A fragilidade que acompanha o ser humano muitas vezes faz dele um ser terrivelmente limitado em suas iniciativas. Diante da grandeza e da sublimidade de uma idéia alguém poderá não conseguir alcançar o mínimo necessário para ser bem sucedido e feliz na vida. É alguém que sofre a solidão e a ausência da fé.
Falta aceitar e assumir a força e o poder do Espírito Santo de Deus. Abandona isso para se deixar influenciar pelo espírito do mal e do pecado. Permite que o mal sufoque o bem, que o ódio supere o amor e que a vingança supere o perdão.
Esquece que é criatura amada por Deus e convidada a ser anunciadora do bem e do amor, ser a construtora da justiça e da paz e ser testemunha das bênçãos de Deus. Para isso nasceu e foi revestida de dons especiais por aquele que é senhor da vida e da glória, da honra e da santidade. E confiou a cada um uma missão muito pessoal para o bem de toda a humanidade. Confiou-lhe dons, não como privilégios, mas como serviços.
Ao celebrar o Pentecostes a Igreja quer celebrar esses dons e essas forças do Espírito Santo em vista da santificação de cada um. Cada qual recebe dons para melhor servir os demais. Nada do que vem de Deus é em proveito pessoal, mas tudo a serviço do bem e da verdade como celebração viva da ação evangelizadora em favor dos mais fragilizados.
Engana-se quem pensa e pede dons para si. Os dons são como os frutos de uma árvore. Não são produzidos para o prazer da árvore, mas para alimentar a quem deles necessitar.
Assim são os dons do Espírito. Não são para a santificação pessoal, mas para mais e melhor servir a quem esteja a caminho da santidade. E nesse caminho estamos todos: uns auxiliando os outros no amor, no respeito, na solidariedade, no perdão e na comunhão.
Após a morte do Mestre os discípulos se recolheram numa casa trancada a sete chaves por medo de sofrerem o mesmo tipo de morte do seu Mestre e Guia. Somente quando vêem Jesus ressuscitado entre eles é que tudo muda. O que era tristeza se transformou em alegria. O que era medo se transformou em entusiasmo. Abrem as portas e saem testemunhando com toda a força da fé as mesmas mensagens e ensinamentos que o Mestre lhes havia transmitido.
O medo desapareceu e deu lugar ao amor incondicional à missão confiada a eles pelo Mestre no momento em que, soprando sobre eles o sopro da nova vida, os envia com o compromisso de renovar o mundo.
Diz a eles: “Recebam o Espírito Santo. Os pecados que perdoarem serão perdoados. Os pecados que não perdoarem serão retidos” (Jo. 20,22-23). Ao transmitir esse poder quis partilhar com eles a missão recebida do Pai. Missão difícil, mas confortadora. Pois perdoar os pecados é tarefa de quem acolhe a nova vida adquirida na ressurreição do Mestre.
É missão reservada a quem se deixou iluminar pela graça divina e alegremente se empenha a difundir a bondade e a misericórdia do próprio Senhor vivo entre eles. É vida nova. É alegria nova. É caminho novo. É olhar novo. Tudo novo. Pois tudo vem do Espírito.