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Fábio Augusto:"Medo do invisível"

Fábio Augusto:"Medo do invisível"

Redação

24/01/2015 - 00h00

Entre as manifestações capazes de abalar nossas estruturas, o medo está no topo da lista, atingindo a todos de forma indistinta. 

Esse fantasma, tão real em nossas vidas, materializa-se quando a sombra do perigo iminente se aproxima. O corpo então, sem aviso prévio, reage produzindo hormônios e, alerta e estressado, prepara-se para o combate ou a fuga. A verdade é que esse sentimento funciona como um mecanismo de autopreservação, afastando ou nos preparando para situações que colocam a vida em risco, fazendo-nos medir as possíveis consequências dos atos. 

No entanto, desde a antiguidade, os seres humanos se sentem amedrontados também por tormentos imaginários, os quais possuem o incrível poder de deteriorar a capacidade de raciocínio e fazer adoecer. Como dizia Shakespeare, o horror visível tem menos poder sobre a alma do que o horror imaginado, motivo pelo qual a ansiedade, a fobia e o pânico nos roubam a paz. 

Cada vez mais criamos monstros em nossas cabeças, que corroem e atemorizam a alma ao nos depararmos com o que é desconhecido, inexplicável ou o que fantasiamos ser aterrorizante. Esses paralisam e limitam a capacidade de pensar e agir, construindo um muro imperceptível que limita as criaturas.

Medo da morte e de viver, do futuro, do abandono, da separação e da falibilidade humana. Sentimentos que se acentuam em fobias e que podem evoluir para o pânico, quando então o desespero e a sensação de impotência no enfrentamento de sofrimentos e perdas tomam uma proporção capaz de levar ao suicídio.

Nas crianças, imersas na fase da descoberta do mundo, o temor é quase palpável. Algumas têm medo do bicho no armário, de ficar sem os pais nos primeiros dias de aula, dos pais agressivos e violentos ou de tomar vacinas que previnem medos reais.
Já nos jovens, o medo se veste e reveste de outras cores. Medo de enfrentar os desafios de morar sozinho, de não ser aceito no grupo, de não encontrar um amor verdadeiro e de decidir sobre os rumos de sua vida profissional e afetiva. 

Nos adultos, a sombra do medo se estende à possibilidade de não conseguir pagar as contas do mês, de perder o emprego, de não ser um bom provedor para a sua família e de não saber educar bem os filhos. Enquanto nos idosos, há o medo de ficar doente, sozinho e desamparado, bem como o medo da morte para quem não acredita em mais nada depois dela.
Revirar a caixa dos medos e separar os reais dos imaginários é o maior desafio para todos nós. É preciso um esforço consciente para vencer a emoção doentia que nos aprisiona e faz trair princípios e valores. 
No entanto, infelizmente, libertar-se sozinho deles não é fácil e nem sempre possível. Para essas situações, uma alternativa é buscar a ajuda de terapeutas que sabem tratar e medicar com profissionalismo. Além disso, na minha experiência, dificilmente a emoção feroz consegue ser domesticada se o aspecto espiritual não for colocado como instrumento de equilíbrio e paz interior.

Em primeiro lugar, é indispensável ter humildade para assumir que somos imperfeitos, errantes num mundo em constante mutação. É necessário aceitar transformar o próprio pensar, sentir e agir, além de compreender que a maravilha de viver implica em desbravar novos horizontes, arriscando ser feliz.

Afinal, como diria o ator Charles Chaplin, a vida é maravilhosa quando não se tem medo dela.

O medo está e sempre estará presente de alguma forma em nossas vidas, mas cada pequeno triunfo sobre ele espanta para mais longe a dor que se esconde por trás do próprio temor. São a coragem, a fé e a esperança que nos permitem resistir e dominar esse sentimento, ou então, se não isso, suportar e conviver com a sua presença. 

Eu costumo dizer que o seu MEDO DE SOFRER não pode ser maior que a sua vontade de SONHAR, de REALIZAR, de AMAR... Afinal, entenda que Deus te fez para ser livre, vencer e ser feliz! 

*Médico, escritor, palestrante e compositor

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