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Venildo Trevizan: "Carnaval e Fraternidade"

Frei

Redação

14/02/2015 - 00h00

O Brasil está em festa. É carnaval. O povo esquece as dívidas, dá um drible nas tristezas, veste uma fantasia e cai na folia para dançar e pular. Mas a vida não é apenas festa, não é só carnaval. A vida precisa ter seus momentos de reflexão, de  revisão e de posicionamento.

Após o carnaval as igrejas cristãs se unem num mesmo espírito de oração, jejum e esmola. Esse é o tripé da Quaresma. E nesse período quaresmal é oferecido um tema de estudo e de aprofundamento relacionado com a realidade social do momento.

Nesse ano o tema será: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”. E o lema: “Eu vim para servir” (Mc.10,45). Esse tema tem por finalidade ajudar a enriquecer o relacionamento com Deus, com a comunidade e consigo mesmo. 

Estamos vivendo momentos difíceis no campo político, no campo econômico e também no campo religioso. Não está sendo fácil encontrar pessoas dispostas a assumirem tarefas de evangelizar o povo, de contribuir com as obras de misericórdia, de auxiliar os menos favorecidos e de realizar uma evangelização fundamentada na justiça e no amor.

A tendência é cada qual fechar as portas do coração e refugiar-se em seu comodismo, ou até em seu medo de arriscar o próprio nome e a própria dignidade. Mas alguém precisa fazer algo mais corajoso e mais vivenciado a partir da palavra de Deus. Caso contrário estaremos entrando num mundo egoísta: cada qual pensando tão somente em sua felicidade e em sua salvação. Não queremos compromisso com ninguém.

E a Campanha da Fraternidade está aí para nos alertar que somos uma sociedade de irmãos e não de estranhos. Não podemos continuar aceitando que os poderosos oprimam e explorem o povo. Temos que vestir a veste do Mestre que nos manda servir uns aos outros. “Quem quiser ser grande, faça-se servo de todos”. 

O desejo de Deus não é o mesmo desejo dos homens. A vontade de Deus não combina com a vontade humana. Os caminhos de Deus não são os caminhos humanos. Por isso há um desafio constante à inteligência humana. E o desafio consiste em descobrir um modo de entender aquilo que Deus quer de nós e o que nós poderemos fazer para celebrar a comunhão com ele.

Apesar de nossas inteligências desbravarem tantos mistérios da vida humana, ainda permanecem muitas incógnitas pelos caminhos a percorrer. As chagas do ódio e da intolerância causam dor e sofrimento aos corações inocentes.

A ganância do poder e do ter criam barreiras cada dia mais fortes entre os que possuem e os que desejariam possuir, entre os que dominam e os que anseiam por liberdade e alegria. É a crueldade das diferenças. É o martírio dos que não vislumbram mais possibilidades e esperanças.

Mas o exemplo do Mestre continua questionando nossas consciências : “Eu vim para servir e não para ser servido” (Mc.10,45). Com isso ele alerta a todos os homens de boa vontade a se unirem nessa tarefa de curar feridas, de escutar e consolar, de amar e salvar.

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