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EDUCAÇÃO

Capital deve pagar R$ 81,7 milhões por deficit de vagas em creches

Com mais de 8 mil crianças fora das escolas, prefeitura perdeu ação que pedia indenização e, agora, pagará valor de R$ 10 mil por aluno sem estudar

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Com 8.177 crianças fora das escolas municipais de Educação Infantil (Emeis) em 2024, a Prefeitura Municipal de Campo Grande deverá pagar uma multa de cerca de R$ 81,7 milhões caso a situação de falta de vagas continue neste ano.

A conta será cobrada pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, que, por meio de uma ação civil pública movida em 2014, estabeleceu uma multa de R$ 10 mil por criança que não obtiver vaga em uma Emei, penalização que passará a valer a partir deste ano letivo.

Movida em 2014 pelo defensor público Amarildo Cabral, a ação civil pública teve decisão neste mês. O imbróglio ocorreu, segundo a Defensoria Pública, após diversas reclamações de famílias em situação de vulnerabilidade enfrentarem dificuldades para matricular seus filhos em creches.

Após a sentença, o defensor público Alceu Conterato Júnior assumiu a elaboração das contrarrazões, enquanto a defensora pública Maria José do Nascimento conduziu a atuação em segunda instância, garantindo a continuidade da defesa dos direitos em questão.

“Essas dificuldades impactavam diretamente o direito ao trabalho das mães e comprometeram a educação das crianças, violando princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e o acesso à educação infantil. A Defensoria tem o dever de agir em prol dos mais vulneráveis e garantir que direitos básicos sejam respeitados”, pontuou o defensor Amarildo Cabral, em nota à Defensoria.

O processo transitou em julgado e resultou na condenação do município de Campo Grande, decisão proferida pelo juiz Davi de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

A sentença foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), sob a relatoria do desembargador Dorival Renato Pavan, e teve seus recursos especiais rejeitados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Cabe destacar que todos os valores arrecadados serão utilizados, segundo a sentença, “exclusivamente para resolver o problema da falta de vagas” na Educação Infantil. 

Do mesmo modo, a penalização ao município de Campo Grande só será aplicada após a família da criança comprovar que não conseguiu garantir a matrícula para o ano letivo. 

DEFENSORIA PÚBLICA

Chefe substituto do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Nudeca), o defensor público Eugênio Luiz Dameão destacou que, em 2024, a Prefeitura Municipal de Campo Grande listou 7,9 mil alunos fora das creches do município, ao passo que foram ajuizadas 3 mil ações, seja por falta de vagas, seja para a realização de transferências de alunos matriculados longe de suas residências. 

“Dessas 3 mil ações, uma parte é porque as crianças foram matriculadas distantes da residência e outra parte por falta realmente de vagas. Todas as ações foram concedidas pela Justiça”, afirmou.

Questionado sobre a falta de vagas no município de Campo Grande, Dameão disse que, antes das disposições municipais de ter ou não vagas para as crianças, é dever da Defensoria Pública obedecer ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

“Existe uma legislação constitucional e existe uma legislação infraconstitucional, que é o ECA. Nós, operadores do direito, temos de obedecer a legislação constitucional e a legislação infraconstitucional, é isso”, destacou o defensor público. 

No mesmo sentido, Dameão disse que cabe à Defensoria Pública resolver primeiro administrativamente, com a Rede Municipal de Ensino (Reme).

Caso não seja possível, o órgão realiza o ajuizamento das ações, entretanto, somente após os pais realizarem ou tentarem fazer a matrícula administrativamente ou solicitarem a transferência para mais perto das suas residências sem sucesso. 

PREFEITURA

Chefe da Central de Matrículas da Reme, Adriana Cedrão destacou à reportagem que deste universo de 8,1 mil crianças sem acompanhamento, 50% correspondem a bebês de 4 meses e crianças até 2 anos. 

