Durante muito tempo eu acreditei que ensinar era apenas transmitir conhecimento. Para nós da educação isso era uma verdade. Você também deve ter sentido isso, “estudo muito, mas não aprendendo”. Vejo isso ainda hoje. O problema não é falta de inteligência ou dedicação.
O problema é que ainda estamos aprendendo a aprender. Voltei meu olhar para esse tema novamente quando li o que o CEO do Google’s DeepMind e vencedor do Prêmio Nobel de 2024, Demis Hassabis disse que a rápida mudança tecnológica exige uma nova abordagem para o aprendizado e o desenvolvimento de habilidades.
Ele ainda afirmou que a habilidade mais importante para a próxima geração será “aprender a aprender”. Eu concordo com Demis e acrescento, que essa habilidade vale já para esta geração. Para nós.
Mas como fazer isso, Neca? Primeiro, eu creio firmemente que a sala de aula deve caminhar para esse rumo. Ensinar o aluno a aprender. Melhor ainda, a gostar de aprender.
Para isso os professores devem ser “mediadores do conhecimento, designers de experiências de aprendizagem, mentores de desenvolvimento pessoal e facilitadores de projetos. Isso exige investimentos maciços em formação inicial e continuada”, cintando os mestres professores Pedro Chaves e Ronaldo Mota.
Para nós, no dia a dia, fora do ambiente acadêmico, penso em algumas estratégias. A primeira delas é conhecer seu estilo de aprendizagem, o básico mesmo: alguns precisam desenhar, outros preferem explicar em voz alta. Então, como você aprende melhor? A resposta orienta toda a estratégia.
Outra possibilidade é usar o que chamamos de perguntas poderosas. Explico, em vez de perguntar “O que eu tenho que decorar?” refaça o questionamento com outras indagações: por que isso é importante? Como posso usar isso na vida real? Com que isso se conecta?
O conhecimento deve ter aplicabilidade. O cérebro não guarda informações isoladas, ele cria redes. A Metacognição, pensar sobre como você pensa, ajuda na conexão de conteúdos, ideias, soluções. E o processo pode e deve ser coletivo, a aprendizagem em grupo fortalece o aprendizado.
Cada pessoa tem um potencial único de como aprender. Nosso papel como educadores é ajudar neste caminho. Instituições de ensino atuais devem buscar se aprimorar almejando esse final. Ensinar os nossos estudantes a amarem aprender a aprender.