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OPINIÃO

Ruben Figueiró: "E o amanhã? ..."

Ex-senador da República

Redação

15/02/2017 - 02h00
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Perguntou-me um arguto jornalista de nossa Capital: “ Como o senhor, com longa vivência na vida pública enxerga o cenário do País em 2018?”. Respondi-lhe de imediato: Do meu ângulo de visão é-me difícil prever, sobretudo quando se está sob nuvens negras e pesadas e com francos sinais de desabarem em tempestades que obumbram horizonte próximo. Que dirá do “distante próximo”, 2018.

A limpeza profunda que a Operação Lava-Jato realiza sob os aplausos da nação, é uma sequência lógica daquela, também saudada, do mensalão. Sua ação profilática não se concluirá com a anunciada delação comunitária dos então gestores da Odebrecht.

Dela, virão outras denúncias sobre importantes setores das esferas federais, estaduais e até municipais, talvez mais escabrosas. Se tais ações da Lava Jato concluírem até o ano eleitoral de 2018, evidentemente o eleitorado estará alertado para a escolha entre o joio que ainda viceja petulante e o trigo vigoroso pela renovação dos costumes políticos.

Pela outra face, entendo que as propostas hora em discussão – ressalte-se já aprovada aquela sobre o teto dos gastos públicos,que estanca a sangria de tantos abusos – colocadas à lume pelo governo do presidente Michel Temer como as reformas estruturantes da previdência, das relações do trabalho a fiscal e tributária, todas estiolam os princípios constitucionais da federação, eis que estão matando a pau as finanças dos estados e municípios.

A elas acrescento aquela que se refere ao exercício da política (hoje tão malsinada), ou seja sobre os partidos, o exercício do voto (substituição do voto legenda pelo distrital) são de urgência urgentíssima.

Se o Congresso Nacional, Senado e Câmara, superarem as afrontas contrárias oriundas daqueles que há muito se nutrem nas tetas generosas das finanças públicas, aprovando as saneadoras propostas, espero um horizonte claro e auspicioso para os brasileiros decidirem o destino de ordem e progresso para o país em 2018.

Então haverá ambiente para virar a página do desequilíbrio social, econômico e político, atualmente prenhe de maracutaias e se adentrar num novo período de estabilidade com os princípios democráticos preconizados pela nossa Carta Magna.

Não sou pessimista. Nunca o fui nas lutas públicas das quais participei. E assim continuo, mesmo nesta fase outonal da existência e de tantas recordações tonificadoras. Creio que o tempo abrirá, nuvens permanecerão no céu, mas céu de brigadeiro e não de cúmulos nimbos.

Usando o mote já tão popular, “nunca na história deste país” se clama das cidades aos mais longínquos grotões por um ano de 2018 que se espera seja um momento de renovação de valores éticos e morais com a presença na política de uma nova geração que não nos envergonhe.

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