Artigos e Opinião

ARTIGOS

O que significa a expressão "toda política é local"?

Continue lendo...

A política nacional costuma mobilizar a atenção dos brasileiros em geral. Afinal, desde Getúlio Vargas, há quase um século, as regras constitucionais deram à União muito mais poder relativamente do que aos entes federativos. Mas não é só no Brasil que a expressão “toda a política é local” é um princípio fundamental na Ciência Política. Afinal, na prática política, ela reflete a ideia de que as questões políticas e as decisões políticas são, em última instância, influenciadas e moldadas por considerações locais e regionais.

A obra “All Politics Is Local: And Other Rules of the Game”, escrita por Tip O’Neill, que presidiu a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos entre 1977 a 1987, é clara na mensagem de que, independentemente das questões nacionais ou globais em jogo, os políticos têm uma responsabilidade fundamental de representar os interesses de suas comunidades locais. Isso significa que, para ter sucesso na política, é crucial entender e responder às preocupações e necessidades das pessoas que você representa em sua base eleitoral local.

Abaixo, há seis lições que ilustram esse princípio:

1. Eleições e representação: a base da política em muitos sistemas democráticos é a eleição de representantes locais, como prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais. Esses representantes são eleitos pelos eleitores em suas comunidades locais e regionais. Portanto, as questões que afetam diretamente essas comunidades têm um impacto significativo nas decisões dos eleitores e, por extensão, nas decisões dos políticos eleitos. Os principais cabos eleitorais de deputados federais e senadores são, justamente, os prefeitos.

2. Conhecimento local: Os políticos e líderes locais geralmente têm um conhecimento mais profundo das questões específicas que afetam suas áreas. Eles estão em contato direto com os eleitores e com os problemas, o que contribui para entenderem as necessidades, preocupações e aspirações locais. Isso os torna mais sensíveis às questões locais em suas tomadas de decisão.

3. Competição política: O maior campo de disputa política muitas vezes se concentra em questões locais e regionais. Os candidatos geralmente destacam seu compromisso em resolver problemas específicos de suas comunidades para ganhar o apoio dos eleitores. Isso significa que as questões locais são muitas vezes centrais nas campanhas políticas.

4. Alocação de recursos: Decisões políticas sobre a alocação de recursos, como orçamentos públicos, serviços públicos e infraestrutura, têm um impacto direto nas comunidades locais. Os políticos frequentemente negociam e decidem como esses recursos serão distribuídos, levando em consideração as necessidades e prioridades locais.

5. Diversidade geográfica e cultural: Muitos países são caracterizados por uma grande diversidade geográfica e cultural. As diferenças regionais e culturais podem influenciar significativamente as preferências políticas e as questões que são importantes para diferentes grupos de pessoas em diferentes áreas.

6. Federalismo e descentralização: Em sistemas políticos que adotam o federalismo ou a descentralização, como é o caso brasileiro, o poder e a autoridade são compartilhados entre o governo central e as unidades subnacionais (estados, províncias, municípios). Isso significa que muitas políticas são decididas em níveis locais ou regionais, ampliando ainda mais a importância das questões locais na política.

Os holofotes, manchetes e glamour podem estar mais concentrados na política nacional, mas boa parte dos incentivos políticos que a influenciam partem da política local.

ARTIGOS

Dia do Autismo: desafios da inclusão escolar e da alfabetização

02/04/2025 07h45

Arquivo

Continue Lendo...

O dia 2 de abril é internacionalmente conhecido e celebrado como o Dia Mundial do Autismo. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para conscientizar e trazer visibilidade acerca dessa questão. Porém, para além da data, devemos estar sempre vigilantes sobre a importância e os desafios de inclusão escolar e da alfabetização de crianças autistas.

O transtorno do espectro autista (TEA) é um transtorno de neurodesenvolvimento caracterizado por deficits de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal e comportamentos repetitivos com interesses restritos.

Características comuns no autismo são: pouco contato visual, pouca reciprocidade, atraso de aquisição de fala e linguagem, desinteresse ou inabilidade de socializar, dificuldade em usar pronomes, ecolalia, manias e rituais, entre outros.

Por volta dos dois anos, a criança pode apresentar sinais que indicam autismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Como o transtorno é um espectro, algumas crianças com autismo falam, mas não se comunicam, ou são pouco fluentes e até mesmo não falam nada. Uma criança com autismo não verbal se alfabetiza, mas a dificuldade muitas vezes é maior.

Por esse motivo, é muito importante o olhar individualizado. Também é importante estar atento na possibilidade de comorbilidades, como, por exemplo, deficiência intelectual. Vale ressaltar que, por outro lado, algumas crianças com TEA apresentam altas habilidades.

Os desafios que surgem no processo de alfabetização no autismo não impedem que ele ocorra, mas podem servir de motivação e inspiração para os professores.

A metodologia fônica é a mais indicada para o processo de alfabetização em transtornos do neurodesenvolvimento como o autismo. O mais importante é considerar a individualidade de cada aluno no planejamento pedagógico, fazendo as adaptações necessárias.

Atividades que podem estimular a consciência fonológica de crianças com autismo são, por exemplo, sílabas, em que você escolhe uma palavra e estimula a repetição das sílabas que compõem a palavra.

Outra dica são os fonemas, direcione a atenção da criança aos sons que compõem cada palavra, sinalizando padrões e diferenças entre eles. Já nas rimas, leia uma história conhecida e repita as palavras que rimem.

