Uma boa escolha nunca anda sozinha. Sempre recebe influências importantes de dois fatores. O primeiro é se identificar com aquilo que vai escolher. O segundo funciona como uma espécie de espelho psicológico em que são projetados desejos e aspirações bem pessoais no objeto de escolha, como se fosse fazer parte da sua identidade. Além do mais, uma escolha pode ser consciente ou impulsiva, em que não entra o raciocínio, que é o ato de mensurar as consequências da escolha feita. Esses dois fatores recebem o nome, na teoria psicoterápica, de identificação e projeção. São mecanismos psíquicos utilizados fartamente na convivência, na maioria das vezes sem muita consciência disso.
Toda escolha é pessoal. As consequências, não.
Na psicologia, existe um ordenamento ético em que honestidade e autenticidade são irmãs siamesas do bom caráter humano, pois dão a dimensão do que a pessoa tem de real, não de ideal. Na idealização das coisas, além de se distanciar daquilo que é real, pelo menos no momento, há certa mistificação da realidade presente. Se você idealiza muito as coisas da vida, frustrações podem acumular até se tornarem insuportáveis.
Neste importante ano eleitoral, os mecanismos de escolha são torpedeados por certa mistificação da realidade, passando a impressão de que o futuro próximo guarda soluções antes impossíveis e sonhadas, já que o dom da palavra é destinado a seduzir, mas nem sempre acompanhado da reciprocidade do desejo da sedução. Aqui é bom destacar que não vale a máxima “a primeira impressão é a que fica”.
Por isso existe uma convicção, para os crédulos, é claro, de que os eleitores já superaram a fase da performance gestual e a retórica do discurso. Também muitos eleitores acham que a máquina pública não deve mais ser utilizada como trampolim, seja para a profissionalização politica como para outros saltos do egocentrismo vaidoso, que em nome da representatividade camufla um forte desejo de prosperidade social e muitas vezes financeira mesmo, e isso não tem nada de honestidade e autenticidade que as relações humanas tanto reclamam. Sendo assim, nós, eleitores, do lado de cá da trincheira, temos que fazer mais um esforço para, na penumbra da ética eleitoral de bastidor, enxergarmos o candidato real, de modo que, fugindo das mídias de persuasão de massas, encontremos nos nossos amigos confiáveis o cimento necessário para construir uma sociedade real e desconstruir uma sociedade idealizada por políticos apenas na retórica do embate eleitoral, evitando decepções desnecessárias por não saber distinguir um candidato real de um concebido no camarim do marketing.
Como disse Caetano Veloso “Deus Salve Jorge”, o nosso voto pesquisado e conversado ajudará a salvar Josés e Marias do nosso charmoso Mato Grosso do Sul e do ecomilionário Brasil.