Finalzinho de tarde, estou pedalando a 43 quilômetros por hora..., sem sair do lugar. É que estou em minha bicicleta ergométrica instalada na varanda do apartamento, fazendo minha quota diária de exercícios físicos, para tentar manter a “máquina” saudável e na vã esperança de perder alguns quilos de peso corporal. Além de pedalar, faço, em seguida, várias flexões de pernas e braços, para fortalecer esses membros. Meu médico me disse que a causa de existirem tantos idosos com dificuldades de locomoção é, na maioria dos casos, a falta de exercícios para as pernas.
Mas confesso que é preciso ter muita força de vontade para praticar exercício físico. Me esforço para manter a prática diária, mas, às vezes, a tentação de fazer uma pausa supera a intenção.
Além dos proclamados benefícios para a saúde, a prática desses exercícios me proporciona a contemplação de belas imagens. É que me situo no 19º andar do prédio e, da varanda, tenho uma bela visão de boa parte de nossa Capital, especialmente de suas regiões oeste, noroeste e sudoeste.
Na linha do horizonte vejo os aviões pousando e decolando em nosso aeroporto internacional, que, durante muito tempo foi denominado “Aeroporto Antônio João”, em homenagem ao herói do posto militar de Dourados, que tombou durante a invasão paraguaia de 1865. Mas o nome foi retirado pela Infraero, sob alegação de que os aeródromos sob sua administração não têm denominação.
Estranho, pois o de Guarulhos, em São Paulo, denomina-se “Governador André Franco Montoro”; o do Galeão, no Rio de Janeiro, é denominado “Tom Jobim”; o de Londrina, no Paraná, “Governador José Richa”; o de Porto Alegre é o “Salgado Filho”; em Várzea Grande/Cuiabá, tem-se o “Marechal Rondon”. Deixo de citar outros para não me alongar.
Vejo também o espetáculo da Natureza: o decantado pôr do sol da morena cidade, de encher os olhos; o verde de nossa bem arborizada capital e as muitas áreas ainda não edificadas, como o enclave do Exército na região da saída para Rochedo, onde se situam dois quartéis e o Colégio Militar; o voo de muitos pássaros e aves, à vezes chegando bem próximos de onde estou; são casais de araras, com suas belas penas coloridas, verdes, azuis ou vermelhas, em forte alarido; são os pássaros que pousam nas árvores das ruas e dos quintais próximos e se põem a emitir seus belos e afinados cantos; também surgem os exóticos e belos tucanos, com seus enormes bicos amarelos [“Tucano tem o bico grande/Só come fruta madura” (Papagaiada - Grupo Acaba)]; são também os feios urubus, voando de modo harmonioso, muitas vezes simplesmente planando nas correntes de ar, que sabem muito bem aproveitar.
Para quebrar essa harmonia, vejo também alguns acidentes de veículos na esquina próxima, uns mais outros menos graves, sempre causados por motoristas afoitos, que não respeitam a sinalização de trânsito e causam sofrimento ao próximo e a si mesmos, além de danos materiais. Ainda não tive a tristeza de ver um acidente fatal por ali, felizmente.
advogado e escritor
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