Artigos e Opinião

OPINIÃO

Ernesto Caruso: "Nero e "sua" Rosa"

Militar reformado

Redação

30/04/2016 - 01h00
Notícia sem imagem

A intimidade com que autoridades dos níveis mais elevados da República se referem aos ministros da Suprema Corte assusta e preocupa como se lá fosse uma oficina quebra-galho. 

O presidente informal, Lula da Silva, alerta que é o único capaz de incendiar o país e não o faz porque tem família. Nero se contentou com Roma. A lembrar que o o potencial incendiário em comício passado advertiu sobre a atuação do exército do Stédile e que no dia 18 de março, ao seu lado, o presidente da CUT, Vagner Freitas, discursa “nós vamos nos livrar do Moro”; o mesmo que em evento na presença da “presidenta”, dita “vamos nos entrincheirar e pegar em armas”. As ameaças se somam às proteções que insinuam ter naquela corte.

Dentre essas, Lula em conversa com o advogado Singmaringa Seixas afirma “E a nossa Rosa Weber? Quando é que ela vai decidir alguma coisa?” A ministra também é citada no telefonema entre Lula e Jaques Wagner (“negócio da Rosa Weber que tá na mão dela pra decidir”). Do adv. Roberto Teixeira ao Lula: “procure J. Wagner que o assunto é Rosa Weber”.

Quando da gravação feita pelo filho do Cerveró sobre as promessas do senador Delcídio Amaral, o qual se refere a vários ministros do STF como possíveis de entendimento e “salvação” do acusado, foi taxado por Lula de imbecil e idiota, ainda preso por decisão unânime da 2ª Turma do STF. Óbvio que os ministros não iriam aceitar tais ofensas. Prisão nele, mas a citação dos ministros ficou clara, embora o senador tenha sido bastante desqualificado por seus antigos pares.

Outra menção ao Supremo está presente na conversa por telefone entre o ministro Aloizio Mercadante e o assessor do Delcídio, Eduardo Marzagão: “... Também precisa conversar com o Lewandowski. Eu posso falar com ele pra ver se a gente encontra uma saída. Mas eu vou, eu vou falar como o ministro do Supremo também.”. Ou seja um ministro do governo Dilma diz que vai falar com o presidente da Suprema Corte para encontrar uma saída.

Delcídio ainda acrescenta: “a presidente costumava repetir que tinha cinco ministros no STF...”. O encontro não bem explicado em Portugal entre Dilma, Lewandowski e Eduardo Cardozo. Colhe-se de vários comentários que ministros citados têm tomado decisões contrárias aos interesses do governo, ao que se constata nas monocráticas. No pleno...

Lula diz que o Supremo está acovardado. Aí mora o perigo. O juiz Sérgio Moro tem sido criticado por colegas juízes e defendido por outros e extremamente conceituado pela sociedade que o vê como herói, destemido e valoroso, ao enfrentar os que se julgam poderosos e acima da lei.

Sem citar o nome do juiz Moro, o ministro Teori Zavascki em pronunciamento recente disse que os juízes têm de resolver conflitos e não criá-los, que “juiz não deve buscar holofotes, o poder judiciário tem que exercer seu papel, com prudência, com serenidade, com racionalidade, sem protagonismo, porque é isso que a sociedade espera de um juiz”. Parte da mídia entendeu como crítica. Acho que a sociedade não, embora possa ter sido essa a intenção do ministro.

O juiz Moro não busca holofotes, toma decisão, julga os acusados dos crimes do colarinho branco, gente da “pesada”, da grana no bolso, disposta a pagar muito para se livrar do xadrez. Tem coragem; não se pode dizer que está acovardado. Não dá entrevista; decide nos autos de forma clara. É prudente nas suas decisões a destacar o tratamento dado ao ex-presidente Lula, cuja condução coercitiva desagradou a alguns que não se manifestaram em mais de uma centena anterior. Demonstrou preocupação quanto às conseqüências dessa decisão, mas o fez com autoridade.

A serenidade está estampada no seu semblante mesmo diante de todos os dissabores gerados pelas partes envolvidas e das preocupações em especial com a segurança da sua família; ameaças à vista.
O juiz Moro tem sido elogiado sobremaneira pelos cuidados em respeitar a lei, as pessoas e os escalões superiores do Poder Judiciário. Reconhece perfeitamente onde está e cumpre o seu papel. Disciplina, civilidade e racionalidade estão no rol dos seus atributos.

Embora, tenha se destacado no campo do Judiciário, como foi o sempre lembrado presidente do STF, Joaquim Barbosa, não encarna o protagonismo juvenil, de aparecer e de auto-afirmação. Cumpre as suas obrigações sem destempero, sem agressões. Já somam mais de 750 magistrados que lhe rendem homenagem em nítida posição contra as duras, infundadas e repetidas críticas da “presidenta”.

A turma contra o impeachment repete à exaustão que a escuta do telefone da presidente foi ilegal, a omitir que foi autorizada sobre o investigado Lula e não a presidente que tem foro privilegiado.

O juiz Moro demonstrou estar a serviço do Estado e de forma republicana deu conhecimento à sociedade sobre o lixo que se quer colocar debaixo do tapete. O mau cheiro não está no ato de destampar o pote, vem do conteúdo.

Quantas rosas Lula/Dilma têm naquele supremo jardim?

 

artigos

Dia de Finados: o que o amor nos ensina a seguir

Para algumas pessoas, a data traz lembranças tranquilas, acompanhadas de gratidão, para outras, reacende uma dor que parece não diminuir com o passar dos anos

02/11/2026 07h30

Dia de Finados: o que o amor nos ensina a seguir

Dia de Finados: o que o amor nos ensina a seguir Arquivo

Continue Lendo...

artigos

Ciência e religião são incompatíveis?

Tratar ciência e religião como personagens rasos é ignorar a complexidade e a pluralidade de cada uma

02/11/2026 07h25

Ciência e religião são incompatíveis?

Ciência e religião são incompatíveis? Arquivo

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).