Sem sombra de dúvida, o diálogo foi e continua sendo a grande ferramenta para a evolução humana.
E os outros seres vivos da terra, sabem dialogar? Particularmente acho que sim, cada um com seu som característico, já que palavras são afetos apenas aos humanos e ao pronunciá-las expressam vontade e desejo de uma determinada situação apenas.
No aspecto eminentemente biológico da vida, o diálogo acontece através da predação – não há espaço para o diverso, apenas após certa associação por cissiparidade.
No caso humano ocorre pelo distanciamento da simples predação e pela aproximação da associação para compartilhamento. Este é o mecanismo que tornou possível grande evolução da sociedade humana – reconhecer e agregar o diferente, o diverso mediado pela comunicação.
Na dimensão humana, associação e compartilhamento só acontecem por intermediação do diálogo. Quanto mais franco e honesto, mais certeza poderá ter.
O bom diálogo tem início nos afagos afetuosos da mãe e do pai também e depois continua na escola. O diálogo inconveniente nasce com os afagos ríspidos, geralmente em ambiente em que são negados lazer e cultura, restando-lhe apenas a sobrevivência do corpo biológico sem diálogo possível.
Esta ferramenta poderosa de compartilhamento e agregação do diverso tem sido limitada pela vaidade, que usualmente se alimenta de um individualismo insatisfeito que, por outro lado se nutre de objetos de diferentes cores, tamanhos, preços e formas, justamente àqueles que pensa ter domínio completo, diferente do diálogo onde nunca se tem domínio completo, a menos que seja intermediado pela franqueza, pois é ela que dá liberdade de uma escolha honesta.
Na história humana a liberdade sempre foi motivo para refazer o diálogo perdido, em razão de se atribuir o prestigio nas riquezas acumuladas e não no valor do diálogo compartilhado. Devemos reconhecer que qualquer ser humano se sentiria rejeitado com este tipo de foco.
A rejeição é o maior nutriente psicológico da agressividade, principalmente para os humanos que tem na sensação de pertencimento seu maior motivo para aferir como anda seu diálogo.
A violência, muito acentuada atualmente, não é apenas a expressão física de uma insatisfação qualquer, é principalmente a ausência do diálogo educado.
O papel das instituições é aperfeiçoar o diálogo como instrumento de agregação coletiva, combatendo individualismos acentuados.
Estamos pela quase ausência do bom diálogo e o consequente aumento da agressividade pessoal e violência social, menos prezando o profissional do diálogo – O PSICÓLOGO.
O fundamento do seu trabalho, através da psicoterapia, é tornar o diálogo uma espécie de soro antiofídico - o veneno (palavra) que mata pode se transformar em remédio. Talvez a maior razão desse menosprezo seja a provocação bem-intencionada para sair do comodismo que prende muitos humanos a uma realidade com diálogo comprometido apenas com seu ego pessoal.
Nossas festas de final de ano estão carregadas de simbolismos de gentileza e afeto, como que nos lembrando de que seu exercício deve ser referência para os outros dias de mais um ano.
O conteúdo do seu diálogo pode fazer você ir do céu ao inferno e vice–versa. Aprimorá-lo é, acima de tudo, uma demonstração de carinho e respeito pelo outro, pelo diverso. É uma grande arma civilizatória, não apenas muros e construções.
Sentar na calçada e jogar conversa fora com o vizinho é um belo exercício para ver as quantas anda a desempenho do seu diálogo.