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O que torna um homem, um Homem?

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Durante muito tempo, a sociedade perpetuou a ideia de que um homem de verdade deve ser forte, invulnerável e emocionalmente reservado. Isso sem contar os resquícios da filosofia patriarcal de que ele deve ser o “provedor” da casa, aquele que nunca falha.

No entanto, essa concepção distorcida tem causado danos significativos à saúde mental masculina, criando barreiras para que possam expressar seus sentimentos e buscar ajuda.

Um homem é, acima de tudo, humano, e humanos são seres dotados de emoções. A masculinidade tradicional dita que demonstrar sentimentos é um final de fraqueza, o que faz com que a depressão, mesmo que mais comum entre as mulheres, tenha maior gravidade em relação aos homens.

Não à toa, eles representam cerca de 78% dos suicídios no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. O motivo é claro – as pesquisas indicam que homens são menos propensos a procurar ajuda psicológica.

Mais do que nunca, precisamos reavaliar os valores associados a masculinidade. Aqueles que suprimem suas emoções podem sofrer de uma série de problemas, incluindo comportamentos agressivos, abuso de substâncias químicas e dificuldade nos relacionamentos. Promover uma nova compreensão do que significar ser homem é essencial para melhorar não somente a saúde mental masculina, mas a sociedade como um todo.

Iniciativas de conscientização como o ‘Agosto Azul’ devem desmitificar a ideia do herói violento de filme americano dos anos 80, e criar ambientes que permitam a demonstração de afeto. E essa educação emocional deve vir desde a infância, ensinando meninos que é normal e saudável expressar suas emoções, e que buscar ajuda é um ato de coragem.

O torna um homem, um Homem, não é a capacidade de suprimir suas emoções, mas a habilidade de reconhece-las e lidar com elas de maneira saudável.

A verdadeira masculinidade envolve empatia, vulnerabilidade e a capacidade de se conectar genuinamente com os outros. Esta é uma oportunidade para refletirmos sobre essas questões e promover uma mudança cultural significativa, na qual a saúde mental masculina é valorizada, e homens são encorajados a serem verdadeiramente autênticos.

Somente assim podemos avançar para uma sociedade mais equilibrada, onde todos, independente de gênero, podem prosperar.

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Editorial

Multa sem resultado no trânsito de MS

Se as multas aumentam, se as campanhas educativas continuam existindo e se o discurso oficial insiste na fiscalização, por que os resultados concretos não aparecem?

01/06/2026 07h15

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Todos os anos, campanhas como o Maio Amarelo ocupam espaços na mídia, nas redes sociais e em repartições públicas com mensagens de conscientização sobre segurança no trânsito. A intenção é válida.

Afinal, discutir educação no trânsito e preservar vidas jamais será algo desnecessário.

O problema é que, lamentavelmente, o efeito prático dessas campanhas continua sendo muito pequeno diante da realidade violenta enfrentada diariamente nas ruas e avenidas brasileiras.

Este baixo resultado não pode ser atribuído apenas à população. Evidentemente, há motoristas imprudentes, motociclistas irresponsáveis e pedestres desatentos.

Mas a impressão cada vez mais clara é de que o poder público também não consegue fazer sua parte de maneira eficiente.

Enquanto campanhas educativas se repetem ano após ano, os acidentes continuam aumentando e o trânsito segue produzindo mortes, sequelas e insegurança.

O número de multas aplicadas cresce de forma constante, e a arrecadação com elas, também. Ainda assim, os indicadores de violência no trânsito não melhoram na mesma proporção. Em muitos casos, pioram.

Surge então uma pergunta inevitável: o que está acontecendo? Se as multas aumentam, se as campanhas educativas continuam existindo e se o discurso oficial insiste na fiscalização, por que os resultados concretos não aparecem?

O poder público precisa responder a esta pergunta. E a resposta talvez seja desconfortável. Em muitas cidades, inclusive em Mato Grosso do Sul, a fiscalização parece priorizar a arrecadação, em vez da organização do trânsito.

Multa-se muito, mas planeja-se pouco. Há vias esburacadas, sinalização deficiente, cruzamentos perigosos e avenidas sem estrutura adequada para suportar o crescimento da frota.

Não é razoável exigir comportamento exemplar dos condutores quando o próprio Estado falha em garantir condições mínimas de segurança.

O asfalto ruim obriga a desvios perigosos, a sinalização precária confunde motoristas e a ausência de manutenção transforma ruas em armadilhas.

Neste cenário, a sensação da população é de que se cobra muito, mas se entrega pouco.

Além disso, há um problema que frequentemente recebe menos atenção do que deveria: a circulação de veículos irregulares e condutores sem documentação.

Motocicletas sem placas, carros com licenciamento atrasado e motoristas não habilitados seguem circulando livremente em diversas regiões urbanas.

O enfrentamento mais rigoroso desta realidade poderia trazer mais ordem ao trânsito e reduzir parte da sensação de impunidade.