As crianças com autismo podem ter facilidade na identificação direta das palavras. Ou seja, conseguem decorar facilmente, mas têm dificuldade nas habilidades fonológicas mais complexas, como perceber o seu contexto.

A inclusão escolar acaba com a segregação dos alunos com dificuldades de aprendizagem, transtornos e deficiências. Ainda que a prática da inclusão apresenta novos desafios, os benefícios são inúmeros, para todos.

Assine o Correio do Estado

Artigos

Uma rotina de estudos assertiva é vital para o sucesso dos estudantes

02/04/2025 07h15

Arquivo

Continue Lendo...

A pandemia da Covid-19 causou diversos impactos na população, inclusive nos estudantes. Para se ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa realizada pelo C6 Bank em parceria com o Datafolha, 46% das crianças e adolescentes relataram estar com dificuldade no processo de aprendizagem após o ano de 2020, dado que reforça a necessidade de uma rotina de estudos assertiva.

Embora a experiência de aprendizagem nos ambientes escolares seja imprescindível, ela não necessariamente ajuda na fixação do conteúdo. Isso decorre da revisão, pois é nesse momento que as dificuldades são identificadas e as dúvidas geradas. Por isso, é essencial que os estudantes definam uma rotina, bem como as melhores metodologias e tecnologias, para que o equilíbrio entre os estudos e o lazer aconteça. Dessa maneira, é possível mitigar dificuldades e atingir resultados mais satisfatórios, principalmente nos vestibulares.

Um dos primeiros passos para criar uma rotina de estudos é escolher o método mais adequado, que pode variar de acordo com a rotina de cada estudante. Essa definição se faz necessária, pois após usar a memória de curto prazo para compreender o conteúdo, o estudante precisa adotar estratégias que ajudem a fixar esse conhecimento na memória de longo prazo.

Dado que a memória de curto prazo tem um tempo estimado entre uma e seis horas de duração, o estudante necessariamente precisa revisitar o conteúdo aprendido dentro desse espaço de tempo, a fim de fixar os conteúdos que poderão ser lembrados em momentos decisivos, como em avaliações e concursos.

Um método muito recomendado consiste no estudante ensinar a matéria para o espelho, ou seja, para si mesmo. Segundo a pirâmide de aprendizagem pensada pelo psiquiatra americano William Glasser, a porcentagem de retenção do conteúdo quando se ensina para outras pessoas é de 95%.

Mesmo que não se tenha domínio do conteúdo, falar sobre o assunto em voz alta, explicando da própria maneira, ativa diversas partes sensoriais do corpo, que são reativadas no momento da prova, trazendo as memórias necessárias para relembrar os principais pontos da matéria.

Além desse, existe o método Pomodoro, criado pelo italiano Francesco Cirillo, que consiste em dividir o estudo em intervalos de 25 minutos, chamados de pomodoros, colocando uma pausa de 5 minutos entre cada um. Dessa forma, o cérebro consegue descansar e retomar os estudos com uma melhor velocidade e rendimento.

Outra dica é acionar a coordenação pedagógica da instituição de ensino, que pode ajudar a identificar e escolher o melhor método, capaz de auxiliar o estudante a ter êxito em seus objetivos acadêmicos sempre de acordo com os conteúdos vistos no ambiente de aprendizagem.

Independentemente do método escolhido, é importante que o estudante se envolva totalmente no processo e mantenha uma postura ativa diante de seu aprendizado. Quanto mais engajado ele estiver com o tema, mais aprende efetivamente sobre ele.

O avanço da tecnologia também têm ajudado a rotina de estudo de crianças e jovens. Atualmente, existem diversas ferramentas e vídeos na internet que conseguem aprimorar a experiência de aprendizagem.

Plataformas de simulados, por exemplo, conseguem mapear o desempenho e identificar as dificuldades em cada matéria. Isso é de extrema valia no Ensino Médio, quando os estudantes estão se preparando para os vestibulares, pois os professores conseguem identificar deficits e, assim, auxiliar no cronograma de estudos de uma forma mais assertiva.

Mas é preciso tomar cuidado para que a tecnologia não se torne uma distração. Os celulares, tablets e computadores, no momento do estudo, devem ser utilizados exclusivamente para a aprendizagem, e não para outros fins.

Mesmo com a definição de um cronograma e a escolha do melhor método, ainda existem empecilhos nessa jornada que dificultam a realização de uma rotina de estudos eficaz, como o dia a dia familiar. Isso pode virar um problema quando o estudante vive em um ambiente movimentado, sem a possibilidade de estudar em um lugar silencioso. Inclusive, ainda de acordo com a pesquisa do C6 Bank, dois em cada cinco estudantes relataram perda da capacidade de concentração após a pandemia.

Desafios como esse podem ser identificados durante conversas com os estudantes e, nesses casos, a coordenação deve conscientizar a família para que seja definido os melhores horários para o estudo, um ambiente tranquilo e sem distrações, para garantir a aprendizagem completa.

Por fim, é importante ressaltar que, mesmo com o apoio das técnicas elencadas, o acompanhamento dos profissionais de ensino dia após dia é essencial. Apenas dessa maneira é possível acompanhar a progressão de perto e garantir melhores níveis de aprendizagem, lembrando sempre que aprender não é decorar ou simplesmente memorizar, é experienciar, fazer parte e praticar.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail marketing@correiodoestado.com.br na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).