O que torna um Programa de Integridade efetivo é a capacidade de ser compreendido, vivido e aplicado pelas pessoas que fazem a instituição funcionar. Isso exige, principalmente no primeiro momento, um modelo “pé no chão”: simples, inteligível, conectado à realidade e sustentado pela presença, escuta e ajuda do diretor de integridade.
A primeira premissa é o foco nas pessoas. Nenhum programa sobrevive se não dialogar com quem executa as rotinas, lida com os dilemas diários e carrega, na prática, o peso das decisões.
A integridade se aprende pela convivência, pela participação, pela observação do exemplo e pela clareza do propósito. Não há código que substitua o aprendizado que nasce de uma liderança próxima e comprometida.
A segunda premissa é a simplicidade. Políticas de integridade precisam ser fáceis de entender e de aplicar. Documentos excessivamente técnicos ou procedimentos distantes da rotina real geram o efeito oposto: afastam as pessoas e tornam o programa irrelevante.
A simplicidade é um exercício de empatia, pois exige que o gestor veja o programa pelos olhos de quem precisa cumpri-lo.
A terceira é a transversalidade. Um programa efetivo não se isola na Controladoria-Geral. Ele depende de coordenação entre áreas que lidam com pessoas, processos e comunicação. É nessa interação que a integridade deixa de ser conceito e se torna cultura.
Quando os fluxos se unem – do ingresso de servidores à gestão de riscos, da comunicação interna à capacitação –, o programa ganha força e sentido.
Por fim, há a humildade institucional. Implementar integridade é um processo de aprendizado contínuo. Exige reconhecer que nenhum órgão domina sozinho todos os elementos dessa construção.
A cooperação intersetorial é, portanto, não apenas recomendável, mas necessária.
A experiência mostra que resultados concretos surgem quando as áreas técnicas e de gestão se aproximam, compartilham diagnósticos e constroem soluções em conjunto.
Nessa dinâmica, o diretor de integridade assume um papel essencialmente facilitador. É ele quem “pega na mão” dos setores, ajuda a traduzir princípios em práticas e garante que cada área enxergue sua responsabilidade no sistema.
Mais do que cobrar, ele viabiliza; mais do que impor, orienta. A sua autoridade vem da capacidade de conectar pessoas, não de centralizar poder.
Um programa de integridade “pé no chão” é, portanto, aquele que reconhece a realidade antes de tentar transformá-la. Ele avança com o que é possível, comunica com clareza, respeita o ritmo institucional e constrói confiança a partir de pequenas entregas consistentes e dialogadas.
Vale refletir: o seu programa tem sido conduzido sob essas premissas?
Se ainda não há resultados concretos, é hora de dar um passo atrás, revisar caminhos e redefinir prioridades.
Porque a integridade, em qualquer esfera, não se impõe: se constrói, passo a passo, com escuta, presença e ajuda.