Artigos e Opinião

EDITORIAL

Malha Oeste não pode esperar mais

Mato Grosso do Sul convive há uma década com uma Malha Oeste inoperante, período longo demais para um estado cuja economia passou por uma profunda transformação

A história da relicitação da Malha Oeste se transformou em um retrato da lentidão brasileira quando o assunto é infraestrutura. O que deveria ser um processo destinado a devolver competitividade à ferrovia se converteu em uma sucessão de obstáculos burocráticos, revisões, questionamentos e adiamentos.

Agora, quando se esperava um avanço rumo ao leilão, surge mais um entrave: passivos relacionados ao licenciamento ambiental, alguns deles antigos, identificados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O resultado é mais um atraso para uma ferrovia que já esperou demais.

Não se trata de desmerecer a importância do controle exercido pelos órgãos de fiscalização: o cumprimento da legislação ambiental é indispensável e deve fazer parte de qualquer projeto de infraestrutura.

O problema é que questões que poderiam ter sido resolvidas ao longo dos anos acabam ressurgindo justamente na reta decisiva do processo, impondo novos cronogramas e empurrando indefinidamente uma solução aguardada há décadas.

É oportuno recordar que a licitação já havia permanecido praticamente um ano parada no TCU em 2025. Na ocasião, o calendário precisou ser revisto enquanto análises e ajustes eram realizados.

Agora, novamente, o processo perde velocidade. A impressão transmitida é a de que sempre existe um novo obstáculo a ser superado, sem que a população e o setor produtivo consigam enxergar uma data concreta para a retomada da ferrovia.

Enquanto isso, Mato Grosso do Sul aproxima-se de uma década convivendo com uma Malha Oeste praticamente inoperante, período longo demais para um estado cuja economia passou por uma profunda transformação, impulsionada pelo crescimento da mineração, pela expansão da indústria de celulose, pelo agronegócio e pelo aumento da movimentação de combustíveis e outras cargas.

A demanda pelo transporte ferroviário existe, cresce ano após ano e continuará aumentando na próxima década.

A consequência dessa demora é conhecida. Produtos seguem sendo transportados predominantemente por rodovias, elevando custos logísticos, aumentando o desgaste das estradas, ampliando o consumo de combustíveis e reduzindo a competitividade das empresas brasileiras.

Em um mercado internacional cada vez mais disputado, logística eficiente deixou de ser diferencial para se tornar requisito básico.

A importância da Malha Oeste, entretanto, vai além das fronteiras sul-mato-grossenses. Sua recuperação interessa ao Brasil, porque representa uma alternativa estratégica para integrar o Centro-Oeste aos principais corredores de exportação e, no futuro, conectar-se aos projetos de integração continental.

O potencial para se consolidar como parte de uma ferrovia bioceânica torna essa infraestrutura ainda mais relevante para a inserção do País no comércio internacional.

É preciso, portanto, que governo federal, agências reguladoras, órgãos ambientais e instituições de controle atuem de forma coordenada para eliminar os entraves remanescentes, sem abrir mão da segurança jurídica e da responsabilidade ambiental. O que não pode continuar é a sucessão de adiamentos.

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