O cidadão que precisa de serviços de saúde é o maior prejudicado com o impasse na renovação do contrato de prestação de serviços entre a prefeitura de Campo Grande e a Santa Casa, que já dura dois meses. A infindável disputa por recursos públicos da saúde já ultrapassou todos os limites do bom senso.
Enquanto prefeitura e governo, de um lado, e do outro, Associação Beneficente de Campo Grande - entidade mantenedora da Santa Casa - não chegam a um acordo, quem sofre as consequências deste impasse é o cidadão que depende do Sistema Único de Saúde (SUS) para ser atendido nos 564 leitos do hospital e em suas 93 unidades de tratamento intensivo.
A Santa Casa, desde abril, quando o contrato assinado no ano passado venceu, quer receber no mínimo R$ 20 milhões em recursos públicos. Dos quais em torno de R$ 14 milhões, repassados todos os meses pelo governo federal via SUS, estão garantidos. O impasse se mantém em torno da verba extra que o hospital pede à prefeitura de Campo Grande e ao governo do Estado, que oferecem, no máximo, R$ 3,5 milhões por mês, a mais. A Santa Casa quer no mínimo mais R$ 4 milhões.
Anteontem, conforme publicado pelo Correio do Estado, o secretário estadual de Saúde, Nelson Tavares, criticou o alto número de funcionários do hospital, aproximadamente 2.650, cujo gasto com salários compromete aproximadamente 80% da receita mensal. Segundo ele, seria possível manter o mesmo padrão de atendimento com uma quantidade menor de colaboradores.
Em meio às incontáveis reuniões em busca de um acordo definitivo, aumenta a pressão, sobretudo por parte do governo do Estado, pela abertura total das contas e contratos do hospital. A Santa Casa reluta.
Com os documentos que teve acesso, o governo do Estado chegou a conclusão que a verba extra de R$ 3,5 milhões oferecida ao hospital é mais que suficiente para manter o volume atual de serviço no local.
Durante as negociações, representantes da Santa Casa já chegaram a afirmar, nos bastidores, que a insistência da prefeitura e do governo em controlar as contas do hospital, seria uma espécie de intervenção informal. Faz só dois anos que a Associação Beneficente de Campo Grande retomou o controle do hospital, depois de permanecer quase oito anos sob intervenção da prefeitura de Campo Grande, gestora plena dos recursos do SUS.
Durante as negociações com o poder público, a Santa Casa sempre ameaça fechar leitos e reduzir atendimentos de pacientes da rede pública de saúde, mas também não demonstra nenhum interesse de sobreviver somente com os recursos provenientes dos convênios privados e atendimentos particulares, que representam uma parcela ínfima da receita do hospital, que tem o Sistema Único de Saúde como seu cliente principal e mais importante fonte de pacientes.
O que se espera nas próximas negociações entre hospital e representantes do poder público é uma solução definitiva. A população campo-grandense, que já vive sérios problemas nos postos de saúde, não pode esperar mais pela resolução deste impasse.