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Hermano Melo: "É preciso trazer de volta a 'Noite da Seresta'"

Jornalista e apresentador da "Noite da Seresta"

Redação

21/06/2015 - 00h00

Desde outubro do ano passado não acontece mais a “Noite da Seresta” em Campo Grande, MS. O último evento desse tipo ocorreu em 31 de outubro de 2014 e contou apenas com seresteiros da Casa, em razão do quiproquó criado pelo atual prefeito Gilmar Olarte, que resolveu criar em paralelo a “Quinta Gospel”, dedicada exclusivamente ao público evangélico da Capital e que seria custeada com dinheiro público.  

Mas, em 5 de novembro de 2014, o Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul recomendou a suspensão da “Quinta Gospel”, realizada pela Fundação de Cultura (Fundac) da Prefeitura de Campo Grande, porque, segundo o MPE, o evento viola o “Princípio de Laicidade”, por privilegiar apenas uma única religião, além de afrontar o “Princípio da Impessoalidade”, ao contemplar a religião praticada pelo prefeito, que, como se sabe, é pastor de Igreja Evangélica em Campo Grande, MS.  

O fato, porém, é que desde então nem a “Quinta Gospel” nem a “Noite da Seresta” persistiram no calendário do eventos da Cidade Morena. Em relação ao primeiro deles – a Quinta Gospel – é mais do que justo que ela não ocorra mais na Cidade Morena, em virtude dos problemas apontados pelo MPE. Não há justificativa em se criar um evento que beneficie um único segmento religioso e pago com dinheiro do povo. Isso parece que ficou bem estabelecido pelo Ministério Público.

Em relação à “Noite da Seresta”, porém, além de ser evento laico e relativamente barato, tornou-se, ao longo do tempo, atração e tradição em Campo Grande. Ela reúne, uma vez por mês, seresteiros da Capital e do interior do Estado, que cantam músicas de seus respectivos repertórios, e os demais os acompanham. Mas, além dos “Prata da Casa”, havia sempre uma atração nacional que enriquecia a noitada na concha acústica da Praça do Rádio Clube (foram inúmeros artistas que abrilhantaram a “Noite da Seresta”, tais como, Família Espíndola, Wanderley Cardoso, Demônios da Garoa, Cauby Peixoto, etc.). 

Além disso, a “Noite da Seresta” se encaixa como uma luva no perfil do público campo-grandense e sul-mato-grossense – especialmente os mais idosos – que, em geral, apreciam música caipira e sertaneja de bom gosto. Mas nem sempre! Numa das últimas serestas do ano passado, por exemplo, foi muito bom ouvir a Banda de Ontem, que não só tocou músicas antigas, mas viveu a música de ontem e os primeiros rocks dos anos 60 e o swing dos anos 70! Que tal recomeçar tudo isso, hein? 

Em resumo, é preciso lembrar ao senhor prefeito que o povo campo-grandense vem requerer que seja reaberta, com urgência, nova temporada da “Noite da Seresta” na Praça do Rádio Clube, em Campo Grande, MS. É quase certo que todos aqueles que pagam o IPTU religiosamente em dia autorizariam V.Sa. a descontar uma parcela mínima desse tributo municipal para reiniciar essa importante atividade cultural na Cidade Morena. E que, para o bem de todos, seja o mais breve possível!

 

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