras ganhou uma dimensão particularmente significativa, com o projeto ABL na ASL e a presença de diversos imortais em Campo Grande. O que a ASL pode oferecer ao cenário literário sul-mato-grossense?

O projeto surgiu de iniciativas da ASL e da proximidade entre as academias oficiais e a Academia Brasileira de Letras, o que facilitou um intercâmbio maior entre a ASL e a ABL.

Nessa área, tivemos a fundamental parceria com o governo do estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Setesc [Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura] e da FCMS [Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul], que já haviam apoiado a realização do Congresso Brasileiro das Academias em Campo Grande e acreditaram na importância cultural do projeto ABL na ASL, com a presença dos imortais em palestras aqui realizadas.

Tivemos nesse período 17 dos 40 acadêmicos da Academia Brasileira de Letras convivendo com representantes da educação e da cultura e com o público em geral, em eventos totalmente gratuitos promovidos pela nossa Academia, com palestras importantes e a abordagem de temas extremamente pertinentes ao pensamento acadêmico.

Isso representa uma contribuição significativa para o pensamento crítico local e para o intercâmbio educativo.

A ASL justamente faz isso: oferecer qualidade de pensamento.

Os concursos Ulysses Serra, de Contos, e Oliva Enciso, de Poesia, ganharam continuidade e visibilidade durante sua gestão, revelando novos autores. Como a ASL enxerga seu papel no incentivo à formação de novos escritores?

É de total importância para o incentivo à produção literária no Estado.

Também tivemos a parceria da Setesc e da FCMS, que confiaram nas ações difusoras de estímulo da ASL aos escritores radicados em Mato Grosso do Sul, por meio de seus tradicionais concursos, que abrem espaço a toda a classe envolvida na criação de textos.

Os Concursos de Contos e de Poesia revelam sempre novos escritores, aproximam a classe cultural e fomentam o pensamento artístico-literário. É uma forma da ASL estimular a produção e oferecer espaço para que novos autores possam mostrar seu trabalho.

O uso de ferramentas digitais – como a disponibilização on-line de suplementos, revistas e palestras – ampliou o acesso ao acervo da Academia. Por que essa preservação e difusão digital é estratégica para a ASL?

É a memória e a qualidade do nosso pensamento, disponibilizadas de forma totalmente gratuita à população, como patrimônio histórico da Academia e do Estado.

O Suplemento Cultural da ASL, que o jornal Correio do Estado publica semanalmente há cerca de 50 anos, de forma ininterrupta, numa ação que considero inédita no País, representa o acesso a uma verdadeira enciclopédia da literatura produzida em Mato Grosso do Sul, além de reunir relatos importantes sobre nossos costumes, nossa história e nossa identidade cultural.

Achamos importante demais disponibilizar esse acervo ao público, junto com nossas revistas, para consulta. Temos cerca de 15 anos de Suplementos disponíveis, nossas revistas e inúmeros vídeos de palestras em nossos canais no site, no YouTube e nas redes sociais.

Isso é importante como facilitador da formação de público e da atenção à literatura, ao pensamento e à preservação do arquivo.

O senhor chegou à presidência levando uma trajetória que reunia literatura, jornalismo, publicidade e participação histórica ativa na vida cultural de MS. De que maneira essas experiências profissionais e intelectuais influenciaram a sua forma de administrar uma instituição como a ASL?

Acredito que meus lados publicitário e jornalístico, que acompanharam o escritor e sua ligação com a cultura ao longo da vida, tiveram importância na visão dos projetos desenvolvidos e na filosofia que buscamos implantar.

O marketing é fundamental para a formação de imagem e para o estímulo de atitudes, e o que se buscou foi justamente isso: formar uma imagem da importância da literatura, da educação e da cultura; da relevância do desenvolvimento humano por meio da autocrítica e do pensamento; da contribuição para a autoestima da população; da preservação e valorização da memória; e da Academia como vitrine de exemplos de personalidades que aqui se imortalizaram e contribuíram para a sociedade.

Ao deixar a presidência no dia 30 deste mês, após nove anos, o senhor encerra um longo ciclo. Como essa convivência diária com a Academia transformou sua visão da literatura, da cultura e do papel da instituição?

Levo uma enorme alegria pela oportunidade que tive de representar os saudosos e atuais grandes nomes que ocuparam e ocupam a imortalidade na ASL, sua memória e seu presente.

Foi uma oportunidade de ajudar a manter e construir a história de alguns dos mais importantes nomes e símbolos do imaginário sul-mato-grossense e de compreender, ainda mais profundamente, o seu significado.

O mais importante, entretanto, foi poder contribuir para o que não só eu, mas todos os que estão na ASL desejam: a construção de um Estado digno de sua Cultura.

Henrique Alberto de Medeiros Filho - Escritor, publicitário e jornalistaHenrique Alberto de Medeiros Filho - Escritor, publicitário e jornalista
Foto: Divulgação

{Perfil}

Henrique de Medeiros

Escritor, publicitário e jornalista, é executivo de Comunicação, Marketing e Gestão Institucional com mais de 40 anos de sólida trajetória empresarial, liderando corporações, órgãos públicos e entidades de classe de relevância nacional. Atua nos setores público, político, privado e cultural.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).