É o momento de refletirmos sobre a exequibilidade das propostas que nos serão apresentadas, além de avaliarmos a conduta e as ações daqueles que se candidatarem.
Impossível não falarmos de perspectivas e desafios no começo de um novo ano, ainda mais diante das dificuldades enfrentadas em 2015 com as crises política e econômica. Em todo o País, tivemos desemprego recorde, inflação alta e aumentos sucessivos de produtos de consumo básico, condições que impactaram todos os brasileiros. Mesmo assim, o contribuinte foi duramente castigado pelo aumento da carga tributária, saída encontrada pelos governantes para salvar o caixa. Em Campo Grande, a instabilidade política permanece e voltamos à estaca zero de diversos projetos em virtude da troca-troca de prefeitos. Infelizmente, esta nuvem negra continuará nos acompanhando durante boa parte deste novo ano.
Ingressamos em janeiro com a luta para quitar as contas. Só o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) aumentou 50% aos sul-mato-grossenses, contrariando a promessa do governador Reinaldo Azambuja, que não aumentaria a carga tributária. Os combustíveis também terão nova alta, especificamente o diesel, pois o governo também desistirá da redução da alíquota do ICMS de 17% para 12%. Outra meta da campanha eleitoral que será ignorada. Na Capital, além do pagamento do IPTU, precisamos conviver diariamente com o descaso, visível nas centenas de buracos nas ruas ou no precário atendimento de saúde.
Em ano eleitoral – para escolha de prefeitos e vereadores –, é o momento de refletirmos sobre a exequibilidade das propostas que nos serão apresentadas, além de avaliarmos a conduta e as ações daqueles que se candidatarem como representantes da população. O atual momento vivenciado nos mostra que é preciso tentar enxergar além dos discursos bonitos e analisar como as belas metas apresentadas serão executadas, bem como o impacto que cada cidadão sofrerá para que as ideias sejam tiradas do papel. Caso contrário, corremos o risco de sentirmos-nos vítimas de estelionato eleitoral.
A presidente Dilma Rousseff reconheceu, em artigo publicado ontem pela Folha de S. Paulo, que “foi um ano muito duro” – algo totalmente diferente do cenário positivo mostrado durante a campanha eleitoral. Os equívocos cometidos durante o primeiro mandato foram mascarados e as perspectivas negativas feitas por economistas eram refutadas. Tantas falhas recorrentes nos levaram a enfrentar a incerteza sobre o processo de impeachment, ainda em aberto. Há, ainda, as pesquisas de opinião que apontam os altos índices de reprovação. Também ingressamos em 2016 com indefinições quanto ao futuro do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Para piorar, em Campo Grande, temos o prefeito Alcides Bernal, que permanece no cargo por força de liminar.
Além dos problemas econômicos, os escândalos de corrupção – desvendados pela Operação Lava Jato – ensejam ao eleitor a necessidade de rever suas escolhas, as quais impactam diretamente no futuro de cada um. Novos capítulos, com novas revelações sobre pagamento de propina, certamente serão revelados. Por isso, o nevoeiro de 2015 continuará neste ano, e permanece a batalha para tentar dissipar tantos problemas.