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DENÚNCIA

Após plágio, candidato bolsonarista retira candidatura a reitor da UFMS

Programa de gestão era copiado de documento semelhante ao de chapa da Universidade Federal Fluminense (RJ)
10/07/2020 12:16 - Dênis Matos


 

O professor Augustin Malzac retirou a candidatura a reitor da UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - após denúncia de que seu programa de gestão continha plágio. O material era copiado de documento semelhante ao da Chapa Juntos Pela UFF, da Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro.

Conforme documento obtido na Comissão Eleitoral, 11% do conteúdo era plágio, copiado e colado sem alteração, da chapa da outra universidade. Questionada sobre a situação a chapa de Malzac, “UFMS para Tod@s”, começou a discutir o assunto com total constrangimento. O resultado da reunião foi a desistência de vários membros da campanha, por acreditarem ser imoral disputar a eleição “falando em fazer diferente, mas copiando proposta de outros”, advertiu um interlocutor da Chapa.

A candidata à vice de Malzac, Marta Nunes da Costa, enviou um texto para os colaboradores da campanha que foi repassado para vários grupos de professores e servidores. Ela dizia que ficou em choque quando percebeu que a equipe havia plagiado parte de uma seção da proposta.  “Representando a ética acima de tudo, o compromisso com a verdade e com as boas práticas da administração pública, de imediato, posicionei manifestando a minha saída da chapa. O professor Malzac entendeu que deveria acompanhar-me. O que começa mal está condenado”, justificou a professora.

“Foi uma tristeza perceber que entre aqueles de confiança o mais básico não foi respeitado. Que usemos da experiência como grande lição. Sou grata ao apoio de todos e podem contar sempre comigo na defesa incansável pela integridade, transparência e uma cultura ética. Sem ética nada somos”, finalizou Marta Nunes da Costa. Em seguida, uma nova mensagem começou a circular afirmando que a Chapa teria enviado um e-mail retirando a candidatura. Em poucas horas, o site de campanha foi retirado do ar, assim como algumas mídias sociais.

A denúncia partiu da Chapa “Todos Somos + UFMS” que tem como candidato o atual reitor Marcelo Turine e a vice-reitora Camila Ítavo. Há algum tempo os membros da chapa estavam com receio do crescimento da chapa de Malzac porque, apesar de pouco conhecido na UFMS, ele tem alguma relação com o presidente Jair Bolsonaro e muita amizade com militares influentes no governo federal.

Para se ter uma ideia da relação com os militares, Augustin Malzac é professor do Curso de Medicina da UFMS tendo feito uma das três especializações em Medicina Militar na Escola de Saúde do Exército, no Rio de Janeiro. Durante o Mestrado em Medicina na USP – Universidade de São Paulo – Malzac pesquisou a Morfometria do Canal Vertebral no segmento Cervical em Jovens Militares. Antes disso, entre 1979 e 1980, foi bolsista de um curso técnico do Ministério da Aeronáutica e concluiu o primeiro e segundo graus no Colégio Militar do Recife. Essas informações foram inseridas pelo professor em seu currículo Lattes.

A afinidade de Malzac em relação aos bolsonaristas não pegou bem junto aos professores dos cursos de Humanas da UFMS, considerado majoritariamente de esquerda. Por esse motivo, os apoiadores adotaram um discurso para agregar pessoas descontentes com a atual gestão da UFMS, repleta de ameaças aos servidores, alto índice de assédio e chantagem por parte de membros da atual reitoria. A argumentação da Chapa ganhou novos adeptos nos cursos de Engenharia, Medicina e outros da área da saúde.

Como qualquer nome da lista tríplice, composta pelos candidatos com maior votação na consulta pública, pode ter a indicação do presidente para assumir o cargo de reitor, a chapa de Turine começou a se preocupar com o crescimento de Malzac.

Na visão de um pró-reitor ligado à campanha de Turine, o atual reitor é considerado do “Centrão”, tem rezado a cartilha de Bolsonaro e ficou quieto quando houve o corte de recursos das universidades federais. Por isso, existem boas chances para ser indicado pelo presidente. Só que não imaginavam ter um Bolsonarista ganhando espaço dentro da UFMS. A campanha foi planejada tendo como adversários candidatos com simpatia pela esquerda, como o professor Lincoln Carlos Silva de Oliveira, da chapa “UFMS + Vozes”, e a professora Elizabeth Maria Azevedo Bilange, candidata à reitora pela chapa “Cultura, Ciência e Consciência”.

Outro avanço de Malzac que preocupou os apoiadores de Turine foi a adesão dos grupos conservadores da UFMS e dos professores considerados mais elitizados e simpatizantes de Jair Bolsonaro. A estratégia desse núcleo político articulado da UFMS, que atua com maior força no Hospital Universitário, era apoiar Malzac para ser reitor figurativo com apoio da Presidência da República, enquanto os membros do núcleo assumissem cargos estratégicos dentro da reitoria, pró-reitorias e conselhos, para comandar de fato a UFMS e atender aos desejos do grupo que não foi contemplado durante a gestão de Turine.

A força política de Augustin Malzac também tem relação com um ex-professor de Clínica Médica do curso, o deputado federal Luiz Ovando (PSL), apoiador incondicional de Bolsonaro. Embora nenhum político tenha assumido a candidatura de Malzac, todos sabem que a presença dele na lista tríplice reduziria as chances de Turine. Até porque, relata um pró-reitor, a coordenação de campanha de Turine imaginava a disputa contra duas chapas de oposição e de esquerda, além de uma ou duas chapas de centro ou direita, mas todas sem forças para conseguir influência na indicação presidencial.

A consulta para reitor da UFMS acontece no dia 17 de julho e vai escolher o gestor da universidade para o período de 2020 a 2024. 

 

Felpuda


Pré-candidato a prefeito de Campo Grande divulgou vídeo em que político conhecido Brasil afora anuncia apoio às suas pretensões. O problema é que o tal líder já andou sendo denunciado por mal feitos em sua trajetória, sem contar que o pai do dito-cujo teve de renunciar ao cargo de ministro por ter ligações nebulosas com empresa de agrotóxico. Depois do advento da internet, essa coisa de o povo ter memória curta hoje não passa de coisa “da era pré-histórica”.