A violência e o poder sempre andaram de mãos dadas ao longo da história da humanidade. Não é preciso fazer muito esforço para lembrar dos casos mais bizarros, como a perseguição aos cristãos assassinados nas arenas nos primórdios do Cristianismo, os judeus confinados em campos de concentração, a escravidão dos negros que depois se transformou na intolerância e no racismo, presentes até hoje nas entranhas da sociedade. Hoje, ainda sem nos dar conta, a história se repete. Fanáticos religiosos usam o nome de Deus para aterrorizar, subjugar, manipular o poder em um território onde a desordem, o caos, a desigualdade e a pobreza prevalecem.
Os ataques terroristas do dia 13 de novembro, em Paris, suscitaram uma comoção mundial e uma reação imediata dos governos ocidentais. Sangue se combate com sangue. Será??? Outra pergunta que fica é até quando o problema da Síria, do Líbano, do Iraque ou do Irã será algo distante? Para os franceses, belgas - para os europeus, em geral - e norte-americanos o problema bateu à porta sem pedir licença. Infelizmente, muitas vezes, só nos damos conta de que o problema do outro também é nosso quando sentimos na pele a dor que até então era desconhecida. É assim com vítimas da violência que até então saiam de casa sem se preocupar se voltariam em segurança, com pessoas saudáveis que são acometidas pelo câncer ou outra doença impiedosa qualquer. O sofrimento nos torna solidários.
E o motivo disso tudo é que apesar de vivermos em um mundo globalizado, em que em qualquer parte temos Facebook, Iphone, Nike ou Mc’Donalds, cada vez mais vivemos numa redoma preocupados apenas com meia dúzia de pessoas e alguns números na conta bancária. Aí então nós perguntamos: você vai esperar o medo e a dor baterem à sua porta para se dar conta de que o problema do outro é tanto seu quanto nosso, não importa quão longe ele pareça estar? Já ouvimos que o que falta no mundo é humanidade e nunca isso nos pareceu fazer tanto sentido.
Deixamos aqui essa reflexão e uma frase de Martin Luther King: “O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos”.