E Deus assim falou: “Que exista a luz!”. E a luz começou a existir. E Deus separou a luz das trevas; à luz, Deus chamou dia; e às trevas, chamou noite. Houve uma tarde e uma manhã. Foi o primeiro dia” (Gen.1,3-5).
A partir dessa palavra de Deus, tudo passou a existir, crescer, desenvolver e a produzir. Compete agora à ciência descobrir e organizar a beleza e a grandeza dessas maravilhas que desafiam as inteligências mais desenvolvidas. Para os cristãos, é ponto pacífico que o universo seja obra do amor de Deus confiado ao ser humano a fim de que o administre e o cultive para o bem de toda a humanidade.
Foi a palavra de Deus que criou e deu vida a todos os seres e criaturas que povoam esse nosso universo. E a palavra tem esse poder. Tem o poder de promover a vida ou provocar a morte. Tem a força de gerar o amor, a alegria, a esperança e a paz. Tem também a força de provocar desavenças, discórdias, destruições e mortes.
A palavra é uma arma tanto para implantar e defender o bem como introduzir e fortalecer o mal. Ela estimula as pessoas a cultivarem a santidade e a perfeição, bem como seduzir e incentivar as pessoas para os vícios e os pecados.
A palavra constitui um enorme desafio em nosso relacionamento com os demais seres humanos. Pode servir de elo de entendimento e de união, como pode ser motivo de desentendimento e divisão. Pois não é nada fácil fazer-se compreender e respeitar. Cada qual possui ideias próprias, motivos pessoais e pensamentos elaborados por sua inteligência.
Essa dificuldade no relacionamento advém da maneira de cada um se expressar e se comunicar, pois cada qual possui conceitos muito pessoais e dificilmente consegue-se um consenso comum a todos. Cada qual é um e único. São mundos diferentes. São personalidades distintas. Cada qual alimenta projetos e sonhos muito pessoais.
O Mestre dos mestres revelou algo muito pessoal a seus seguidores. Viu que a pregação a respeito de seu plano não estava agradando e, com isso, alguns começaram a se afastar. Dirige-se aos discípulos mais próximos e pergunta: “Vocês também querem ir?”. Pedro entendeu a angústia do Mestre e respondeu: “A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna” (Jo.6,60 ).
Palavras de vida. Palavras que educam e transmitem sabedoria e santidade. Nada mais edificante e consolador do que, na hora de uma dor, ouvir uma palavra de consolo. Nada mais sagrado do que, na hora de um fracasso, ouvir uma palavra de ânimo e de esperança.
A palavra é um tesouro escondido nas mentes e nos corações de quem ama a vida. E ama a tal ponto e a tal profundidade, que sempre encontra maneiras de irradiar valores que iluminem as mentes conturbadas e os corações inquietos.
Essas pessoas são mensageiras perenes e permanentes do bem e da graça de Deus. Delas, precisamos aprender a colocar as capacidades a serviço do cultivo de palavras e de atitudes que edifiquem novas esperanças a quem se encontre perdido nas dúvidas e nos desânimos.