Um assunto que custa bilhões ao ano para o contribuinte.
Nada enrola mais o cotidiano das pessoas do que a burocracia. É uma algema de papel que prende as pessoas a um formalismo, geralmente de gestos, atitudes e muito papel.
No senso comum, a burocracia é vista geralmente sob uma ótica pejorativa. Quando se fala em burocracia, normalmente associa-se à ideia de grande acúmulo de papéis documentais e de procedimentos vistos quase sempre como desnecessários.
Na verdade, essa é a disfunção da burocracia, ou seja, um defeito no sistema burocrático, mas não é o sistema em si. No entanto, atualmente somos reféns dessa disfunção da burocracia. Na Teoria da Burocracia de Max Weber o conceito é completamente diverso.
A burocracia prima pela total eficiência da organização e, para que se alcance a eficiência, todos os detalhes formais devem ser vistos com antecedência, a fim de que não existam interferências pessoais que acabem por atrapalhar o processo.
Então, cabe a nós contribuintes questionar: onde está o problema dessa disfunção? Parece que hoje a burocracia atua mais como uma ferramenta para supervalorizar objetos e serviços.
Se na iniciativa privada a função da burocracia é aumentar valores, no Estado é aumentar o poder de controle sobre o cidadão e aumentar a importância do serviço prestado. Cursos de reciclagem, em sua maioria, destinam-se a aperfeiçoar a utilização da algema de papel, em que não há lugar para o óbvio e muito menos para a impaciência do contribuinte, mas para a aplicação mais eficiente das regras burocráticas.
Este tipo de protelamento, proposital ou disfarçado, pode até ser justificado em nome do zelo ao serviço prestado, no entanto, sabemos que é no caminho da burocracia que se criam as condições para o surgimento da corrupção, da morosidade excessiva, tendo como consequência o distanciamento da população e uma progressiva perda de credibilidade no serviço publico, em especial.
Um aspecto bastante evidente disso é o surgimento de serviços paralelos, como, por exemplo: Detran – autoescolas; SUS e hospitais – planos de saúde; Segurança pública – empresas de videomonitoramento, segurança privada, alarmes, etc.
Taxas e tributos só têm legitimidade quando retornam em forma de serviços públicos feitos com presteza e qualidade, mas parece que o Estado moderno se organiza em torno da burocracia, e não sobre o atendimento e a prestação de um bom serviço público.
Com a disfunção da burocracia, aumentou a prática de terceirização e parcerias público-privadas em nome da economia ou racionalização do serviço público.
Não vemos o preço de nada diminuir. Apenas pequenos grupos se enriquecerem mais à custa de serviços públicos e de um Estado deficitário e caro. Muito caro para o contribuinte. Então onde está o problema? Não sei. Só sei que daria para racionalizar (economizar) com o serviço público, contando a folha de pagamento, a previdência social do servidor e um serviço eficiente, em 45% do orçamento anual.
A praticidade e a objetividade do mundo pós-moderno contrastam com um modelo de Estado pesado, lento e muito caro ao contribuinte, quando se fala em reciprocidade democrática e custo ao contribuinte.
O Estado “burocrático” de Direito merece uma atenção maior neste ano de eleições para mandatos que têm a ver diretamente com o funcionamento do Estado.
Menos asfalto nas estrelas, mais segurança real à população e menos explicação e aumento de contingente; mais Viagra no ânimo do serviço público pode tornar os discursos de campanha mais honestos, pois o contribuinte virou um grande capitalista do seu suado dinheirinho destinado a coisas do Bem Público.
Por isso mesmo, queremos representantes discretos, solidários e debatedores, mas acima de tudo que respeitem a inteligência do contribuinte e o esforço que tem feito para continuar obediente e cumpridor de seus deveres, mesmo em detrimento do provérbio comum no exercício da política – “Faça o que eu digo, mas não faça o que você pensa”.
Se Max Weber estivesse vivo, ficaria apavorado com o fato de o Estado moderno estar se utilizando da burocracia para tiranizar e infernizar o cotidiano das pessoas, em vez de utilizar a primazia total da eficiência nas organizações.