No momento em que todas as atenções estão voltadas para o 2º turno das eleições, desenha-se um movimento, no mínimo preocupante, por parte da Prefeitura Municipal de Campo Grande e da Câmara de Vereadores. Notícias informam sobre a suposta necessidade de aumentos: IPTU e passagem de ônibus que, segundo especula-se, seriam inevitáveis.
Primeiramente, espanta que uma Câmara tão aguerrida para destituir o ex-prefeito legitimamente eleito, mostre-se agora tão cordata e seu presidente tão receptivo aos reclamos do Executivo, antevendo que será preciso uma elevação do IPTU superior a 15%. Usam como desculpa o congelamento, desconsiderando o tarifaço de Nelsinho Trad, em 2010; dizem que o erário municipal se encontra em dificuldades, etc.,etc. Chegam a justificar a manobra com a alegação de que é preciso cumprir obrigações trabalhistas, especialmente com os professores, como se elas tivessem surgido do acaso, algo imprevisto. Ao mesmo tempo, silenciam sobre a farra dos comissionados e dos contratos milionários.
Quanto ao preço das passagens, usam também o pretexto do congelamento e da gratuidade que seria de 27% do total de usuários do transporte público. Duas questões: nesta percentagem de gratuidade estaria sendo computado transbordo de passageiros? Como se chegou a esse número? Quem os fornece? Segundo: não há nenhuma outra alternativa além da majoração da tarifa?
Na composição do custo da passagem incide percentual destinado à Agetran – Agência Municipal de Transporte, a quem incumbe a gestão do sistema de transporte público, aliás ineficiente e ICMS sobre o diesel. Ora, se há essa “gordura” na composição da tarifa, por que o Sr. Prefeito e os Srs.
Vereadores não tentam construir uma solução política com o governo do Estado, visando reduzir impostos, ao invés de repassar para o usuário os custos do ajuste? Façam o que lhes é devido, pelo bem comum. Lembrem-se que o movimento de junho de 2013, com milhares de brasileiros nas ruas, teve como senha o aumento dos transportes coletivos na Grande São Paulo: ônibus, trens suburbanos e metrô.
Para quem não se submete a eles, fica dificílimo imaginar o que seja a saga de uma pessoa obrigada a utilizá-los. Não raro, são a expressão concreta do desrespeito, da pequena violência cotidiana praticada contra quem não dispõe de meios para viabilizar o transporte individual. Não bastasse isso tudo, e ainda querem cobrar mais por um serviço de qualidade insuficiente. ” Não dá mais pra segurar”.
Homens e mulheres trabalham, produzem, empreendem com vistas a atingir seus sonhos, realizarem seus desejos, mas eles se tornam sempre distantes, porque somos escorchados com uma carga tributária voraz, imposta para alimentar a máquina do estado, nas três esferas de governo, cada vez mais ineficiente. E por que não se busca a racionalidade na gestão de recursos? Porque cada vez que a grana encurta, é só lançar mão do expediente mais simples e eficaz: a elevação de taxas, tarifas e tributos. Isso precisa acabar.
Cidadãos e contribuintes, movimentem-se, organizem-se. Sociedade civil, mobilize-se. Fiscalizemos as discussões da Câmara de Vereadores e vejamos quem é quem, afinal, 2016 está aí. Que o Ministério Público Estadual também dê a sua força para evitarmos que, mais uma vez, como sempre, a população pague a conta.