Excetuando-se os movimentos mundiais de polarização estratégica, de hegemonia geopolítica, da competição e dominação do mercado de consumo, da competitividade armamentista milenar entre nações bélicas e dos conflitos armados e crises humanitárias de segurança da atualidade em pelo menos dezessete países, levando ao surgimento de facções, grupos terroristas e revolucionários separatistas em guerras fratricidas.
Dessas políticas divergentes surge as perseguições de governos aos seus nacionais, promovendo migrações ideologicamente persecutórias, xenofobias por religiosidade e razões econômicas, ensejando a busca de asilo em países vizinhos mostrando como caminha a humanidade.
A polarização hoje latente se identifica pelo antagonismo entre grupos ideológicos divergentes, de um lado, pela social democracia, abrangendo os ambientalistas, o bem-estar social que se autodenominam “progressistas” ou de esquerda; do outro, defensores do neoliberalismo econômico, da propriedade, exaltando o estado mínimo, a meritocracia, o lucro e o mercado de consumo, reconhecidos como conservadores reacionários ou de direita.
Apesar das discrepâncias em toda história política do País, nunca se fez menção com tanta ênfase sobre polarização como recentemente, surgindo de um movimento capaz de pôr em risco a democracia, a credibilidade nos resultados eleitorais, culminado em um golpe parlamentar engendrado para contestar o governo de então sustentado e alimentado pela atual classe conservadora liberal e colocar em “xeque” ou dúvida a oposição, apesar do sucesso nos resultados produzidos em suas gestões anteriores.
Não podemos negar a existência de uma polarização, de modo artificial e forçado entre diversos segmentos sociais com diferentes interpretações sobre o quotidiano, principalmente quando incentivado pela mídia no afã de gerar notícias sensacionalistas envolvendo o desprezo e achincalhe de políticos, a “ineficácia” das políticas sociais, a tosca onda de moralidade, o sentimento de punições severas, a não aceitação das diversidades, espaços aos discursos de ódio, patrulhamento da livre expressão, opiniões sobre as restrições às liberdades sociais, a figura da meritocracia desenvolvida pelo “mercado” e a ideia da superioridade de raças e de grupos.
Em tempos de eleição e fake news, a maior delas surgiu com a ideia de que a polarização seria prejudicial à democracia, uma vez que restringia a competição política aos dois grupos antagônicos, e comparando os dois adversários como o mesmo “lado da moeda”, e para tanto seria providencial que existisse como forma de dissuasão a criação de uma terceira via, capaz de competir com os candidatos ditos representativos da opinião pública, mas de escolha dos grupos de tradicionalistas.
Os dois polos de fato representam e fazem parte da disputa democrática, em que prejuízo nenhum resultaria ao ambiente harmonioso e de convivência política se não fosse a tentativa da terceira via, em afirmar que tanto um como o outro dos líderes nas pesquisas se equivaleriam em suas atitudes, programas e experiências, sendo ambos os expoentes alvos de críticas em debates e propagandas.
Desde o início observamos dentro do senso crítico real que de um lado nunca existiu a exposição de um programa qualquer em toda administração, e sim a falta de propósitos, debates, a ausência de perspectivas substituídas por promessas, divulgadas em lives para um pequeno grupo de correligionários.
Do outro, no entanto, a intenção de resgatar a dignidade, o entusiasmo, a esperança, a democracia, a participação popular, a harmonia, longe do ódio dos ressentidos, portanto, não havia por que se falar de polaridade ou embate de extremos.
Sempre foram propostas diferentes, umas virtualmente histriônicas baseada em fakes, incentivando o nacionalismo segregacionista, privilegiando a propriedade e o lucro da classe economicamente aforada, os bordões copiados do integralismo de ultradireita e, em oposição, o real, com a proposta de continuidade de políticas públicas destinadas às camadas de menor renda da sociedade, reduzindo a desigualdade econômica, garantindo as conquistas sociais em respeito aos direitos fundamentais do cidadão.
Vimos que a terceira via proposta não surtiu o efeito planejado e a incapacidade de implodir a polarização, porque se trata de um processo natural na formação de grupos com opiniões divergentes, e sim resultou na continuidade, uma vez que os candidatos remanescentes aderiram diferentemente aos lados em oposição, isto é, deram causa a nova polarização.