“Nós finalizamos o ano com mais de 8 mil na lista de espera. Disponibilizamos na primeira listagem 5.511 vagas, infelizmente, metade não foi fazer a matrícula. Consequentemente, essas vagas voltaram, e nós disponibilizamos uma segunda listagem no dia 16 de janeiro, que segue até o dia 23”, declarou. 

Segundo Adriana Cedrão, ao todo, foram disponibilizadas 6.442 vagas apenas para crianças até 3 anos de idade, faixa categorizada pela administração como não obrigatória. 

Quanto às vagas já disponíveis, a chefe do setor de matrículas disse que nos últimos anos houve um impasse justamente por falta de oferta. 

“Talvez não seja naquela [creche] próxima de casa onde o pai quer ou no caminho do trabalho, mas a prefeitura, a Rede Municipal [de Ensino] oferta uma vaga em uma etapa obrigatória. Nós tínhamos um número muito grande de crianças que procurava vagas em determinadas escolas, determinadas regiões, e a gente não conseguia atender por não ter oferta suficiente”, destacou. 

Neste ano, de 5.511 alunos designados, 2.814 não efetivaram a matrícula, o que corresponde a 51%, disse a prefeitura.

Somados aos 931 alunos que já estavam matriculados e não fizeram a rematrícula, 3.628 vagas foram encaminhadas para a segunda listagem, iniciada no dia 16 e que segue até amanhã.

SAIBA

Atualmente existem 107 escolas municipais de Educação Infantil em Campo Grande, que atendem os grupos 1 (a partir de 4 meses de vida), 3 (até 3 anos de idade – etapa não obrigatória) e 5 (crianças que completam 5 anos até 31 de março).

Entretanto, parte das 99 escolas de Ensino Fundamental também oferece as etapas obrigatórias de ensino da Educação Infantil, que são os grupos 4 e 5. Segundo a Semed, não há deficit de vagas para alunos com idade acima de 5 anos.

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estiagem histórica

Campo Grande destoa e MS fecha outro mês com poucas chuvas

Dos 46 municípios monitorados pelo Cemtec, em 23 deles as chuvas de março ficaram abaixo da média histórica para o período

04/04/2025 11h30

Transbordamento do Lago do Amor e destruição de parte da barragem foi uma das consequências das chuvas de 17 e 18 de março

Transbordamento do Lago do Amor e destruição de parte da barragem foi uma das consequências das chuvas de 17 e 18 de março

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Com até 336 milímetros, Campo Grande fechou março como o mais chuvoso dos últimos 15 meses.  No restante do Estado, porém, a maior parte dos municípios nos quais o Centro de Monitoramento do Tempo e Clima faz a coleta de dados, foi mais um mês de chuvas abaixo da médio, agravando o fenômeno da estiagem, que começou em outubro de 2023. 

Dos 36 municípios onde ocorreu a coleta de dados em março, em 23 a chuva ficou abaixo da média história, em 12 as precipitações superaram a média e em um deles ficaram exatamente na médica, conforme os dados do Cemtec. 

O menor volume foi registrado na cidade de Bataguassu, na divisa com o Estado de São Paulo, com apenas 18 milímetros. E outros municípios da região leste e nordeste enfrentaram condições parecidas. 

Outra região com chuva muito abaixo da média, o que já ocorre há 19 meses, foi a sudoeste, em cidades como Bonito e Maracaju, com apenas 60 e 64 milímetros, respectivamente.

E, por conta desta longa estiagem, o nível do Rio Miranda, um dos principais do Pantanal e o mais piscoso do Estado, teve seu mais baixo nível para um mês de março da história. 

Transbordamento do Lago do Amor e destruição de parte da barragem foi uma das consequências das chuvas de 17 e 18 de marçoOs 336 milímetros de Campo Grande foram registrados na Região da UFMS. Nas demais regiões o volume foi inferior a isso

Desde outubro de 2023, quando começou o período de estiagem, somente em abril de 2024 choveu acima da média na maior parte dos municípios monitorados pelo Cemtec. Nos demais 18 meses a chuva ficou a abaixo do previsto. 

