A minha geração assistiu a mudanças profundas com a democracia assumindo o protagonismo do cenário político nacional. Nos anos que se seguiram à entrada do atual comandante militar do Oeste, general de Exército Carvalho, piloto de combate, na Academia Militar das Agulhas Negras e à minha saída (1978) havia uma expectativa sobre o futuro dos militares no Brasil.
Na realidade das coisas, o governo do presidente Ernesto Geisel, simbolizado pelo foco estatal, preparou o cenário para estes últimos trinta anos. Os equívocos não reconhecidos não servem para nada. O presidente João Batista Figueiredo, excelente oficial da arma de cavalaria e tríplice coroado, não estava preparado para dialogar com interlocutores a propósito de assuntos de Estado.
Este é um breve inventário crítico da situação. Veio a democracia e, com ela, sobressaíram-se algumas lideranças populares, entre as quais, vale mencionar, Fernando Collor de Mello, Luiz Inácio Lula da Silva e agora o deputado federal Jair Bolsonaro. Para o bem e para o mal, parece que o professor da Universidade de Princeton Albert Hirshman, mestre de Fernando Henrique Cardoso, estava certo: “intelectual não chega ao poder com frequência”.
O exército, por sua vez, mudou tudo. Desenvolveu um novo eixo de poder militar interconectando os comandos e ajudando a manter a unidade nacional. Recuperou um fio histórico que vem de Guararapes, passa pela Lei da Anistia e chega até a intervenção federal na segurança do estado do Rio de Janeiro. Entre o propósito e a meta existe um espaço amplo de imprevisibilidade que o estado brasileiro não pode vencer senão com investimento no Ministério da Defesa.
Acredito que a história sempre ensina. Ao realizar tais mudanças, os militares não negligenciaram o interior do País. O Comando Militar do Oeste é um ponto importante de convergência dos mais elevados interesses nacionais.
Pessoalmente, como cidadão, me sinto feliz em assistir agora à chegada do general de Exército Paulo Humberto à chefia do Estado Maior do Exército e a posse do general de Exército Freitas no comando de operações terrestres. Ambos estão em Brasília. Tenho três outros camaradas generais de Exército ocupando os mais altos postos em todas as regiões do Brasil.
O desafio é mostrar que existe um caminho democrático capaz de superar nossas divisões internas. Todos esses generais sabem que o processo de globalização é irreversível. Trata-se de um movimento mundial para ganhar dinheiro à custa dos pobres, estando eles nas comunidades do Rio de Janeiro ou nas cidades periféricas da China. Para o presidente Trump, por exemplo, globalização significa juntar dois fabricantes de aviões norte-americanos para “tratorar” a indústria aeronáutica brasileira ou francesa.
O nosso Exército não existe para suprir as lacunas do aparelhamento de segurança pública e muito menos para corrigir nosso fracassado sistema de educação. Sua função é garantir a defesa de nossa soberania.