Aquele que nunca sentiu medo não é corajoso. É um grande tolo. Sentir medo é algo inerente ao ser humano. É ele que nos impede de pular do décimo andar de um edifício. O medo faz parte do comportamento humano saudável. É imprescindível para proteger o homem dos perigos que o rodeiam.
É necessário, contudo, que haja equilíbrio. O medo deve vir em dose ideal. Deve ser apenas adequado à prevenção dos perigos iminentes. O medo em excesso neutraliza nossas forças e impede que alcancemos os nossos objetivos.
Por trás do medo excessivo, há sempre uma maneira inadequada de ver as coisas. É a imaginação que fala mais alto. Acreditamos erradamente que algo nos causa perigo e automaticamente damos início a um processo mental que ergue as nossas defesas internas.
A crença ilusória no perigo faz com que barreiras psicológicas de proteção sejam levantadas, e os mecanismos destinados à defesa, em vez de ajudar, passam a representar obstáculos a serem superados.
Utilizar a razão nem sempre funciona, pois parece que somos momentaneamente despojados de nossa inteligência ao sentirmos medo. Atribuímos irracionalmente a algo ou a alguém autoridade sobre o nosso ser. Ficamos temporariamente privados de nós mesmos e concedemos a um elemento externo o direito de nos assombrar. Perdemos o comando da situação e damos poderes àquilo que nos assombra. A razão pela qual temos medo de voar de avião ou do escuro nos escapa, justamente porque a nossa razão está paralisada pelo medo.
A paralisia impede que seja possível superar a situação de terror sem auxílio externo. É possível, no entanto, impedir que o medo se instaure. O primeiro passo para superá-lo é aceitá-lo. Somente quando se reconhece o sentimento é possível lutar contra ele.
O segundo é prestar atenção. O medo sempre vem antecedido da angústia. Ela é o strip-tease do horror. No momento em que ela surge, é a hora de agir e lembrar que o medo patológico é como se fosse uma lenda infantil. Só possui a força que a ela atribuímos. Quando deixamos de acreditar, o poder se esvai. Foi o que aconteceu com o lobo mau, a bruxa malvada e o bicho-papão de nossa infância. Hoje rimos de coisas que nos atemorizavam. É delas que devemos lembrar quando percebermos a “música” indicando que o strip-tease vai começar.