Em Campo Grande, apesar do alto volume na base de medição da Universidade Federal, com 336 milímetros (125% acima da média) as chuvas foram bastante irregulares. No medidor instalado na Embrapa, na saída para Corumbá, o acumulado foi de 191 milímetros, o que representa 28% acima da média, que é de 150 milímetros. 

Desde janeiro de 2023, quando foram registrados 347 milímetros, que Campo Grande não registrava tanta chuva em um único mês como em março deste ano. E por conta das fortes chuvas no começo de 2023, o Lago do Amor transbordou e parte da barragem ruiu. Agora, apesar da instalação de um novo vertedouro, dano parecido foi registrado no local. 

E nesta região da cidade choveu acima da média no três primeiros meses do ano. No acumulado do trimestre foram 895 milímetros, ante 314 no mesmo período do ano passado. 

Mas, se forem considerados os dados do medidor da Embrapa, que serve de parâmetro para definir a média histórica na Capital,  o primeiro trimestre fechou com menos da metade da chuva se comparado com a região sul. 

Na parte oeste da Capital foram apenas 357 milímetros dos três primeiros meses de 2025. Em igual período do ano passado, o acumulado na região da Embrapa foi de 216 milímetros. Ou seja, embora irregular, em todas as regiões de Campo Grande choveu mais no começo do ano na comparação com 2024. 

PREVISÃO

E, conforme o Cemtec, a previsão é de que estas chuvas irregulares continuem pelos próximos três meses em todo o Estado. Além disso, destacam os meteorologistas do instituto, “os índices de precipitação acumulada para o trimestre abril, maio e junho indicam que as chuvas ficarão abaixo da média histórica no estado do Mato Grosso do Sul”. 

Ivinhema

Sem licitação, "Mais louco do Brasil" reajusta contrato de coleta de lixo em 199%

Reajuste é para coleta seletiva dos resíduos orgânicos e inorgânicos na área urbana do município

04/04/2025 11h15

Juliano Ferro

Juliano Ferro Foto: divulgação

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Sem passar por qualquer licitação, o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro Barros Donato (PSDB), autointitulado como “Mais louco do Brasil”, reajustou em 199%, o contrato de serviço de coleta de lixo do município distante 290 km de Campo Grande. 

O reajuste exponencial firmado junto à Coopercicla, cooperativa de catadores de materiais recicláveis foi oficializado no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira (4). Em 2024, o contrato de um ano entre as partes foi de 1.596.085,00, aproximadamente R$ 133 mil mensais, em contrapartida, o repasse que firma a renovação deste ano é de R$  4.775.758,20, pouco mais de R$ 397 mil/mês. 

“O objeto do presente contrato é a contratação de uma empresa especializada para gerenciamento integrado dos resíduos sólidos domésticos de Ivinhema-MS, educação ambiental porta a porta, coleta seletiva dos resíduos orgânicos e inorgânicos na área urbana, Distrito de Amandina, Glebas, Vila dos Pescadores, transporte dos resíduos segregados, processamento para logística reversa dos reutilizáveis e destino até a estação transbordo dos resíduos inservíveis (rejeitos)”, diz o documento assinado pelo prefeito. 

Com vigência de 12 meses, o contrato é válido até o dia 1º de abril de 2026 e pode ser prorrogado por mais 1 ano.  Cabe destacar que a empresa também prestou serviços ao município de Amambai. Por lá, os serviços chegaram ao custo de R$ 4.698.684,60.

À época, conforme o diário oficial da Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul (Assomasul), a empresa, contratada em 2022, contou com um reajuste contratual em abril do último ano, vínculo então vigente, que se encerrou no último dia 29. 

O Correio do Estado entrou em contato com o prefeito municipal de Ivinhema a fim de obter mais explicações sobre o reajuste contratual  junto a cooperativa, sobretudo para compreender a falta de licitação em todo o processo, entretanto, não obteve retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto. 

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