Encontro-me na fase outonal da vida, cada vez mais distante do torvelinho de emoções que é a política. As informações que me chegam vêm da leitura ávida e atenta dos jornais de minha predileção – sadio hábito adquirido lá por volta do ano de 1939, pelas páginas do Estadão, apreciando os “quadrinhos” das aventuras do Tim e do Tom na África, e do nosso CORREIO DO ESTADO desde o seu primeiro número em fevereiro de 1955 – a audiência visualizada pelas telas de televisão com farto noticiário, diálogos com amigos e familiares, ou pelas ondas soltas e maquiavélicas, apimentadas, das quais é useira e vezeira da fofoqueira “Tia Candinha”.
Delas, vou retirando uma média que resulta em uma opinião nada animadora. A população brasileira encontra-se frustrada com os descaminhos da política atual.
A quem atribuir este desconforto do brasileiro com a política e seus obreiros, os políticos? Sinceramente, não é difícil responder: a culpa é do “Zé”, ou seja, de nós mesmos – os eleitores.
Acrescento, muito, muito mesmo, a culpa é oriunda dessa arcaica legislação eleitoral vigente, cujo fulcro está na instituição do voto proporcional, conhecido como de legenda partidária, de veneranda existência, de 1934. Por esse sistema, premia-se o partido, hoje desfigurado em sua doutrina e poleiro de ambições desvairadas, desrespeitador do sagrado voto do eleitor.
A ideia está no voto distrital, o puro de minha preferência, ou o que está prevalecendo, ou seja, o misto, com a junção dos dois modelos em que o eleitor vota por um candidato em eleição majoritária em seu distrito eleitoral e na legenda partidária de sua preferência em âmbito estadual, ou seja, por todos os distritos do estado.
Com respeito que sempre mereceu a opinião pública, a quem devo a premiação nas seis eleições das quais participei como candidato, ponderar que essa aversão corrente de hostilidade à política e aos políticos têm adquirido contornos de exagerada contundência.
Isso me faz lembrar um precioso pensamento do consagrado teatrólogo e sociólogo alemão, Bertolt Brecht: “Muito se clama da violência das águas, mas se esquecem da violência muito maior das margens que as comprimem”.
Por tudo que ocorre, e tem causado nosso lamento, de desacertos na ação dos administradores no uso abusivo de recursos públicos que geram a corrupção, levando ao último estágio a indignação popular decorrem dessa legislação eleitoral e partidária que abre espaço, que dá vida aos partidos mal-estruturados, sem doutrina e mercadores de ambições espúrias e que se espraiam e usufruem de um diluviano voto legenda nas eleições legislativas.
Muito mais perniciosa ainda as negociatas com o tempo de televisão e rádio que se estendem com as mamatas após a conquista ou a reconquista do Poder Executivo.
Posso, afinal, afirmar com convicção lastreada na longa caminhada percorrida, mais das vezes sobre pedregulhos, que a Política – claro, com P maiúsculo – é cultivada por uma expressiva parcela dos políticos de nosso País e há de ser a mais nobre das artes, jamais a mais vil das atividades humanas. Para mudar, o que é imprescindível mudar, o momento é em outubro próximo com o valor do nosso voto, todos juntos.