Cidades

EMAGRECIMENTO SEGURO

Campo Grande volta para mira de operação contra anabolizantes e canetas emagrecedoras

Agência Nacional de Vigilância Sanitária negou registro de produtos para três medicamentos com esses princípios e prepara novas regras para manipulação de medicamentos injetáveis

Continue lendo...

Cada vez mais procurados pela população, as populares canetas emagrecedoras seguem sendo fortemente visadas pelas forças de segurança pública e saúde social, com Campo Grande iniciando a semana mais uma vez debaixo da mira da Polícia Federal (PF) em operação contra a venda irregular desses produtos para controle de diabetes e de emagrecimento. 

Conforme a Polícia Federal, quatro mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal foram cumpridos em Campo Grande nesta segunda-feira (13), há exatamente uma semana do "pente-fino" contra canetas emagrecedoras na Cidade Morena. 

Enquanto que há uma semana a batida da PF e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) visitaram um condomínio de luxo na Avenida Afonso Pena, endereço bem próximo a Rua Professor Luiz Alexandre de Oliveira que beira o Parque das Nações Indígenas, reservado para o funcionamento de escritórios e clínicas em área nobre próxima ao Shopping Campo Grande, agora os agentes deflagraram a chamada "Operação Emagrecimento Seguro III".  

Nessa apuração da venda irregular de produtos para controle de diabetes e emagrecimento, os agentes apreenderam uma série de medicamentos, como o esteroide derivado da testosterona oxandrolona, em caixa com 100 comprimidos produzidos pela indústria paraguaia, além de várias unidades do chamado Durateston Plus Gold, esse injetável, ambos da Landerlan.

Aqui cabe destacar que o esteroide anabolizante consumido via oral, Oxandroland, é proibido pela Anvisa e desaconselhado pelo próprio Conselho Federal de Medicina, bem como o injetável Durateston pela falta de registro regular no País. 

Ainda em dezembro do ano passado a Anvisa publicou uma resolução, determinando recolhimento de lotes da da empresa Basal Indústria Farmacêutica Ltda, bem como a proibição de 430 medicamentos anabolizantes fabricados pela empresa irregular Landerlan (que apresentava CNPJ desconhecido). 

Dos itens da Landerlan proibidos pela Anvisa aparecem: 

  • Decaland Depot 200 Mg X 10 Ml (todos os lotes). 
  • Testoland Depot 200 Mg/2ml - Landerlan Gold (todos os lotes).
  • Clembuterol Clorhidrato 0,04 Mg (todos os lotes). 
  • Hcg Humano 5.000ui Landerlan Gold (todos os lotes). 
  • Tritrembo Gold 200mg/ml (todos os lotes). 
  • Trembolona Hexahidroxibencil 51mg/ml (todos os lotes). 
  • Testenat Enantato de Testosterona 250mg/10ml (todos os lotes). 
  • Drostanolona Masteron Propionato 100mg/ml (todos os lotes). 
  • Nandrolona Fenilpropionato 100mg/10ml (todos os lotes). 
  • Trembolona Enantato 200mg/ml (todos os lotes). 
  • Durateston Plus Gold (todos os lotes). 
  • Boldenonia Undecilenato (todos os lotes). 
  • Trembolona Acetato (todos os lotes). 
  • Propionato Landergold (todos os lotes). 
  • Oxandroland 5mg (todos os lotes). 
  • Landertropin Gh 100ui (todos os lotes). 
  • Decaland Nandrolona 5ml (todos os lotes). 
  • Testoland/Deposteron 200mg (todos os lotes). 
  • Stanozoland Depot 30ml (todos os lotes). 
  • Stanozoland Depot 15ml (todos os lotes). 
  • Stanozoland Depot Oral 10mgx100 comp. (todos os lotes). 
  • Primobolan/Metenolona Oral (todos os lotes). 
  • Primobolan/Metenolona Enantato 10ml/100mg (todos os lotes). 
  • Durateston 1ml (todos os lotes). 
  • Trembolona Acetato 75 mg (todos os lotes). 
  • Testenat Enantato 4ml 250mg (todos os lotes). 
  • Oxitolan/Hemogenin Oral 50mg/20 comp. (todos os lotes). 
  • Metandrostenolona/Dianabol 10mg (todos os lotes). 
  • Drostenoland Masteron (todos os lotes). 
  • Androlic/Mesterolona 25mg (todos os lotes). 

