Há três anos repete-se que 85% das verduras, frutas e legumes consumido em Mato Grosso do Sul vêm de fora, mas nada é feito para reverter esse índice
Além das ruas esburacadas, das estradas intransitáveis e pontes que caíram, as chuvas constantes neste mês de janeiro têm impactos revelantes na economia.
As perdas nas lavouras de soja chegam a R$ 468 milhões em Mato Grosso do Sul, mas podem ser ainda mais significativas, considerando que já há comprometimento de 56,7% do total de hectares plantados.
Hoje, o Correio do Estado mostra outro “peso” no bolso diante das intensas precipitações: aumento nos preços de frutas, verduras e legumes. Em tempos de crise e inflação alta, qualquer alta já provoca resultado devastador no orçamento familiar. Entretanto, neste caso específico, é preciso ir além da culpa em São Pedro.
Mato Grosso do Sul ainda é extremamente dependente da produção de outros estados e, consequentemente, sofre com os impactos das intempéries que ocorrem principalmente em São Paulo, além do Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
O preço chega “reajustado” pela instabilidade climática, mas também, pelo valor do transporte. É preciso contabilizar que, no ano passado, o óleo diesel sofreu sucessivas altas que refletiram nos valores do frete.
O Correio do Estado já divulgou, em edições anteriores, quanto o consumidor sul-mato-grossense paga a mais pelos produtos importados. O alface trazido de outras unidades da federação fica até 46% mais caro e o limão - produto com majoração mais acentuada neste mês - custa 37% mais.
É inaceitável que continuemos nessa dependência, por pura falta de incentivo e investimentos. Com a tecnologia disponível atualmente, fica difícil acreditarmos em desculpas acerca da instabilidade climática que possam impedir a produção local.
O fomento à agricultura familiar foi uma das promessas do Governo de Reinaldo Azambuja. Entretanto, a atual gestão ainda não colocou em prática muitas das ações que possam auxiliar o pequeno produtor e garantir que ele consiga gerar renda por meio de seu trabalho. Falava-se, inclusive, da necessidade de recuperar milhões de áreas degradadas no Estado, as quais seriam revertidas para produção de hortifrúti.
Em 2015, uma das únicas sinalizações de incentivos foi apoio ao projeto denominado “Hortifruti-legal”, o qual foi criado ainda no ano anterior pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
Parcerias são bem-vindas, mas é preciso muito mais para acabar com a vergonhosa sujeição a outros estados. Há três anos repete-se que 85% das verduras, frutas e legumes consumido em Mato Grosso do Sul vêm de fora, mas nada é feito para reverter esse índice. Todos têm muito a ganhar com o incentivo a produção local.
A começar pelo próprio agricultor que terá chances de aumentar sua renda, gerar emprego e oportunizar que os consumidores consigam comprar mais barato.
Equipes estiveram até mesmo em outros países para conhecer experiências de incentivo e tecnologia para fomento à agricultura familiar. É o momento de colocar em prática esse aprendizado.
Todos estamos sujeitos a prejuízos decorrentes das instabilidades climáticas, mas o preço pago pelos sul-mato-grossenses está sendo bem mais alto também por essa dependência injustificada.