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BIOMA

Área de refúgio dos animais vira novo foco de incêndio no Pantanal de MS

Queimada na Serra do Amolar voltou esta semana por falta de chuvas e raios constantes
06/11/2020 08:30 - Ana Karla Flores


A área da Serra do Amolar, no Pantanal, registra novos focos de incêndios esta semana, devido falta de chuvas significativas e muitos raios na região. 

O local foi um dos poucos preservados durante o período crítico de incêndios nos últimos dois meses e se tornou o único abrigo para animais que conseguiram sobreviver às queimadas.

De acordo com o analista ambiental do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), Alexandre Pereira, os novos incêndios iniciaram com raios que atingiram a região do Parque Nacional do Pantanal de Mato Grosso. 

No dia 31 de outubro o fogo atingiu a região da Serra Amolar, única preservada dos últimos incêndios e refúgio dos animais em Mato Grosso do Sul.

O analista relata que os incêndios não são tão intensos quanto os que ocorreram nos meses anteriores, mas que precisam ser combatidos rapidamente por serem áreas de refúgio dos animais. 

“Esse é um incêndio que preocupa muito porque os animais estão todos ali, a maior parte deles que conseguiram fugir do fogo se refugiaram ali. É muito importante a gente conseguir proteger e minimizar o mais rápido possível os impactos nesta região”, disse.

BRIGADISTAS

As últimas operações no Pantanal encerraram no dia 24 de outubro, quando todos os brigadistas de outros estados voltam para as bases, pois os incêndios já estavam contidos. 

Pereira ressaltou em entrevista para o Correio do Estado que não havia possibilidade de retorno de grandes queimadas, e o que pudesse surgir de incêndios a partir da data, o contingente local de Corumbá seria suficiente para atender as ocorrências.  

Com os novos focos, brigadistas de outras regiões foram chamados para atuar no local novamente. 

A área de incêndios conta com 17 pessoas do Ibama Prevfogo de Corumbá, cinco brigadistas do Instituto Homem Pantaneiro e 10 bombeiros militares de Corumbá, Aquidauana e Jardim para combater o fogo. 

Pereira explica que a Serra do Amolar é uma região de difícil acesso, o que dificulta as ações de prevenção. “É uma área difícil para acesso e deslocamento, é uma região montanhosa, a equipe tem que subir e descer”.

No Pantanal do Mato Grosso, região vizinha da Serra do Amolar, há brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) do Parque Nacional, brigadistas do Ibama Prevfogo e um helicóptero do Ibama.

Todos eles ajudam no combate nos dois estados, com deslocamento de pessoas e lançamento de água nas frentes de incêndio.

RAIOS

Pereira explica que uma parte dos incêndios foi causada por raios que atingiram a região no Mato Grosso e por focos remanescentes das queimadas anteriores. 

“Tudo isso somou com uma não ocorrência de chuvas, ou com pouco volume, nessa região norte do Pantanal sul-mato-grossense, que fez com que esses incêndios permanecessem ou até mesmo surgissem, como no caso do raio”, afirmou.

De acordo com a meteorologista, Franciane Rodrigues, em outubro choveu mais do que foi esperado em Corumbá, a estimativa era de 76,1 milímetros e o volume atingiu 120,8 mm. 

Rodrigues detalha que mesmo com alto volume de chuva, nos últimos dias de outubro foi verificado uma intensa atividade elétrica sem chuva.  

Segundo a meteorologista, isso ocorre porque para gerar um raio não é necessário a presença de chuva, apenas  nuvens de médio a grande porte. 

“Qualquer formação de nuvem que seja de médio porte possui atividade elétrica sem necessariamente chover. Isso ocorre porque dentro da nuvem há correntes ascendentes e descendentes, o qual as gotas acabam se atritando. Quando a nuvem está saturada de carga elétrica ela dispara”.