Registro negado

Ainda no início desta semana a Anvisa anunciou a negativa de pedido de registro de três medicamentos com os princípios ativos semaglutida e liraglutida. Segundo a Agência, na prática, indica que as solicitações não atenderam "todos os requisitos técnicos exigidos para comprovação de eficácia, segurança e qualidade dos produtos". 

"Houve o indeferimento de duas versões de liraglutida, da farmacêutica Cipla (Plaobes e Lirahyp), e uma de semaglutida, da Dr. Reddy's (Embeltah)", cita a Anvisa em nota. 

Para garantir o abastecimento do mercado brasileiro, em 2025 a Anvisa chegou a publicar edital para que as empresas que queriam registro de medicamentos contendo semaglutida ou liraglutida pudessem pedir prioridade na análise por parte da Agência. 

A própria Anvisa, através de sua área de fiscalização, identificou tendência de instabilidade na oferta dos medicamentos desta classe, destacando recentemente que não existem concorrentes para a semaglutida no Brasil. 

Pelo menos 16 pedidos de registro aparecem na "fila" da Anvisa, para medicamentos com este princípio ativo, cuja patente venceu no Brasil no último mês de março. 

Já para a liraglutida há cinco medicamentos no Brasil, de dois laboratórios diferentes, com mais sete pedidos para avaliação por parte da Anvisa. 

Novas regras

Em complemento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária afirma que prepara uma nota técnica para esta semana, para revisar as atuais regras  para manipulação de medicamentos injetáveis de GLP-1 (Peptídeo semelhante ao Glucagon-1), as populares como canetas emagrecedoras, com princípios ativos de semaglutida, tirzepatida e liraglutida. 

Está no plano de ação da Agência, apresentado no último dia 06, a estratégia de fortalecer a atuação no controle sanitário desses produtos, com intuito de garantir a segurança de pacientes que utilizam medicamentos. 

Nesse sentido, a minuto deve trazer diretrizes quanto aos procedimentos para importação, manipulação e controle sanitário de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) de agonistas de GLP-1, sendo que entre as mudanças estão previstos mecanismos de rastreabilidade; segurança ao longo da cadeia produtiva, e qualificação dos fabricantes e fornecedores, bem como  testes mínimos de controle de qualidade. 

 

Assine o Correio do Estado

Operação Infiltrados

Advogada é presa em quadrilha de policiais traficantes em MS

Jéssica Santos foi alvo de prisão preventiva na Operação Infiltrados, que investiga desvio de drogas apreendidas por policiais; delegado também está entre os presos

24/09/2026 18h01

Inscrição da advogada na Ordem dos Advogados do Brasil

Inscrição da advogada na Ordem dos Advogados do Brasil reprodução site OAB

Continue Lendo...

A advogada Jéssica Santos é uma das pessoas presas na Operação Infiltrados, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) nesta quinta-feira (24), em Campo Grande e no interior de Mato Grosso do Sul. Contra Jéssica, apurou o Correio do Estado, pesa um mandado de prisão preventiva por integrar uma quadrilha chefiada por policiais que traficavam as drogas que apreendiam.

No grupo, há até delegado de polícia, caso de Hoffman D’Ávila Cândido Souza, titular da 6ª Delegacia de Campo Grande, mas que ficou mais de cinco anos, de 2019 a fevereiro de 2026, na titularidade da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico de Campo Grande (Denar), divisão policial que, justamente, deveria combater o tráfico de entorpecentes.

A participação de Jéssica não foi detalhada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O Correio do Estado apurou, contudo, que ela tem um escritório de advocacia em sociedade com o marido — que não é investigado — e que teria um familiar envolvido com o narcotráfico.

Em uma busca no banco de processos criminais, o Correio do Estado encontrou processos em que Jéssica defende acusados de tráfico presos pela Denar.

Alvo de prisão preventiva, Jéssica está reclusa no Presídio Militar de Campo Grande pelo fato de ser advogada. O cumprimento do mandado de prisão contra ela foi devidamente acompanhado pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS), que deve abrir processo ético-disciplinar contra a suspeita.

Por ter uma filha bebê, a expectativa é que Jéssica ingresse, nas próximas horas, com um pedido de relaxamento da prisão na Justiça.

Policiais traficantes

A Operação Infiltrados, do Gaeco, foi às ruas para cumprir 24 mandados de prisão preventiva nesta quinta-feira (24), dois mandados de prisão temporária e ainda 38 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.

A investigação teve início depois de as equipes do Gaeco descobrirem um grande esquema de desvio de droga apreendida, especialmente cocaína, por policiais. As informações chegaram ao conhecimento do Gaeco durante as operações Traquetos e Blindspot.

