A vacinação contra o coronavírus em crianças de 5 a 11 anos deve começar nos próximos dias em Campo Grande. Para acelerar o processo de imunização, a Secretaria Municipal de Saúde Pública (Sesau) estuda a aplicação das doses em escolas ainda fechadas por conta do recesso escolar.
“Dessa maneira, poderemos antecipar a vacinação dos estudantes para antes do início das aulas”, afirmou a superintendente de vigilância em Saúde, Veruska Lahdo.
Ao Correio do Estado, a Secretária Extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo, adiantou que por volta de 18.200 doses pediátricas da Pfizer devem chegar ao Estado nesta sexta-feira.
Cerca de 72% deste primeiro lote, aproximadamente 13,2 mil doses, serão destinados às crianças indígenas. A distribuição a cada município ainda será definido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).
As primeiras vacinas contra a doença destinadas à população de 5 a 11 anos deverão chegar ao Brasil no dia 13 de janeiro.
Está prevista uma remessa de 1,2 milhão de doses do imunizante da Pfizer, o único aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esta faixa etária.
O Brasil receberá no primeiro trimestre de 2022, 20 milhões de doses pediátricas. Na segunda-feira, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse ter conseguido antecipar a chegada de 600 mil doses infantis da Pfizer.
Durante o mês de janeiro, o Programa Nacional de Imunização deve receber um lote de 4,3 milhões de vacinas da Pfizer.
De acordo com o assessor militar da SES, coronel Marcello Fraiha, a distribuição das doses em Mato Grosso do Sul será feita de acordo com a estimativa populacional de crianças de cada município.
“Assim que as vacinas chegarem ao Estado, no dia subsequente já serão entregues as 79 cidades, de forma célere e para que não faltem doses nos estoques”, ressaltou.
Cerca de 90 mil crianças de 5 a 11 anos devem ser vacinadas contra a Covid-19 em Campo Grande. Conforme a Sesau, 9.539 já estão cadastradas no sistema de vacinação do município, apenas 10,5% do público estimado.
Em todo o Estado, por volta de 291.800 crianças de 5 a 11 estão aptas a se vacinar contra o coronavírus.
De acordo com a SES, não será necessário a apresentação de prescrição médica para a vacinação, apenas autorização dos pais. No caso da presença dos responsáveis no ato da vacinação, haverá dispensa do termo por escrito.
PRIORIDADES
De acordo com a Secretária Extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo, neste momento, as crianças com comorbidades e deficiências permanentes, quilombolas e indígenas serão prioridades na vacinação contra o coronavírus.
Até o dia 6 de dezembro de 2021, no sistema e-SUS Notifica, foram registrados 565.913 casos de Covid-19 nessa faixa.
Desde o início da pandemia, 286 crianças de 5 a 11 anos morreram em decorrência da doença.
Em decorrência da variante Ômicron, o infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Julio Croda ressaltou que apenas com a vacinação das crianças, será possível atingir a imunidade coletiva neste novo cenário de crescimento dos casos de Covid-19.
APROVAÇÃO
No Brasil, a Anvisa aprovou em 15 de dezembro de 2021 a ampliação do uso da vacina da Pfizer para aplicação em crianças de 5 a 11 anos. Em 16 de dezembro, enviou ofício ao Ministério da Saúde recomendando ao PNI a inclusão deste imunobiológico.
Existem aproximadamente 20 milhões de crianças com idade entre 5 e 11 anos no Brasil, segundo dados do IBGE (censo de 2010).
Atualmente, ao menos 39 países da Europa e 14 da América Latina já autorizaram ou iniciaram a vacinação contra a Covid-19 em menores de 12 anos.
De acordo com o Ministério da Saúde, crianças que completarem 12 anos entre a primeira e a segunda dose devem receber a dose pediátrica da vacina Pfizer como reforço.
NORMAS
A vacina para crianças será aplicada em duas doses reduzidas de 0,2 ml (equivalente a 10 microgramas). O intervalo preconizado no Brasil será de oito semanas entre as vacinas, mesmo período definido na Austrália, no Canadá, na Espanha, no Reino Unido e em Portugal.
O tempo é superior ao previsto na bula da vacina da Pfizer, a qual assegura a aplicação das duas doses do imunizante com três semanas de diferença, recomendação adotada pelo Uruguai.
A tampa do frasco destinado às crianças de 5 a 11 anos será na cor laranja, para facilitar a identificação pelas equipes de vacinação e também pelos pais, mães e responsáveis.
Para os maiores de 12 anos, a tampa do frasco terá a cor roxa, sendo aplicada em doses de 0,3 ml, semelhante à dosagem usada em adultos maiores de 18 anos.
Segundo o Ministério da Saúde, a vacina pediátrica da Pfizer também terá esquema de conservação diferente, já que pode ficar por 10 semanas em temperaturas de 2º a 8ºC.
Conforme a Pasta, a vacinação das crianças deve ser realizada em ambiente específico e segregado da vacinação de adultos, sendo vetada a aplicação das doses no formato de drive-thru.
A vacina contra a Covid-19 não poderá ser administrada de forma concomitante a outros imunobiológicos do calendário infantil, sendo recomendado um intervalo de 15 dias.
Casos
O Estado registrou mais 610 casos positivos para coronavírus nesta terça-feira. Desses, 224 foram registrados em Campo Grande, 48 em Dourados e 47 de Corumbá.
Apenas nos primeiros 10 dias de janeiro, a SES confirmou sete mortes por Covid-19 em MS. Desde o início da pandemia, 9.745 sul-mato-grossenses morreram por complicações da doença.