Hoje em dia, com rápida busca pela internet, é possível encontrar vasto material usado durante a disputa e, que hoje, podem causar embaraço aos que alçaram ao poder.
Candidatos eleitos sempre contam com a memória curta do eleitorado. Não é incomum a pessoa esquecer em quem votou para vereador na última eleição, que dirá, listar as promessas feitas durante campanha. Hoje em dia, com rápida busca pela internet, é possível encontrar vasto material usado durante a disputa e, que hoje, podem causar embaraço aos que alçaram ao poder, justamente, porque não conseguiram aliar o discurso à prática.
Por isso, é cada vez mais importante que o eleitor tenha consciência da importância e do poder que é voto.
Na edição de hoje do Correio do Estado, reportagem trata justamente de um dos temas da campanha do então candidato tucano, Reinaldo Azambuja.
O vídeo - disponível no Portal Correio do Estado - mostra trecho do programa eleitoral, em que o aumento de impostos é criticado, pois não teria o retorno esperado pelas gestões públicas.
O exemplo dado é que, a cada R$ 100 recolhidos pela administração do PT, R$ 5,00 retornam como benefício. Porém, o que se vê atualmente, é o governador eleito fazer aquilo que condenou anteriormente: o arrocho fiscal, com aprovação de pacote de aumento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre produtos considerados supérfluos.
A alta foi defendida com unhas e dentes até o último instante, considerada medida urgente e necessária para o equilíbrio das contas.
Mesmo sob forte oposição da população, foi votado e aprovado na Assembleia Legislativa. Ainda há mais uma batalha a ser travada, a elevação do imposto sobre herança, o ITCD, que pode ter majoração abaixo do pedido pelo governo estadual, mas, ainda assim, pode passar pelo aval dos deputados.
No material de campanha, segurança e saúde são citados como setores deficientes e que deveriam ter maiores investimentos. Depois de assumir a administração em Mato Grosso do Sul, a segurança, aliás, ainda é ponto nevrálgico, visto a fragilidade das fronteiras com Bolívia e Paraguai, com acesso praticamente livre de tráfico e contrabando.
Este ano, a lista de mortos na região de Ponta Porã também assusta, muitos casos, ligados à guerra do narcotráfico.
Nas cidades, o crescente índice de furtos, roubos e homicídios também é preocupante.
A redução do Imposto sobre Circulação de Mer cadorias e Serviços (ICMS) do óleo diesel, outra promessa da campanha de Azambuja, somente foi se concretizar em junho deste ano, depois de grande protesto dos caminhoneiros. Os profissionais bloqueram estradas em todo o Estado, reivindicando a queda da alíquota de 17% para 12%. Nem parecia que havia sido uma bandeiras levantada pelo tucano para conquistar o eleitorado.
É por isso que é preciso ter muito critério no programa de governo traçado e divulgado na campanha. Claro, sempre há diferença entre teoria e prática, porém, mudar completamente de rumo é indício de que as bases projetadas não são tão fortes e oscilam conforme os ventos dos interesses políticos. Os destroços do vendaval invariavelmente recaem sobre a já descrente população.