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"Entre a gota e o oceano"

Sibélia Zanon - Jornalista pós-graduada em Jornalismo Literário, colaboradora do blog http://literaturadograal.blogspot.com.br.

Redação

22/11/2014 - 00h00

O cientista e matemático inglês Isaac Newton dizia: “O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano”. De fato, a ciência está sempre trazendo novas visões e descobertas e existe a expectativa de permanente desenvolvimento, numa tentativa constante de entender melhor a gota ou, quem sabe, de expandi-la.

A dificuldade em ver o conhecimento completo e finalizado,  traduzida pela imensidão do oceano de Newton, parece ser também  defendida por Marcelo Gleiser, que vê no conhecimento um mundo sem fronteiras. 

Querer, contudo, entender e explicar o mundo faz  parte da natureza humana, conforme comentou o cientista em  entrevista sobre o lançamento do livro “A ilha do conhecimento”: “É inevitável que como ser humano você nutra essa vontade de  aprender, de querer saber mais. E a ciência é um canal que tenta  fazer isso, ligada à relação do homem com a natureza e com o  universo todo. Isso não significa, de modo algum, que a ciência seja  antirreligião por definição. Muito pelo contrário. Existem muitos  cientistas que são pessoas muito religiosas. E eles dizem que quanto mais eles aprendem sobre o mundo, mais eles admiram a obra do  Deus deles.”

Com tamanha diversidade de pessoas e formas de ver a vida é  natural que as metodologias em busca das respostas possam diferir. 

Contudo uma visão não precisa excluir a outra, como bem disse  Gleiser. Além de que acreditar apenas no que os olhos veem pode ser  um perigo para a imaginação.

O escritor Abdruschin questiona: “Considere-se a gota d’água,  cuja incondicional pureza cada olho testemunha e que, observada  através dum microscópio, encerra milhares de seres vivos, que  dentro dela, sem piedade, lutam e se destroem. Não há, às vezes,  bacilos na água, no ar, que possuem força para destruir corpos  humanos, e que não são percebidos pelos olhos? Todavia se tornam  visíveis através de instrumentos aperfeiçoados.

Quem ousará ainda  depois disso afirmar que não encontrareis coisas novas até agora desconhecidas, tão logo aperfeiçoardes melhor tais instrumentos?”

Talvez William Shakespeare já tenha respondido essa questão  na frase eternizada pela boca de muitos: há mais coisas entre o céu e  a terra do que supõe a nossa vã filosofia. Sempre é tempo de se maravilhar com os mistérios de uma - nem tão simples - gota d’água.

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