O mundo pertence aos fortes e aos corajosos. Quem desejar vencer não poderá duvidar de suas forças e de suas capacidades. Tudo apostará naquilo que queira realizar. Nessa luta, não haverá lugar para medrosos e para covardes. Pois na luta é exigida energia renovada a cada momento e a cada enfrentamento. Essa luta será alimentada pela audácia e pela convicção de ter abraçado uma causa nobre.
Tudo na vida é alimentado por algo que envolve a mente e os sentimentos, o amor e a doação. Infeliz de quem não tiver ideais nobres. Infeliz de quem se refugiar em seu comodismo, em sua mesquinhez e permanecer indiferente ou omisso diante dos apelos.
Na vida tudo é assim: de um lado os corajosos e do outro os covardes; de um lado os que lutam e do outro os que se acomodam; de um lado os que sonham grandezas e do outro os que lamentam derrotas; de um lado os que apostam em sua fé e do outro os que se fecham na indiferença; de um lado os que propagam o amor e do outro os que se perdem na frieza dos sentimentos.
E a vida continua tanto para bons quanto para maus; tanto para os que enfrentam quanto para os que fogem; tanto para os que celebram conquistas tanto para os que choram perdas. A escolha é pessoal. Seja ela qual for terá seu preço e terá sua recompensa. Tudo estará na dependência de convicções pessoais e de argumentos bem elaborados.
O Mestre dos mestres numa certa ocasião percebe que seus seguidores estão apreensivos com as declarações de que estaria chegando o fim de sua tarefa e de sua missão. Não queriam imaginá-lo e nem vê-lo perseguido e preso. Queriam vê-lo vencedor e poderoso.
Pura ilusão! A realidade será bem outra. Realmente, o Mestre estava para pagar com a própria vida a decisão tomada em favor dos pecadores e dos pobres. Era uma escolha sem volta. Era uma escolha que lhe exigia coragem e força de vontade.
Diante dessa desconfiança e descrença de alguns, o Mestre não se atemoriza. Mostra-se corajoso e forte. Mesmo porque a decisão já fora tomada. Irá enfrentar os chefes do povo, os doutores da lei e os sumos sacerdotes. Sabia a posição dessas autoridades. Iriam prendê-lo e matá-lo, colocando-o numa cruz.
Ele se põe decididamente a caminho. Vendo a insegurança de seus discípulos, diz com toda a clareza de sua voz: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la”. (Mt. 16, 24-25)
Ninguém é obrigado a segui-lo. Tudo é escolha pessoal. Porém, haverá exigências como: renunciar a qualquer ambição, a qualquer mordomia; tomar a cruz pessoal, comprometendo a própria vida para enfrentar a perseguição, a calúnia e a própria morte; e seguir pelo mesmo caminho do Mestre.
Seguirá esse caminho quem se dispor a acolher os fracos, amar os pecadores, curar os feridos e alimentar os famintos. Para esses, haverá a certeza de entrar na mesma glória conquistada por seu Mestre e guia.