Cidades

8 de janeiro

Casal condenado por quebra-quebra pagou R$ 640 em passagens até Brasília

Em depoimento à polícia, Cláudio Jacomeli confessou que viagem fretada em caravana foi articulada em poucos dias

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Condenados por por participação nos atos golpistas no Palácio dos Poderes, o casal de servidores públicos Cláudio José Jacomeli e Clarice Custódio Jacomeli gastou cerca de R$ 640 em passagens para participar da depredação generalizada do dia 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

De acordo com o relatório proferido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes - que condenou ambos a pena de 14 anos, além de multa de R$ 30 milhões - Cláudio, que disse ter gastado “(...) com recursos próprios, passagens para si e sua esposa, no valor aproximado de trezentos e vinte reais cada, que foi repassado a terceiro, cujo nome não se recordava”.

Conforme o parecer do magistrado, a presença dos acusados Clarice Custódio Jacomeli e Cláudio José Jacomeli no veículo foi atestada por registro de abordagem realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), no km 130 da rodovia BR-060 dia 9 de janeiro de 2023, durante o trajeto de retorno a Naviraí, cidade de origem do analista judiciário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), e da professora da rede municipal naviraiense.

Na ocasião, ambos foram conduzidos, junto dos demais passageiros, à 18ª Delegacia Distrital de Polícia de Goiânia, onde tiveram os celulares vistoriados e foram liberados. 

De acordo com o parecer, “os acusados registraram imagens de si mesmos em meio aos atos de invasão do Congresso Nacional, ocorridos no dia 8.1.2023. em ambos os autorretratos, sorri e aparenta estar com a bandeira do Brasil amarrada ao corpo."

Cláudio José Jacomeli, segundo o relatório "igualmente esboça expressão de contentamento em uma das fotos”, fatos noticiados pelo Correio do Estado, após viagem realizada em ônibus da Viação Netto, locomoção com custo estimado em R$ 27 mil.

Do mesmo modo, Moraes destacou que fotos de ambos também foram divulgadas na conta “@contragolpebrasil”, criada justamente para expor os indivíduos que participaram dos atos golpistas no Instagram.

Na ocasião, Clarice afirma: “Estamos fazendo inveja pra esse pessoal que não tem coragem”. Ao lado dela, Cláudio diz “temos que buscar o que é nosso, a liberdade”.

Segundo a sustentação, o ministro destaca frases que teriam sido ditas por demais passageiros do veículo, com conteúdo como:

“Vamos derrubar os bandidos!”; “Vamo lá arrancar o nove dedo e vamo ficar de boa”; “Vamo ajudar a tirar o ladrão”; “Salvar a nossa pátria dos comunistas”; “Nós vamos tirar o nine, vamos tirar o nine, libertar o Brasil para nós ter mais liberdade”; “E o cabeça de ovo”; “Tamo junto! Vamo lá arrebentar com a vida do cabeça de chibata lá. Vamo desgraçar com a vida dele”; “Ó, vou falar uma coisa pra você: você vai escapar de um raio, mas não escapa de mim hoje”; “Isso é pro Lula”; “Vamo lá pra bater!”; e “Bora 'rancar' o nine da cadeira, rumo à liberdade!”.


Em sua defesa, Clarice Custódio Jacomeli assumiu à Polícia Federal que, no dia 8 de janeiro de 2023, esteve em Brasília e  adentrou o Congresso Nacional, na companhia de Cláudio José Jacomeli, ressalvando que “não vandalizou patrimônio público”. 

Do mesmo modo, Cláudio admitiu, segundo o relatório, ter frequentado acampamento em Naviraí após as eleições presidenciais de 2022, no qual pessoas se reuniam “para conversar sobre o pleito eleitoral e assuntos pessoais.”, disse em juízo.

Destacou que foi no acampamento que, junto da esposa e outras pessoas, decidiu formar grupo para ir até Brasília no final de semana do quebra-quebra. 

Segundo Jacomeli, ao chegar na capital federal, o grupo se hospedou em um hotel. Negou ter comparecido ao acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, revelando que esteve presente no local em momento anterior, por três dias.

