Fêmea irracional, instinto maternal que acolhe, recolhe, protege no ventre, no ninho, na mata, na água, no lamaçal.
Ode à você, rimas pra quê?? Não se divide sua essência em rimas simétricas, seus argumentos suplantam réplicas.
Fêmea, espécie que teima, sonhos que extrapolam formas poéticas, fêmea ousada, rebate com tréplicas.
Fêmea original, impetuosa, fatal, abomina as normas, invade espaços, irreverência é o seu traço, atrapalha o compasso, enfeita -se, seduz, cultua sua feminilidade, incendeia o espelho material, no espelho da alma reside seu segredo, reflete sua arte final.
Fêmea contida, na penumbra da vida esconde desejos, adapta-se às possibilidades, camufla obscenidades, sente tesão, lubrifica os pensamentos, a imaginação, sonhos lhes são permitidos, almeja com o macho, na mesma afinação, desfrutar momentos bons.
Fêmea humana, recatada ou sacana, negra, índia, branca, no altar, no tanque e na cama, espreita, recua e avança, fortalece o homem, enlanguesce-o de prazer, procura o futuro que só ela mesma pode tecer, se ajeita com os sonhos que a vida lhe deu, renuncia a tudo para contemplar os entes seus.
Fêmea com fêmea se atraem pelo olhar, pelo amor, pela afinidade, pela libido, alma gêmea, instintos da vida, lealdade humana, respeito de gênero, eliminam convenções, afloram ímpetos destemidos, dispensam maridos.
Fêmea transexual, sua identidade de gênero oposta ao designado, lhe confere o direito humano de ser honrado, sua alma de mulher traduz o que você quer, sua sensualidade exacerbada vence qualquer parada e você se supera, mulher escancarada, a vida lhe deve respeito, mete a cara estufa o peito e segue a vida normal, o amor, a dor, a verdade é pra gente ousada , total.
Fêmea menina, conhece de flor, se rende aos impulsos, projeta o amor a seu tempo, o tempo de um dia qualquer, tornar-se fêmea mulher, vertigem e ilusão a levam supor que a mãe é uma deusa, que inspira a menina, que vê na mãe toda beleza, que constrói a certeza de um dia, em algum lugar, a mãe superar.
Fêmea normal, renomada ou anônima profissional, conduz a vida no ritual diário de possuir apenas um simples cenário, na ansiedade de provocar encantamentos, refém do habitual itinerário de ir e vir, com grandezas e simplicidades, digere certezas de que o silêncio necessário engasga,o grito contido dilacera e a expectativa vindoura é uma quimera.
Fêmea, mulher em seu amplo sentido, a vida lhe permite dor, entregas, amor. Fêmea que abre as pernas para iniciar a vida, que abre os braços e as mãos, asas da imaginação, que abre o peito para enfrentar o mundo, que abre o coração para a solidão do poeta, fêmea que é gente, que sacode a alma e que se completa.
Fêmea que comemora, que ri, que batalha, que chora, que sangra e não morre.Fêmea que muito ganha, fêmea que vive sem nada, fêmea com o pé cravado na estrada, convicta de sua chegada....
Fêmea, perceba, para além da ciência, somos a maioria, que o nosso dia seja mais que o marco secular das conquistas de direitos e liberdades civis, somos a força motriz do universo, em nossas bandeiras tremulam as letras dos nossos sonhos, as cicatrizes deixadas em nós e as lutas vindouras, nos fortalecerão e ao mundo diremos: nada tememos! Corajosas e eficazes propagaremos ao mundo: somos capazes, a felicidade é a nossa identidade!!