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ARTIGO

''O Brasil e a gestão com 'g' miúdo ''

Kuellyger Augusto Costa Ferreira - Acadêmico de Administração da UFMS de Três Lagoas. ([email protected]) Marçal Rogério Rizzo Economista e professor do curso de Administração da UFMS de Três Lagoas/MS. ([email protected])

Redação

30/03/2015 - 00h00

Estreamos o ano de 2015 com manifestações de brasileiros insatisfeitos com a gestão pública. Parcela da população saiu às ruas vestindo o verde e o amarelo, desejando mudanças e expressando suas indignações e inquietações com o modo de governar de boa parte de nossos políticos. Tais manifestações foram organizadas pelas redes sociais e, até o momento, não deram resultados satisfatórios.

Na realidade, o Brasil dos últimos anos já não funciona mais ou melhor, nada funciona e isso põe no centro da questão a gestão pública, digamos uma gestão com “g” miúdo vem sendo praticada. Aqui, a saúde; a educação; a segurança pública; o esporte e o lazer; a infraestrutura; os serviços públicos de maneira geral estão à beira do caos. Até a Petrobras,  que era tida como exemplo de boa gestão, está à beira do abismo. É de dar vergonha falar em administração pública no Brasil, principalmente aquela praticada por partidários de carteirinha.

Pode-se afirmar com clareza que o grande empecilho é a baixa qualidade do gestor, aliada a falta de visão; a carência de ética; a ausência de honestidade; de transparência e visão estratégica de médio e longo prazos. O negócio central da coisa pública deixou de ser o cidadão e a nação e passou a ser o partido e a permanência no poder. 

A lógica para o Brasil talvez seria que o número de cargos de confiança deveria ser próximo de zero para começarmos a dar voz e vez ao funcionário de carreira e, claro, qualificando-o e remunerando-o adequadamente. O nível superior ou técnico na área específica deveria ser um dos focos e requisitos na seleção do servidor público de carreira. Só assim teríamos uma administração pública forte, eficiente e eficaz.

O que não dá mais para tolerar são aqueles que “carregam as bandeiras nas eleições”, desprovidos de capacidade técnica para ocupar postos-chave na máquina pública. Assistimos a isso no Brasil desde as empresas públicas e Ministérios, aliás, quantos Ministérios e Secretarias Especiais que não servem pra nada, a não ser para acomodar incompetentes e bajuladores em detrimento da meritocracia e do respeito ao cidadão e ao dinheiro público. São verdadeiros cabides de cargos. Da forma como se encontra  o Brasil, não há possibilidade de atender minimamente a sociedade.

O Brasil encontra-se numa encruzilhada e necessita tomar o rumo certo agora. Nós, povo que vota e paga impostos, precisamos continuar nas ruas e na imprensa mostrando que estamos descontentes com tudo, absolutamente tudo, em resumo, que é como a gestão pública vem sendo tratada, em especial  nos últimos anos. Independentemente de partidos políticos, que, em muitos casos, parecem quadrilhas e/ou facções criminosas, o que se constata é que tudo está vergonhoso. Ao Brasil apetece uma Gestão Pública com “G” maiúsculo!

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