Frisou que  dia 8 de janeiro de 2023, seu grupo caminhava pelo lado direito da Esplanada dos Ministérios e outro, maior, pelo lado esquerdo, em direção à Praça dos Três Poderes, ocasião em que, segundo ele, os manifestantes que compunham a linha de frente - o que não era o seu caso - estavam bem preparados, com camisetas nos olhos e máscaras. 

Pontuou que poucos policiais tentaram conter, sem sucesso, os manifestantes. Assumiu ter entrado no Congresso Nacional, após a invasão do edifício-sede, quando “já não tinha nada mais inteiro”, negando a prática de ato de vandalismo ou depredação.

Alegou ter permanecido no interior do prédio público por cerca de trinta minutos, onde tirou a foto em que
aparece com sua esposa, de lá se afastando após a chegada de reforço policial, com bombas de gás.

Sustentou que a sua intenção era "fazer volume" para expor indignação com o resultado da eleição presidencial, uma vez que, em seu entendimento, o pleito e o resultado não foram corretos.

“As provas produzidas comprovaram, assim, a ativa contribuição de Clarice Custódio Jacomeli e Cláudio José Jacomeli para os atos antidemocráticos que eclodiram no dia 8 de janeiro, sendo suficientes para que sejam condenados como incursos nas figuras indicadas”, falou o ministro em decisão.  

Por sua vez, a defesa do casal afirmou que os réus, “pessoas humildes e idosas, foram vítimas de manipulação ideológica, conduzidas a Brasília sob a falsa crença de estarem participando de manifestações legítimas, influenciados por discursos públicos que evocavam a legalidade das ações ‘dentro das quatro linhas da Constituição’”. 

Ida a Brasília

Conforme apurou o Correio do Estado há época dos fatos, ambos viajaram em um veículo da Viação Netto, empresa responsável por alugar um ônibus que levou 20 sul-mato-grossenses até Brasília para as manifestações que culminaram com a invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

Na ocasião, Valdemar Benedetti Hermenegildo, sócio majoritário da empresa, destacou que 19 pessoas participaram e vivenciaram o quebra-quebra.

Sem fornecer o nome do locatário, o dono da empresa com documentação registrada em Vicentina, interior de Mato Grosso do Sul, disse que o custo da locação do ônibus custou cerca de R$ 27 mil.

“É complicado dizer o que se passou, enquanto locatário eu imaginava que o pessoal fosse somente até o QG de Brasília, não pensei que a coisa fosse se desdobrar desta forma”, disse.

Questionado sobre possíveis desdobramentos e investigações posteriores, Valdemar Benedetti alegou que, caso solicitado pela Polícia Federal (PF) não teria qualquer resistência em divulgar o contratante do veículo, assim como o nome de todos os passageiros do ônibus. 

“Se a Polícia Federal (PF) pedir, eu dou o nome do contratante e de todos os passageiros do ônibus”, destacou.  A reportagem entrou em contato com Valdemar Hermenegildo novamente, contudo não obteve retorno. O espaço segue aberto. 

*Saiba

A condenação inclui crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. O regime inicial de cumprimento da pena será o fechado. Na decisão, o ministro Cristiano Zanin acompanhou o relator, Alexandre de Moraes, com ressalvas. Confira a íntegra da decisão, que cabe recurso. 

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PRISÃO

Polícia Civil apreende carga de cocaína avaliada em R$ 3 milhões

As drogas foram localizadas no Bairro Nova Lima. Durante a ação, um dos suspeitos ainda tentou danificar o celular

19/02/2026 19h15

As drogas foram localizadas em um imóvel residencial no bairro Nova Lima

As drogas foram localizadas em um imóvel residencial no bairro Nova Lima Divulgação: Polícia Civil

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O Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO) realizou, nesta quinta-feira (19), a prisão em flagrante de dois indivíduos pela prática dos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Junto aos suspeitos, foram apreendidos aproximadamente 40,8 kg de cocaína.

A grande quantidade de droga apreendida representa prejuízo estimado em aproximadamente R$ 3,06 milhões ao crime organizado, considerando o valor médio de comercialização do entorpecente.

