A volta ao ambiente escolar, por vezes mais seguro que o familiar, trouxe a tona, denúncias de abuso sexual e pedidos de ajuda à Secretaria Municipal de Educação (Semed) em Campo Grande.
De acordo com a pasta, após 10 dias do retorno das aulas presenciais e escalonadas na Rede Municipal de Ensino (Reme), já foram identificados nove casos de abuso sexual em crianças e adolescentes.
Conforme a Superintendente de Gestão e Normas da Semed, Alelis Izabel de Oliveira Gomes, dos nove casos, três foram notificados apenas nesta semana.
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De acordo com Gomes, dois casos já foram encaminhados ao Conselho Tutelar e um para a Defensoria Pública porque a agressão aconteceu fora da Capital.
"O abuso aconteceu em outro estado e a mãe da vítima havia nos garantido que no local onde ocorreu a agressão, ela havia feito o boletim de ocorrência. No entanto, quando checamos com os órgãos competentes, isso não aconteceu", disse Izabel.
Segundo a superintendente, este foi um caso que gerou bastante revolta e tristeza pois a vítima de 12 anos, já tentou suicídio por duas vezes.
"Nesta idade em que poderia estar aproveitando a adolescência, de uma forma bacana, ela está já com um trauma imensurável", lamentou.
O caso mais recente que chegou ao conhecimento da Semed, foi de uma criança de 6 anos, que relatou ter sido abusada sexualmente em casa, durante a pandemia.
"À época essa criança com 5 anos não frequentava a escola, e o pedido de ajuda só veio nesta semana. É um fato que nos causa grande revolta. Fizemos os encaminhamentos necessários ao Conselho Tutelar e estamos acudindo e tentando amenizar ao máximo esses sofrimentos', reiterou a superintendente.
A Semed constatou ainda, um caso de uma adolescente de 13 anos que está grávida.
No entanto, conforme a mãe da jovem, seu caso não se enquadra em abuso sexual.
"De acordo com a mãe da menina, a relação foi consentida, mas enfim, ainda é uma jovem menor de idade e que está sob nossa responsabilidade", ponderou Alelis.
Após ser acionado, o Conselho Tutelar realiza o atendimento e encaminha a criança para a escuta especializada na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), para posteriormente, aplicar as medidas de proteção cabíveis ao fato.
A Semed realiza ainda, o encaminhamento das vítimas à equipe de psicólogos compostos por 14 profissionais.
“Nós trabalhamos todo o ano passado nessas questões socioemocionais, ajudando as pessoas, que estavam bastante vulneráveis e agora neste retorno, aqueles que não estavam nos procurando antes, estão vindo em busca de ajuda”, frisou a superintendente.