É evidente que multas têm papel importante no processo de organização viária, mas, sozinhas, não resolvem o problema.

Segurança no trânsito exige planejamento, engenharia adequada, fiscalização inteligente, manutenção das vias e foco real na prevenção.

Campanhas educativas continuam sendo necessárias. O que não é mais aceitável é que elas sirvam apenas como peça publicitária anual enquanto o trânsito permanece caótico e violento.

A população precisa de resultados concretos, não apenas de slogans repetidos todos os meses de maio.

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A transformação da segurança pública

Mais do que ferramentas isoladas, drones, satélites e sistemas baseados em inteligência artificial (IA) estão formando um novo modelo operacional

30/05/2026 07h30

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A segurança pública e privada está passando por uma transformação profunda impulsionada pelo avanço tecnológico. O uso combinado de drones, satélites e sistemas baseados em inteligência artificial (IA) e machine learning está criando uma nova forma de monitorar territórios, antecipar riscos e responder a ameaças com maior eficiência.

Mais do que ferramentas isoladas, essas tecnologias estão formando um novo modelo operacional: a inteligência aérea integrada.

A geointeligência aplicada à segurança e defesa cresce em importância em todo o mundo por causa das guerras em curso. Aqui no Brasil não temos, felizmente, guerras, mas temos alto índice de criminalidade, crime organizado e fronteiras não tão bem protegidas dos traficantes.

Esse conceito integra dados geoespaciais – provenientes de satélites, drones, sensores terrestres e outras fontes – e os combina com análise avançada – incluindo IA – para gerar conhecimento acionável sobre o território.

A geointeligência permite entender “o que está acontecendo, onde, quando e por quê”, apoiando decisões estratégicas e operacionais com base em evidências.

Tradicionalmente, as operações de segurança eram baseadas em informações fragmentadas e, muitas vezes, reativas. Hoje, a integração de diferentes plataformas permite construir uma visão contínua e dinâmica do território.

Satélites oferecem cobertura ampla e monitoramento constante de grandes áreas, enquanto drones proporcionam alta resolução e capacidade de resposta rápida em nível local.

Ao mesmo tempo, algoritmos de IA e machine learning analisam grandes volumes de dados em tempo real, identificando padrões, anomalias e comportamentos suspeitos. Essa combinação marca uma mudança importante de sair da reação para a antecipação.

No combate ao crime organizado, essa evolução tecnológica é particularmente relevante. Organizações criminosas operam com alto nível de sofisticação e capilaridade, exigindo respostas igualmente estruturadas.

A integração entre dados orbitais, sensores aéreos e inteligência artificial permite monitorar rotas de tráfico, identificar movimentações suspeitas e detectar atividades ilegais em áreas remotas, como garimpo, desmatamento e contrabando.

Além disso, essas tecnologias apoiam operações táticas com informações em tempo real, aumentando a precisão das ações e reduzindo o tempo de resposta das forças de segurança.

No setor privado, o impacto também é significativo. Empresas que operam em grandes áreas – como mineração, energia, agronegócio e logística – estão adotando essas soluções para proteger ativos e reduzir riscos.

Drones são utilizados para vigilância perimetral e inspeções, enquanto imagens de satélite garantem monitoramento contínuo.

Com o apoio da IA, é possível detectar intrusões, falhas operacionais e situações de risco de forma automática. Assim, a segurança deixa de ser apenas vigilância e passa a ser uma gestão inteligente baseada em dados.

A defesa civil é outro campo que se beneficia diretamente dessa integração. Em situações de desastres naturais, como enchentes, deslizamentos e incêndios, a rapidez na obtenção de informações é crucial.

Satélites permitem mapear grandes áreas afetadas, drones oferecem avaliações detalhadas em campo e sistemas inteligentes ajudam a priorizar ações e otimizar o uso de recursos. Essa combinação aumenta a eficiência das operações de resposta e, sobretudo, contribui para salvar vidas.

No âmbito militar e de segurança nacional, a vigilância de fronteiras representa um dos maiores desafios, especialmente em países com extensos territórios. A integração de sensores orbitais, drones de longo alcance e sistemas de análise inteligente permite criar uma camada contínua de monitoramento.

Isso possibilita detectar movimentações ilegais, como tráfico de drogas e armas, com maior antecedência, reforçando a soberania e a capacidade de resposta do Estado.

O elemento central dessa transformação não está apenas nas tecnologias em si, mas na forma como elas são integradas. O verdadeiro valor surge quando diferentes sistemas se comunicam, compartilham dados e geram inteligência consolidada para apoiar a tomada de decisão.

É exatamente nesse ponto que a geointeligência se consolida como um pilar estratégico, conectando informação geográfica, sensores e análise avançada em um único fluxo de valor.

Mais do que reagir a eventos, o objetivo agora é antecipar riscos e agir de forma preventiva. Nesse cenário, a informação deixa de ser apenas um recurso estratégico e passa a ser um elemento central de proteção, capaz de transformar dados em decisões e tecnologia em segurança real.

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