A ação teve início após levantamento de um imóvel residencial localizado no bairro Nova Lima, que estaria sendo utilizado como depósito de cocaína.

Após monitoramento dos policiais da DRACCO, foi realizada a abordagem a um dos investigados, que transportava 9,2 kg de cocaína.

No prosseguimento da investigação, a equipe policial entrou no imóvel, onde foram localizados outros 30 tabletes da droga, totalizando cerca de 31,6 kg. Durante a ação, um dos suspeitos ainda tentou danificar o celular.

Diante da gravidade concreta dos fatos, foi pedido a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. As investigações prosseguem sob sigilo.

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Lago do amor transborda e ambulância fica ilhada durante temporal em Campo Grande

Várias ruas se transformaram em rio durante a chuva e cidade permanece em alerta para tempestades

19/02/2026 18h50

Ambulância ficou ilhada ao tentar passar em alagamento na Costa e Silva

Ambulância ficou ilhada ao tentar passar em alagamento na Costa e Silva Foto: Reprodução

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A chuva que caiu em Campo Grande na tarde desta quinta-feira (19) foi rápida, mas de forte intensidade, o suficiente para causar alagamentos em diversos pontos da cidade, além do transbordamento do Lago do Amor.

A situação tem se tornado corriqueira em dias de chuvas intensas em Campo Grande e voltou a se repetir, com o vertedouro não dando conta da quantidade de água, resultando no transbordamento do lago. A água invadiu a Avenida Filinto Müller e paralisou o tráfego no local.

Outro ponto onde houve alagamento foi a Avenida Costa Silva, onde a água tomou conta das ruas e calçadas em um longo trecho.

Próximo a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), na Avenida Costa e Silva, em frente ao Atacadão, uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentou passar pelo alagamento e acabou ilhada.

Os bombeiros foram acionados, mas não há informações se havia vítimas dentro da ambulância. 

A mesma situação ocorreu na Avenida Senador Antonio Mendes Canale, com a rua virando rio e água também invadindo calçadas.

Na Vila Nogueira, alguns moradores não conseguiram sair de casa, especialmente em trechos não pavimentados, onde além do alagamento, a correnteza estava forte.

De acordo com o meteorologista Natálio Abrahão, houve grande acumulado de chuva em várias regiões de Campo Grande no fim da tarde, sendo:

  • Jardim Panamá e Avenida Tamandaré - 16,2 mm
  • Santo Amaro - 13,4 mm
  • Centro - 10,2 mm
  • Coca-Cola - 9,6 mm
  • Shopping - 5,6 mm

 

Alerta para temporais

As chuvas têm sido frequentes na Capital desde o início do ano, sendo típicas de verão, que são precipitações fortes e rápidas.

Para esta sexta-feira e o fim de semana, Mato Grosso do Sul está em alerta para chuvas intensas e tempestades, com chance de grandes acumulados por dia, acompanhadas de rajadas de vento intensas, podendo ultrapassar os 100 km/h, e chances de granizo. 

Segundo o Centro de Monitoramento de Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), para esta sexta-feira (19) são esperadas pancadas de chuvas e aumento da nebulosidade ao longo do dia em diversas regiões.

Isso porque o aquecimento diurno e a disponibilidade de umidade na atmosfera tendem a favorecer a formação de instabilidades, especialmente na região centro-sul do Estado, podendo ocorrer chuvas com descargas elétricas e rajadas de vento na região.

Já nas regiões pantaneiras e sudoeste, as temperaturas tendem a continuar altas, podendo chegar a 38ºC, atrelados a baixos valores de umidade relativa do ar, entre 20% e 40%. 

No final de semana, a previsão indica tempo com sol e variação de nebulosidade ao longo dos dias, com condições favoráveis à pancadas de chuva típicas de verão, mas podendo ocorrer chuvas intensas e tempestades, com possibilidade de acumulados significativos, podendo ultrapassar os 40 milímetros em 24 horas. 

Na Capital, o final de semana deve ser de temperaturas amenas, com máxima de 30°C e previsão de chuva todos os dias até a próxima segunda-feira (23). 

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