Artigos e Opinião

Editorial

Oxigenação necessária

A renovação ocorrida na Fecomércio-MS deve ser vista como símbolo de um princípio importante para qualquer instituição: a necessidade permanente de oxigenação

A democracia se fortalece justamente na alternância. A renovação periódica de lideranças ajuda a oxigenar instituições, amplia o debate de ideias e impede que estruturas importantes da sociedade se tornem excessivamente personalistas.

O princípio vale para governos, parlamentos e tribunais, mas também deveria ser encarado como algo saudável dentro de entidades representativas da sociedade civil organizada.

Nesta edição mostramos uma mudança histórica na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul (Fecomércio-MS). Pela primeira vez em mais de três décadas, a entidade terá um novo presidente.

A disputa foi apertada, decidida pelo placar de 8 a 7 votos, o que revela não apenas o equilíbrio interno, mas também o tamanho da disputa em torno dos rumos da federação.

A mudança tem peso justamente porque a Fecomércio-MS não é uma entidade qualquer. Sob seu guarda-chuva estão instituições de enorme alcance social, econômico e educacional, como o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). São estruturas que oferecem serviços fundamentais para milhares de pessoas em Mato Grosso do Sul.

Academias, restaurantes populares, assistência médica e odontológica, cursos de idiomas, formação profissional e programas de aprendizagem fazem parte da rotina de atendimento dessas instituições.

Ao longo dos anos, Sesc e Senac consolidaram serviços reconhecidos pela qualidade e pela capacidade de alcance social.

Justamente por isso, a mudança no comando da federação ganha relevância. Afinal, como imaginar que uma mesma pessoa permaneça à frente de uma entidade representativa por mais de 30 anos sem que isso provoque algum grau de desgaste institucional?

Ainda que existam méritos administrativos e resultados positivos, a permanência excessivamente longa de lideranças tende a reduzir a pluralidade interna e dificultar processos naturais de renovação.

A alternância não deve ser encarada como ruptura traumática. Pelo contrário. Instituições sólidas são justamente aquelas capazes de passar por mudanças preservando sua estabilidade e sua capacidade de funcionamento.

Renovar não significa destruir o que foi construído, mas criar condições para novas ideias, novos métodos de gestão e maior sintonia com as transformações da sociedade.

A Fecomércio-MS chega agora a uma oportunidade importante de reposicionamento institucional.

O resultado apertado da eleição demonstra que a entidade abriga diferentes visões internas e que será necessário construir diálogo, equilíbrio e capacidade de união nos próximos anos.

Também se espera que a federação esteja mais conectada com as demandas atuais da sociedade e do setor produtivo.

O comércio mudou, o mercado de trabalho mudou e o perfil dos consumidores também mudou. As instituições representativas precisam acompanhar essas transformações para permanecerem relevantes.    

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