A Operação Coffee Break são páginas e páginas baseadas em suposições, ilações e testemunhos sem apresentação de provas, apenas com “ouvi dizer”.
A Operação Lava Jato mostra resultados contundentes e a olhos vistos: desde que o caso veio à tona, políticos, ex-diretores da Petrobras e empresários - a maioria, empreiteiros - que se achavam acima da lei estão pagando alto preço pela ganância e descobriram que nem tudo pode ficar impune. Isso se deve à investigação criteriosa, fundamentada em provas e, posteriormente, em acordos de delação que se mostraram mais úteis do que apenas a condenação dos suspeitos. Infelizmente, não é o que se vê no exemplo em Campo Grande. A Operação Coffee Break mostrou-se, até agora, infrutífera e insípida, com maior evidência não nos suspeitos, mas, sim, na Procuradoria-Geral da Justiça e no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
A edição do Correio do Estado de quinta-feira trouxe, em primeira mão, a rixa entre o procurador-geral da PGJ, Humberto Brittes, e o promotor do Gaeco Marcos Alex. O primeiro, inconformado com a inconsistência do relatório final que investiga a compra de votos na cassação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal. O descontentamento foi expressado em conversa de WhatsApp. O segundo, em resposta, reagiu de forma intempestiva e insubordinada, esquecendo-se da hierarquia e do respeito mínimo. A resposta de baixo calão deve custar a Marcos Alex o cargo no Gaeco e, em consequência, os holofotes a que já estava se acostumando com este e outros casos que estavam sob sua responsabilidade.
De concreto deste relatório, provavelmente, somente o desfecho citado. O que se tem de informação até agora sobre a investigação do Gaeco parece mais “conversa de comadre”. A Operação Coffee Break são páginas e páginas baseadas em suposições, ilações e testemunhos sem apresentação de provas, apenas com “ouvi dizer”, que tentam incriminar sem comprovação. Há até a citação de um funcionário do Correio do Estado que teria feito contato com o vereador Flávio César. A pessoa citada nunca trabalhou na empresa. É por essas e outras questões mal-ajambradas que o trabalho será refeito, com novas diligências para que não se perca o objetivo, que é apurar a existência de esquema de compra de votos. Há conversas telefônicas que podem mostrar este caminho, mas são apenas indícios descobertos na Operação Lama Asfáltica, repassados à PGJ e que dão margem para continuidade da investigação. O material precisa de apuração acurada para não ser facilmente descartado nos argumentos dos advogados de defesa. Se a reunião de provas tivesse sido mais contundente, alguns dos investigados poderiam até apelar para a delação, ampliando o leque da apurações. Porém, até agora, nada de concreto.
A briga entre o procurador e o promotor e o resultado do relatório formam mais um capítulo do triste ano político para Campo Grande. A cidade patina desde a eleição de Bernal e todos os acontecimentos relacionados ao fato padecem do mesmo mal, como a Operação Coffee Break. Que a retomada das investigações coloque ponto final na investigação e, sendo necessário, sejam apontados culpados, fazendo-se justiça.