O desvio das drogas apreendidas ocorria por meio da omissão dos policiais ao realizarem os registros formais das ocorrências de parte da droga efetivamente arrecadada ou até mesmo pela subtração da cocaína do depósito da delegacia.

Os policiais civis, então, repassavam a droga a traficantes que não atuam no serviço público, como eles, dando seguimento ao comércio ilegal.

Entre os presos, há um delegado da Polícia Civil, policiais civis, policiais militares e um policial penal.
 

Trânsito

Sem solução provisória, MS-040 pode ficar até 60 dias sem caminhões

Restrição nos km 205 e 223 já chega ao 20º dia, enquanto concessionária ainda não definiu quando tráfego pesado será liberado

24/09/2026 18h00

Trecho da MS-040

Trecho da MS-040 Reprodução/PMRMS

Continue Lendo...

A MS-040 pode permanecer por até 60 dias com o tráfego de caminhões e outros veículos pesados restrito nos quilômetros 205 e 223, mas, 20 dias após o início das intervenções nas pontes, ainda não há uma solução provisória nem prazo definido para a retomada do fluxo normal. Em resposta ao Correio do Estado, a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems) informou as alternativas disponíveis para o transporte de cargas, mas não apontou uma data para a liberação do trecho.

As intervenções começaram no início de setembro e impedem a passagem de caminhões e outros veículos pesados pelas duas estruturas. Para os demais veículos, o tráfego permanece em sistema de Pare e Siga. A orientação para o transporte de cargas é utilizar principalmente a BR-267, enquanto outras rotas também são indicadas conforme a origem e o destino.

O problema é que o desvio já mostrou, na prática, as dificuldades provocadas pela retirada dos caminhões da rota original. Na quarta-feira (23), carretas ficaram atoladas em uma estrada de terra no km 172 da MS-040 durante uma interdição. Os veículos teriam sido orientados a seguir pelo desvio e acabaram bloqueando a passagem nos dois sentidos. A Caminhos da Celulose indicou a BR-267 como alternativa para os veículos pesados.

A situação também deixou de ser apenas uma questão de obra. Em 18 de setembro, moradores, produtores rurais e transportadores bloquearam a MS-040 em Santa Rita do Pardo para protestar contra a restrição, que já havia chegado à segunda semana.

Trecho da MS-040

Desde o início das intervenções, a concessionária informou que os serviços nas pontes poderiam durar entre 30 e 60 dias. O prazo, porém, não significa que exista uma data definida para o retorno dos caminhões, já que a previsão está relacionada à duração dos trabalhos de manutenção.

É justamente nesse intervalo que permanece a principal questão: se a obra pode avançar por até dois meses, que medida será adotada para evitar que o transporte de cargas fique submetido durante todo esse período às rotas alternativas?

A cobrança ganhou força nesta semana, quando o deputado estadual Pedro Arlei Caravina levou o caso à Assembleia Legislativa e pediu informações sobre os laudos que fundamentaram a restrição, o cronograma das intervenções e a possibilidade de instalação de uma ponte provisória para liberar os veículos pesados. O parlamentar também relatou ter recebido da concessionária a informação de que uma nova avaliação seria feita no dia 25.

A possibilidade de uma estrutura provisória é especialmente relevante porque permitiria separar duas questões: a necessidade de executar o serviço nas pontes e a necessidade de manter o corredor de cargas funcionando. Até agora, porém, não há confirmação de que uma ponte móvel ou outra alternativa temporária será instalada.

ROTAS

Questionada pelo Correio do Estado sobre a situação, a Agems informou as alternativas disponíveis para os veículos pesados e os procedimentos de acompanhamento da concessão. A agência, no entanto, não apresentou uma data para a normalização do tráfego nos dois pontos.

A cada dia de restrição, caminhões são retirados de um dos principais corredores utilizados entre Campo Grande, Santa Rita do Pardo e a região da divisa com São Paulo, enquanto produtores e transportadores precisam absorver os custos e dificuldades das rotas alternativas.

A própria Agems destaca, desde o início da concessão, que acompanha a execução do contrato e fiscaliza as obras da Rota da Celulose. A concessão reúne 870,3 quilômetros de rodovias e prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos.

Na prática, porém, a questão que permanece sem resposta é objetiva.

O Correio do Estado procurou a Caminhos da Celulose para saber quais serão os próximos passos. Até a publicação, não houve resposta.

 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).